Quantas vezes já sonhou em voltar a ser criança. Quantas vezes não deu por si a observar as crianças a correr, a brincar, a serem apenas o que são! Tantas vezes já desejou voltar atrás no tempo…

Ser criança. O que é ser criança? Diria que é o mesmo do que ‘ser feliz’, é tão simplesmente isso, Ser. E você, porque gosta tanto das crianças? Porque afirma tantas vezes que elas são o melhor do mundo? Porque fica tão boquiaberto ao ver os seus sorrisos, olhares inocentes e brincadeiras tontas? Porque lhe fazem elas sorrir? Já parou para avaliar isso, ou se limitou a ver e a sonhar? Vamos, então, analisar, com calma. Caminhe comigo pelo mundo do sentir e permita-se lá ir atrás, vamos juntos, pois nunca está só…

 

Crescer interior e emocionalmente

Já se apercebeu de que numa criança não há racionalidade em demasia, não há julgamento, não há emoções distorcidas, não há falsidade, não há máscaras. A criança limita-se a ser criança. Brincar, correr, saltar, rir, chorar, sonhar. Quando ela o abraça, é sincero e sentido, tal como quando ela chora nos seus braços. Tudo o que eles fazem, sentem-no profundamente, sem hipocrisia, pois não precisam agradar ninguém, nem isso faz sentido para elas, não o compreendem. Já nós, adultos, adoramos impor regras, ditamos padrões sociais, tentamos controlar as suas atitudes. Limitamos os pequenos seres de crescer interior e emocionalmente. Castramos muitas vezes um potencial incrível, impedimos os seus sonhos mirabolantes e descredibilizamo-los… «Vá, não chores», «Que disparate», «Assim és feio, não gosto»… são tantas e tantas frases que marcam o subconsciente da criança para toda a vida, ditando a sua personalidade futura. Porquê? A resposta é fácil: queremos que eles sejam à nossa imagem. Que ajam de acordo com os nossos ideais e padrões. Atenção, claro, que é necessário haver algumas regras, é esse o papel do adulto, educar, orientar… mas nunca limitar, castrar, oprimir seja o que for.

 

Traga de volta a boa energia

Então, porque nos fascinam eles? Por que razão afirmamos que são a luz do mundo?

«Ah, Paulo, eles são puros, inocentes…», verdade, mas nunca esqueçamos que eles são o mesmo que nós já fomos. Pare e pense comigo. Está apenas a projetar neles uma imagem sua do que não consegue manifestar. Ou seja, você queria ser puro, alegre, sincero, dizer sempre o que sente, sentir-se leve e livre. Mas, não é capaz disso, pois já está de tal forma emaranhado numa teia social que não encontra a saída. E assim, vê nele o seu sonho, vê nos pequeninos aquilo que já foi e desejava ser para sempre. Vê nas crianças o sonho de um mundo livre. E pode bem vir a sê-lo, tudo depende da nossa postura perante nós mesmos e perante eles! Além do que, sente neles o amor. As crianças amam-nos verdadeiramente e nós temos saudades desse amor puro, inocente. Essa energia sem julgamento, sem mentira, algo realmente incondicional que se perde com o crescimento.

Sabe que mais, desafio-o a sentir. Sinta muito, sinta tudo. Vamos lá atrás, à sua infância. Reviva! Feche os olhos, veja e sinta. Sinta as dores, as limitações, os padrões que lhe foram impostos e que acabou por aceitar. Agora, que já tem outra visão da vida, analise esses padrões e deite fora o que não lhe faz feliz, só isso. Desfaça-se do que não lhe faz bem, mesmo que a sociedade à sua volta diga que é o melhor do mundo. Se não for bom para si, não o faça! O que passou já passou, deixe ir, não se mantenha preso e chore se for preciso, grite. Agora, veja os momentos felizes, as alegrias, o êxtase de ser apenas você. De brincar livremente, de falar e agir sem pensar no que isso trará de retorno. Traga isso de volta, essa sinceridade, essa pureza de ser, essa energia boa. Deixe-a crescer no seu peito, preencher-lhe todas as células e envolvê-lo totalmente.

 

(Continua…)

Leia este artigo na íntegra, na Zen Energy Nº89 (edição de junho de 2016), já nas bancas.