É mais fácil do que imagina…

Certo dia, ouvi dizer que “o único amor que é verdadeiramente eterno é o amor por nós próprios”. E faz todo o sentido. Construir uma relação de amor incondicional com o nosso “eu” é construir uma relação para a vida, uma relação que será a nossa base e
o nosso sustento.

Hoje em dia, mais do que nunca, faz todo o sentido falar em amor-próprio. Numa sociedade tão voltada para fora, para o que é aparente e efémero são cada vez mais as pessoas que perdem a ligação com o seu “eu” interior, esquecem-se desse amor incondicional que vem de dentro, perdem-se nas relações externas, procurando afeto e amor fora de si quando o verdadeiro afeto e o verdadeiro amor estão cá dentro, na nossa alma. Estabelecermos uma relação de amor connosco é traçar um caminho de luz, um caminho com bases sólidas, sem lugar para medos ou inseguranças. Mas como construir esse amor-próprio? Como voltar ao início e reconhecermo-nos como a pessoa mais importante da nossa vida?

Em busca de respostas…

Em primeiro lugar, tem de se voltar para dentro. As verdadeiras mudanças e as verdadeiras relações devem ser trabalhadas de dentro para fora. E, para que tal aconteça, deve mergulhar no seu interior, na sua alma, sem medo. Não é um trabalho fácil, porque olhar para dentro dói. Remexer nas gavetas que temos fechadas causa sofrimento, mas é necessário fazer essa introspeção. É necessário fazer esse reconhecimento interior. Só olhando para aquilo que temos cá dentro, só percebendo os nossos sentimentos, as nossas dores, os nossos sonhos, a nossa essência, é que podemos conhecer-nos de verdade. E só quando nos conhecemos de verdade é que nos podemos reconhecer como seres divinos capazes de tudo. Só quando nos conhecemos de verdade é que podemos amar-nos, tal e qual como somos.

Neste processo de olhar para dentro, há dores que vêm ao de cima. São dores provocadas por erros, decisões menos acertadas, momentos menos bons. Em muitos casos, perpetuamos uma culpa dentro de nós por todas essas dores, por tudo o que não correu bem. É aqui que entra o perdão. Aprenda a perdoar-se. É um trabalho difícil, que lhe vai custar muitas lágrimas, muitos silêncios, muita reflexão. Já passei por isso e é tão difícil livrarmo-nos da culpa, uma culpa que nem sequer é real, que é mais uma crença da nossa mente e do nosso ego para nos manter aprisionados e alienados. Perdoe-se. Aceite que fez o melhor que podia e sabia naquele momento. E liberte essa culpa que ocupa demasiado espaço dentro de si. Quando nos perdoamos, automaticamente sentimos uma leveza gigante que nos faz serenar e olhar para nós com mais carinho e tolerância.

Em todo este processo de redescoberta, existe uma ferramenta bastante útil e eficaz, que é a utilização de afirmações positivas no nosso dia a dia. Adquira o hábito de, todas as manhãs, olhar para o espelho, no fundo dos seus olhos, e dizer com todo o coração: eu amo-me, eu amo-me de verdade. Parece simples, mas nem sempre é, principalmente nas primeiras vezes. Estamos tão desabituados a sentir amor por nós, que dizer que nos amamos, em voz alta, é estranho e até perturbador. Mas não desista. Continue a dizer que se ama, em frente ao espelho, e várias vezes durante o dia. Diga que se ama, que é capaz, que é maravilhosa(o), que consegue tudo aquilo que quer. Sinta estas afirmações fazerem eco dentro de si. De tanto as repetir e sentir, elas tornar-se-ão realidade, uma realidade que já existia, mas que estava encoberta pelo véu denso das falsas crenças destrutivas.

Trabalhar  o amor-próprio

Um outro passo para trabalhar o seu amor-próprio é fazer aquilo que o faz feliz. Com a correria dos dias, esquecemo-nos de guardar tempo para nós, para fazer aquilo de que tanto gostamos. E se não dispusermos desse tempo, a vida entra em piloto-automático, os dias amontoam-se e a rotina vai-nos corroendo e quando damos por isso já estamos mergulhados num tal desgaste emocional que, daí a ficarmos doentes, é um pequeno passo. Uma vez mais, posso falar da minha própria experiência. Antes de ficar doente, nunca tinha tempo para nada. Privava-me de fazer aquilo de que gostava, porque não tinha tempo. Aguentava horas e horas de trabalho a contragosto. Deixei de escrever e de fazer artesanato, algo de que tanto gostava, porque achava que era uma perda de tempo. Deixei de estar com pessoas, porque não tinha tempo. Sempre a mesma ladainha do tempo. E, quando dei por isso, tinha já uma doença atracada a mim. E foi aí que percebi que tinha de redefinir as minhas prioridades. E agora não deixo de fazer aquilo de que gosto. E tenho tempo para tudo. Por isso, digo-lhe: não perca tempo a pensar que não tem tempo. Faça aquilo de que gosta, não se prive disso. Porque quando fazemos aquilo de que gostamos, nem que seja um simples passeio à beira-mar ou uma aula de Yoga, a nossa alma rejubila, sentimo-nos bem, em sintonia com o nosso “eu”. E passamos a gostar ainda mais de nós, porque nos permitimos ter esses pequenos grandes momentos de prazer.

Para que possa trabalhar todos estes passos, há algo que é fundamental e transversal: a meditação. Meditar é essencial para iniciar este caminho de descoberta e de amor para com o nosso ser. Só silenciando a mente é que conseguimos escutar o nosso coração. E é nesse coração que reside a nossa essência e verdade. Através da meditação, entramos em contacto com essa essência que nos define e percebemos o quanto somos belos, o quanto valemos a pena, o quanto somos capazes. Através da meditação, elevamo-nos a um nível de energia superior que nos faz regressar à base de tudo: o nosso primeiro e grande amor – o amor por nós próprios. Durante as suas meditações, entregue-se ao seu “eu” interior, faça as pazes com ele, imagine que reencontra a criança que foi um dia, dê-lhe um grande abraço, perdoe-lhe todas as falhas e todos os erros, diga-lhe o quanto a ama, o quanto se ama. E siga adiante, de mãos dadas consigo mesmo, fortalecendo esse laço de amor-eterno todos os dias.

Por Catarina Vasconcelos | Terapeuta holística com formação em Reiki, Terapia Sacro-Craniana, Mesa Radiónica Quântica, Meditação | catarinatvoliveira@gmail.com