Existem várias técnicas para meditar, umas mais parecidas que outras, mas o que interessa é que, no final, todas elas nos conduzem ao mesmo resultado. Não se deve obrigar ninguém a fazer um tipo de meditação, deve ser o indivíduo a chegar à sua própria conclusão sobre esta ou aquela meditação e qual a que mais se adequa à sua natureza. Mas uma coisa é certa e válida para qualquer que seja o tipo de meditação escolhido: há que praticar. Tome consciência de que todas as técnicas requerem muita dedicação e muito empenho, e que todas elas nos levam a um bom destino.

Transcendental

 A meditação Transcendental tem, nos dias de hoje, bastantes adeptos. Este tipo de meditação, tal como o nome indica, tem como objetivo transcender a mente. No fundo, todas as técnicas de meditação têm esse objetivo. Nesta, é-nos dado um mantra para meditarmos. Um mantra é um conjunto de palavras que produz um som que, segundo filosofias orientais, é um som sagrado. Estes sons sagrados entram em ressonância com as frequências da terra e produzem um bem-estar automático nas pessoas. O mantra mais conhecido é o OM. É no fundo uma vibração, a vibração primordial do Universo. A técnica consiste em repetir internamente o mantra durante algum tempo. Ao estarmos a mentalizar o mantra não damos tanto espaço à nossa mente para criar pensamentos. Após vários minutos a entoar o mantra repetitivamente, a nossa mente torna-se mais calma e, por vezes, sentimos mesmo a cessação de pensamentos, entrando num estado de vazio.

Técnica da uva

Esta técnica também é conhecida como técnica da amêndoa, da passa ou da água, no fundo pode ser praticada com qualquer alimento, pois baseia-se essencialmente no processo de comer. Hoje em dia, a maior parte das pessoas come a correr, sem ter tempo para sequer tomar consciência do sabor da comida. Faz parte da nossa cultura comer assim, estamos carregados de stress e o tempo para as refeições é sempre curto. Esta prática vem contrariar esse processo. Na técnica da uva, todo o processo de comer passa a ser bastante lento e feito com toda a atenção. Pode chamar-se “processo de comer com consciência e com atenção plena”. Durante a meditação da uva, devemos tomar toda a atenção ao sabor da uva, à sua textura, à sua temperatura e a qualquer outra sensação que o alimento e o processo de comer nos possa trazer. Tal como em todas as técnicas de
mindfulness, vamos apenas observar as sensações, sem reagir, sem julgamentos. Simplesmente observamos. Tenho praticado esta técnica com as crianças e os resultados são muito bons. É sobretudo uma técnica de mindfulness, pois foca-se em todo o processo de comer uma uva.

Exercício:

Pegue numa uva com a mão e feche os olhos. Com a uva dentro da mão, sinta a textura, o peso, a temperatura e qualquer outra sensação que esta lhe possa trazer. Passados alguns segundos, lentamente, coloque a uva na boca. Então, sinta o espaço que a uva ocupa, sinta também a língua a tocar na uva e qualquer outra sensação. Simplesmente, sinta com toda a atenção, sem julgamento nem reação. Passados alguns segundos, comece a mastigar a uva. Sinta o líquido que sai da uva, sinta o sabor, talvez as grainhas e a sua textura, sinta a uva a desfazer-se. Mastigue bem durante alguns segundos. Sinta todo o processo de mastigação. Assim que tiver a uva bem desfeita na boca, traga toda a sua atenção para o processo de ingestão do alimento. Engula a uva e vá seguindo o caminho que esta vai fazendo até chegar ao estômago. Assim que deixar de sentir a uva, abra os olhos.

Dança como meditação

 A dança também pode ser vista como uma meditação ativa. Osho, um dos grandes mestres espirituais dos últimos tempos, tinha várias práticas de meditação que eram feitas a dançar. Soltando o nosso corpo e os preconceitos associados, podemos, ao sabor da música, entrar numa dança meditativa. Também no Sufismo, um dos ramos do Islamismo, se fazem meditações a dançar.

Meditação a cantar

 Na Índia, uma das formas mais conhecidas de meditação em grupo chama-se Kirtan. O Kirtan acontece quando um grupo de pessoas se junta e canta músicas religiosas. É uma forma de oração que se pode entender como meditação, pois ao cantarmos repetidamente, entramos num estado de não-pensamento, apenas estamos ali a cantar. Esta prática não é exclusiva da Índia e do Hinduísmo, há várias religiões que a incluem.

Meditação em pé

 Estamos habituados a ver as pessoas a meditarem sentadas no chão de pernas cruzadas. É verdade que essa posição
é a mais aconselhada para meditações, principalmente para as mais longas. Mas nem sempre precisamos de meditar sentados. Na China, sobretudo na cultura e filosofia TAO, muitas vezes é aconselhado que se faça meditação em pé. Esta técnica está muitas vezes associada à prática de Tai chi, uma prática de manipulação das energias. Na meditação em pé, a grande diferença está na gravidade. Claro que, nesta posição, vamos mexer mais o corpo do que se estivéssemos sentados. Mas isso pode ser visto como um bom desafio. Ao estarmos em pé, estamos a desenvolver mais equilíbrio no nosso corpo, tanto físico como emocional, pois o físico está diretamente ligado ao não-físico.

Exercício:

Coloque-se de pé, preferencialmente descalço. Dobre ligeiramente os joelhos. Feche os olhos e relaxe todos os músculos desnecessários à posição. Encontre o seu centro gravitacional, ou seja, encontre uma posição em que se sinta firme e que vai aguentar por mais alguns minutos. Traga toda a sua atenção para a respiração. Permaneça na posição durante o tempo que achar necessário. Só o próprio pode medir o tempo que está diretamente ligado à força e capacidade de permanecer em pé.

Breyner, Tomás de Mello (2016) O Pequeno Buda. Arena