Alguma vez se perguntou porque é que os atletas que recebem as medalhas de prata revelam um ar tão infeliz? Em Gestão da Mente, Andy Gibson partilha que, em 1994, os psicólogos Victoria Medvec, Scott Madey e Thomas Gilovich analisaram as expressões faciais dos vencedores das medalhas olímpicas no pódio. Os atletas que tinham recebido as medalhas de ouro e bronze pareciam estar felizes, mas os que tinham recebido as medalhas de prata tendiam a parecer menos satisfeitos.
Chegar em segundo lugar era pior do que chegar em terceiro.

Arazão, disseram, reside nos contrafactuais. Os atletas que recebem as medalhas de prata estão tristes por não ganhar o ouro, enquanto os que receberam as medalhas de bronze estão satisfeitos por não estarem em quarto. Esse é o desafio da felicidade: não comparamos a nossa vida a um padrão de ouro abstrato, mas a como imaginamos que a nossa vida deveria ser.

Ganhos e perdas
Nas décadas de 1970 e 1980, os psicólogos Amos Tversky e Daniel Kahneman, no seu trabalho vencedor do Prémio Nobel sobre a teoria prospetiva, propuseram que a satisfação com as nossas escolhas não vem do quanto temos, mas dos nossos ganhos e perdas. Kahneman afirmou que o julgamento funciona mais como a visão: notamos movimentos
e prestamos menos atenção aos estados que se mantêm inalterados. Desta forma, quando se trata de felicidade, concentramo-nos nas mudanças e ignoramos o que permanece na mesma.
Uma pesquisa do McKinsey Global Institute conduzida em 2016 com seis mil pessoas em França, na Grã-Bretanha e nos Estados Unidos da América, descobriu que isto é válido até para o dinheiro. A nossa felicidade depende menos daquilo que temos e mais do sentimento de estarmos ou não a progredir, a ter mais sucesso do que no passado. Não é a pobreza por si só que causa infelicidade, mas o seu subproduto,
a preocupação de não termos dinheiro suficiente. Ter mais dinheiro pode aliviar a pobreza, mas não vai necessariamente impedi-lo de se preocupar com a possibilidade de vir a ser pobre.
Na década de 1970, os psicólogos Philip Brickman e Donald Campbell descobriram que mesmo os principais eventos da vida não parecem afetar a nossa felicidade a longo prazo. Ganhar na lotaria pode deixar-nos felizes por algum tempo, e um acidente sério pode provocar-nos infelicidade. Mas, no espaço de alguns anos, ter-nos-emos acostumado com os ganhos ou as perdas e voltaremos a sentir o mesmo que antes. Todo o dinheiro que ganhámos na lotaria não será tão empolgante quando estivermos acostumados a ter mais dinheiro, e aquele grave acidente será menos traumático quando nos tivermos adaptado à vida que se segue. Brickman e Campbell davam a isto o nome de adaptação hedónica, que é a nossa tendência para nos adaptarmos a tudo e seguir em frente.
Uma questão de perspetiva
É encorajador saber que somos resistentes à adversidade. Na verdade, somos muito melhores do que pensamos a recuperar de más experiências. O problema é que também parecemos ser resistentes à felicidade. Se você acredita que a sua vida será melhor com aquela incrível casa nova, um ótimo emprego ou mais dinheiro no banco, pode acabar desapontado. A felicidade não é um ponto fixo, mas uma questão de comparação —
— com outras pessoas, com as suas expectativas, com o passado. E ainda assim, a felicidade continua a ser uma meta muito popular. Então, se
a felicidade é apenas uma questão de perspetiva, porque é que não somos mais felizes? É claro que a falta de dinheiro, segurança, comida, abrigo e de outros ingredientes básicos da vida são importantes, mas, pelo menos no mundo desenvolvido, temos mais conforto do que nunca,
e ainda assim a felicidade não é maior do que antes. Então, como é que conseguimos viver tão bem e sermos tão infelizes?

Uma fórmula para a felicidade?
Os seus níveis de bem-estar e felicidade parecem provir de uma combinação de fatores. A genética importa, claro. Caso seja uma pessoa naturalmente extrovertida e, em particular, se o seu grau de sensibilidade às emoções negativas é baixo, pode dar por si a sentir-se feliz com mais frequência. Não existe uma ciência exata para o modo como a química do seu cérebro afeta a sua felicidade (pode ser diferente para diversas áreas da vida), mas parece que todos começamos de diferentes pontos de partida na busca pelo bem-estar. Todos podemos ser felizes, mas algumas pessoas podem ter de se esforçar um pouco mais do que outras.
O nosso meio ambiente enquanto crescemos também parece ter um efeito, mas talvez não tanto como julgamos. A velha visão da psicologia de que quem somos em adultos é moldado na infância parece ser demasiado simplista. Ter uma boa família e não ter tido demasiados problemas na infância são fatores positivos, mas os traumas e problemas sérios, embora possam afetar-nos, não nos definem.
A parte restante da nossa felicidade reside nas ações diárias, nas escolhas de vida e em tudo o resto que fazemos. Não podemos mudar tudo em relação à nossa felicidade, mas uma grande proporção de como nos sentimos no dia-a-dia está nas nossas mãos.

Será que mudar a sua vida irá torná-lo mais feliz?

As nossas capacidades de prever o que nos fará felizes são surpreendentemente más. Num estudo de 1998, os psicólogos David Schkade e Daniel Kahneman questionaram os habitantes de Ohio e da Califórnia sobre quem eles pensavam que era mais feliz, se os que viviam em Ohio ou na Califórnia. Ambos os grupos disseram que as pessoas que moram na Califórnia eram mais felizes – mas, na verdade, todos são igualmente felizes.
O leitor pode pensar que mudar-se para a costa vai transformar a sua vida, mas pode ser um grande esforço para nada.
Talvez exista uma boa razão para isso: se pequenas mudanças na vida podem deixá-lo mais feliz, então elas também podem deixá-lo infeliz. Somos naturalmente resistentes a situações boas e más. Um estudo conduzido pelo geneticista comportamental David Lykken em 1996 chegou a concluir que tentar ser mais feliz é tão inútil quanto tentar ser mais alto.
Estudos feitos pelos psicólogos positivos Sonja Lyubomirsky e Kennon Sheldon sugerem que mudar as circunstâncias da sua vida pode não ser a melhor maneira de aumentar a felicidade. Se já se sente moderadamente confortável, o que de facto afeta a sua felicidade são os seus hábitos, o que faz e a maneira como pensa.