Comer muitos hortícolas e frutícolas crus é indiscutivelmente saudável e não há nutricionista que não fomente este tipo de escolhas alimentares na sua consulta. Aliás, sempre que possível, tanto eu como os meus colegas de profissão, recomendamos também o consumo de fruta com casca, pois é nela que se concentra grande quantidade de fibra alimentar, assim como minerais e vitaminas. Contudo, como em tudo na vida não há bela sem senão, tenha a certeza de que lava corretamente os alimentos que consome crus, pois é na sua superfície que se encontram os pesticidas, os agentes químicos e microbiológicos que não queremos ingerir.

 

Cada vez mais de uma forma geral se apela ao consumo de alimentos crus, para não se perder o que de essencial apresentam, como as vitaminas e antioxidantes ou alguns micro-organismos benéficos à nossa flora intestinal. Algumas pessoas seguem até correntes alimentares em que a temperatura não vai além dos 45ºC. Este tipo de alimentação, à qual chamamos de crudivorismo, é uma vertente mais radical do vegetarianismo, em que além dos alimentos escolhidos, a forma de confeção é também limitada aos alimentos crus. A intenção é não perder alguns nutrientes mais sensíveis nem desnaturar enzimas vivas importantes para o correto funcionamento do nosso organismo.

Recentemente, também a moda (que já se tornou um hábito) dos sumos detox, contendo frutas e vegetais crus, veio aumentar a preocupação tida com a preparação e limpeza destes alimentos.

Quando cozinhamos os nossos alimentos, grande parte dos micro-organismos capazes de nos serem prejudiciais são neutralizados, mas com a elevação da temperatura também alguns componentes benéficos se perdem.

Uma das questões recorrentes de quem pretende fazer uma alimentação mais equilibrada e cuidada, aumentando o consumo de vegetais e limitando o processamento dos alimentos é qual a forma mais correta de lavar as frutas e os vegetais, especialmente aqueles que se consomem crus e/ou com casca, quer em saladas quer em sumos.

Mantenha a saúde à mesa

Para manter a saúde à mesa, não basta apenas selecionar os melhores ingredientes e alimentos, é necessário ter a certeza de que estes são bem higienizados antes de irem para a mesa. Todos os vegetais que são consumidos crus, como frutas, verduras, legumes e raízes, devem ser bem lavados antes de serem servidos e preparados.

Os biológicos não fogem à regra, pois também eles apresentam adubos orgânicos.

A verdade é que existem produtos de compra que prometem a melhor higienização dos mesmos, mas podemos fazer a nossa lavagem em casa com os produtos tradicionais. Descubra como!

Tanto tenho falado em sumos e águas, em artigos anteriores, utilizando frutas e vegetais crus e da importância de mantermos e consumirmos as cascas de alguns ingredientes, ricas em elementos nutricionais salutares, mas ainda não tinha referido a importância de que estes alimentos (sejam eles de origem biológica ou não) se encontrem muito bem lavados antes do seu consumo, conseguindo a garantia de produtos verdadeiramente limpos, desinfetados e isentos de bactérias ou outros micro-organismos que possam pôr em causa a nossa saúde e bem-estar.

Para tal, o ideal é lavar muito bem a superfície dos alimentos em água corrente e colocar de molho com vinagre durante cerca de 15-30 minutos (para cada 1 litro de água, acrescentar 2 colheres de sopa de vinagre), para soltar as impurezas.

Alimentos que apresentem cascas grossas ou rugosas devem ser lavados com a ajuda de uma escova para retirar restos de terra.
Outra solução caseira é utilizar algumas gotas de lixívia diluída em água durante cerca de 30 minutos (cerca de 5-10 gotas para cada litro de água).
A lixívia a ser utilizada para desinfetar os alimentos pode ser de qualquer marca do mercado, desde que não tenha detergente nem perfume, ou seja, desde que se trate de ‘lixívia pura’.

No final, deverá voltar a lavar os alimentos desinfetados em água corrente e estão prontos para consumir ou ir para a liquidificadora ou qualquer outro robot de cozinha de sua preferência. Simples, prático e económico!

Crianças, grávidas e idosos são especialmente suscetíveis a uma lavagem menos eficiente e, por isso, devem ter ainda mais atenção. A estes grupos mais sensíveis, recomendo desinfetantes com base de hipoclorito de sódio (lixívia) ou produtos já preparados para o efeito, de compra em supermercado.

Agora já não há desculpas… ‘mãos à obra’…

Artigo publicado na Zen Energy Nº81 (edição de Outubro de 2015)