Infelizmente, as doenças crónicas e autoimunes surgem cada vez mais em consulta de nutrição e em idades cada vez mais jovens. Estas pessoas procuram apoio e acompanhamento nutricional na tentativa de combaterem a fadiga extrema, assim como, o aumento de peso associado.

Através da alimentação funcional e anti-inflamatória tentamos, em consulta, combater a doença, travar a sua evolução, limitar o processo inflamatório e os efeitos que sobre o organismo quer da doença em si, quer da própria medicação, muitas vezes com base corticoide (cortisona).

 

Estas substâncias são utilizadas para o tratamento de uma série de doenças e podem estar na base de um sem-número de efeitos secundários. Dependendo da dosagem empregada e do esteroide sintético utilizado, os sinais e sintomas podem ser mais ou menos intensos e, em algumas ocasiões, estes efeitos colaterais podem ocorrer sem que o paciente se perceba ou os relacione com as medicações que está a utilizar.

 

A corticoterapia

A corticoterapia é conhecida, entre outras situações clínicas, pela sua relação com o aumento de peso, aumento de retenção de líquidos e inchaço generalizado (edema) e/ou síndrome de cushing (cara com aspeto de ‘lua cheia’). Além disso, está ainda comprovada a sua influência sobre o metabolismo dos hidratos de carbono e também das gorduras. Trocando por miúdos, isto significa que interfere com o apetite, aumentando a necessidade de alimento e com os níveis de colesterol sanguíneo.

A boa notícia é que a alimentação e o estilo de vida cuidados podem ter um papel preponderante na atenuação destes sintomas e efeitos secundários, sendo que, em certos casos, muitas destas queixas podem ser drasticamente atenuadas.

 

Sugestões

Partilho, neste artigo, algumas sugestões para que a terapia não tenha um impacto dramático no peso, nem no dia a dia. Dicas estas que utilizo na minha prática clínica, mas que comprovo no meu dia a dia e por experiência própria.

Sou nutricionista clínica de profissão há mais de 10 anos, mas foi há cerca de 3-4 anos que tive de mudar a minha dieta, devido ao diagnóstico de doença rara, autoimune, chamada Sarcoidose. A terapia com anti-inflamatórios esteroides (cortisona) teve de ser implementada, devido ao seu desenvolvimento rápido e foi então que uma alimentação funcional se tornou no meu braço direito. Desta vez, mais do que profissão era também uma questão pessoal.

Deixo-lhe algumas sugestões práticas, para tal, como eu, terem a certeza de que os efeitos da medicação são os mínimos possíveis:

  1. Eliminação do sódio da alimentação

Hoje em dia, existem soluções bem mais agradáveis do que comer tudo insosso! 

Opte pelas ervas aromáticas, cebola, alho e especiarias variadas ou utilize opções de sal sem sódio. Trata-se de opções com 0% sódio, desenvolvidas à base de ingredientes naturais, indicadas para hipertensos, para quem pretende optar por uma alimentação mais saudável e, neste caso, uma ferramenta que tem sido inigualável a nível da diminuição da retenção de líquidos.

 

  1. Atenção ao sal escondido nos alimentos

Aprenda a ler os rótulos!

Evite alimentos processados e industrializados, conservas, molhos pré-feitos, ketchup, aperitivos de pacote, picles, comidas congeladas, comida pré-preparadas, charcutaria tradicional, entre muitos outros.

 

  1. Procure ingerir alimentos ricos em potássio

Introduza de forma regular alimentos como laranja, banana, pera abacate, tomate, beterraba, entre outros.

 

  1. Beba muita água

Hidrate-se, não deixe que o seu organismo retenha por si só!

Organize-se para conseguir ingerir a quantidade mínima de água por dia: 1,5 l.

 

  1. Beba infusões com efeito drenante, mas que não sejam estimulantes

Aposte em infusões de cavalinha ou dente de leão. São ótimos para eliminar líquidos!

 

  1. Faça pelo menos “algum” exercício

Ajude na eliminação!

Se conseguir fazer uma caminhada ou algum tipo de atividade física, vai estar a ajudar o seu organismo a eliminar e a estimular a circulação.

 

  1. Ajude a drenar

Drenagens linfáticas

Drenagens linfáticas 1-2 vezes por semana aliviam muito os sintomas. A utilização de meias de compressão auxiliam a circulação de retorno e pode ser uma ajuda para quem sente os membros inferiores afetados, doridos e inchados.

 

  1. Evite o tabaco, o álcool, os refrigerantes e as bebidas gaseificadas

Mesmo as light, as zero, as águas gaseificadas de sabores ou pedras.

 

  1. Não abuse da exposição solar direta sem proteção

A pele está mais frágil.

 

  1. Procure um nutricionista 

Encontre a melhor forma de perder peso com um acompanhamento personalizado e delineado para si.

 

Artigo publicado na Zen Energy Nº 88 (edição de maio de 2016)