Duvida das suas capacidades e tem dificuldade em acreditar que terá sucesso na sua vida ou que conseguirá assumir responsabilidades? Descubra as suas potencialidades.

 

A autoestima é a forma como nos avaliamos subjetivamente. E esta visão influencia a maneira como nos comportamos, sentimos e pensamos. No fundo, é a junção de tudo o que somos.

Habitualmente, divido a autoestima em dois tipos distintos. Considero que existe ‘uma autoestima psicológica’, a qual diz respeito ao que achamos sobre a pessoa geral que somos, as nossas características e posturas. Mas, por outro lado, considero a existência de uma ‘autoestima física’, a qual se centra mais especificamente nas nossas características físicas e tipo de corpo.

Estes ‘dois tipos de autoestima’, influenciam-se mutuamente, estando intimamente ligados através de uma relação de equilibro vs. desequilíbrio.

 

O que influencia a nossa autoestima

A autoestima poderá ter dois tipos de influência: interna e externa. Isto é, a nossa influência pessoal, através do nosso tipo de personalidade base, e a influência dos outros, pela vivência de situações de vida e de atitudes das outras pessoas para connosco.

Estes dois tipos de influências estão relacionados, podendo estar ativos juntos ou de forma intercalada.

As diferenças individuais relativamente ao que influencia a nossa autoestima variam de acordo com as características de personalidade do indivíduo, da sua capacidade de resistência e do tipo de resposta habitual perante as dificuldades. No fundo, a autoestima varia de acordo com o reforço positivo ou negativo dos acontecimentos de vida. Sejam situações vividas, pessoas que se conhecem, opiniões de terceiros ou qualquer outro fator que possa intervir diretamente na vida diária de cada pessoa.

 

Como se desenvolve a autoestima

Na base da formação da autoestima estão as características do ambiente familiar e social no qual o indivíduo cresceu, bem como a forma como foi tratado pelos outros (família, amigos) desde criança.

A baixa autoestima poderá ser resultante de ambientes negativos e/ou mais disfuncionais, sem haver lugar a elogios, apoio ou proteção, com regras rígidas, muita exigência e sem valorização pessoal. Ou, então, poderá ter origem nas características de personalidade da criança, as quais a fazem ter crenças erróneas sobre as pessoas e os acontecimentos de vida. Ou seja, apesar de ter um ambiente que não seja hostil, a criança interpreta errada e negativamente a forma como é tratada pelos outros.

Na criança, há a construção destas crenças erróneas sobre o seu valor pessoal de acordo com os exemplos dados pelas pessoas mais próximas, bem como pelo tipo de comportamentos e de resultados que são valorizados no ambiente familiar. Porque estes são os modelos para a criança que está a crescer, o que faz com que queira ‘ser igual’, não valorizando as suas características e valor próprios

 

Como melhorar a autoestima

Muitas são as pessoas que procuram a ajuda de um psicólogo, com o objetivo principal de ‘aumentar’ a autoestima. No entanto, este processo demora algum tempo para a mudança ocorrer, uma vez que foram necessários alguns anos de crenças erróneas e de atitudes baseadas nestas mesmas crenças.

Mas, nem todos podemos ou queremos recorrer a um psicólogo. Neste caso, por onde e como poderemos começar a modificar a nossa autoestima?

De seguida, tem alguns exercícios que poderá fazer para melhorar a sua visão pessoal da pessoa que é atualmente.

 

  • Para trabalhar a autoestima ‘física’:

Se tiver excesso de peso e/ou obesidade, coloque como objetivo a perda de algum peso. De acordo com o número de quilos a perder, estabeleça uma perda de peso para 6 meses ou 1 ano.

Terá que ser uma perda lenta, sustentada e saudável, para que não fique negativamente ansioso com a obtenção de resultados.

Para tal, faça 1 a 2 mudanças ao nível do seu estilo de vida, as quais não desorganizem muito as suas rotinas. Por exemplo: se come muitos doces, escolha somente um dia semanal para comer uma sobremesa. Coma-a sem culpa. Por cada semana que não comer um doce, coloque uma moeda de 50 cêntimos num frasco e utilize este dinheiro para comprar uma peça de roupa de tamanho mais pequeno.

Ao nível do exercício, coloque também na prática este método de autorrecompensas. Isto é: estabeleça que irá fazer 2 a 3 vezes por semana exercício, ginásio, caminhadas, natação, dança e, por cada ida ao exercício, coloque no frasco a mesma quantia.

 

  • Para trabalhar a autoestima ‘psicológica’:

Nesta área terá que modificar todas as características que considere negativas e/ou invalidantes para a sua vida atual (em todas as áreas). Especialmente as características que limitam o seu desenvolvimento e inibem o seu bem-estar pessoal.

Deste modo, faça uma lista das características que deseja mudar. Acrescente as situações nas quais as mesmas são negativas. Comece por trabalhar as características mais fáceis de mudar.

Coloque a lista na carteira e observe-a com regularidade e sempre que estiver numa situação problemática, tenha o comportamento contrário ao tido usualmente.

Por exemplo: se tem dificuldades sociais ao nível da comunicação, quando estiver em festas, jantares, saídas, escolha 1 ou 2 pessoas para falar. Quando sair da situação, reforce positivamente o seu comportamento.

 

Trabalhe continuadamente a sua autoestima, mas não se esqueça que, apesar de sermos pessoas semelhantes, cada um de nós é um modelo único. E esta individualidade deverá ser sempre reforçada por si e valorizada ao longo da vida. É aqui que reside a base de uma boa autoestima. Ame-se.

 

Comportamentos habituais em pessoas com autoestima mais baixa:

  • Não valorizam as suas capacidades e características pessoais;
  • Usualmente consideram que ‘a culpa’ é sua;
  • Ao nível social são mais inibidas e ansiosas;
  • Criticam-se constantemente na maioria das situações de vida;
  • Valorizam quase sempre as situações negativas em detrimento das positivas;
  • Têm dificuldade em dizer não aos outros;
  • Ajudam as outras pessoas, muitas vezes com prejuízo próprio;
  • Têm uma visão negativa do futuro;
  • Quase sempre não manifestam a sua opinião e vontades próprias.

 

Artigo publicado na Zen Energy Nº 88 (edição de maio de 2016)