Já pensou em ir viver para uma ilha paradisíaca? Ou abrir um negócio local?

Está na hora de tomar decisões e arriscar. Arriscar sem medo, mas de forma planeada.

 

Hoje, não iremos falar de objetivos ou de metas a atingir, mas sim, da análise da sua vida atual para que assim consiga visualizar quais as áreas que terá que melhorar no ano que agora se inicia. Parece-lhe complicado? Não é nada difícil. No fundo, trata-se de um processo de autoavaliação de toda a sua vida, para que possa entender qual o caminho a seguir. Há que melhorar e transformar as suas maiores fragilidades atuais, para que consiga posteriormente atingir objetivos concretos e evoluir como pessoa.

 

Porque é difícil mudar?

Se não estou feliz ou bem, então, porque não consigo mudar de atitude perante a vida? O que será que me bloqueia? Medo do desconhecido, preguiça para mudar?

Essencialmente, se reparar, a maior dificuldade na gestão da mudança é a forma como visualizamos as situações de vida. Sabemos que não estamos bem, que aquele não é o caminho mais correcto, mas continuamos a realizar o mesmo tipo de erros e a ter comportamentos semelhantes. No fundo, esperamos ter resultados diferentes para a mesma situação, através de atitudes sempre iguais.

Sabe qual a solução? Estarmos atentos à nossa visão das situações de vida. É aqui que reside a maior dificuldade. Ou seja: a maneira como interpretamos os acontecimentos, as pessoas que vamos conhecendo, entre outros.

Sabia que esta visão da vida recebe diretamente influência do tipo de pensamentos que as situações nos provocam? Mas, essa não é a maior dificuldade. O problema está em que, muitas vezes, temos uma visão enviesada da realidade, porque analisamos a vida através de alguns erros cognitivos de interpretação (ver caixa 1).

E são estes erros cognitivos que nos dificultam a tarefa de mudança, porque mascaram a verdadeira realidade e, muitas vezes, provocam uma visão muito deturpada e negativa do que nos acontece. Além de que aumentam grandiosamente o nível de sofrimento e ansiedade tidos nas situações.

 

Porquê analisar a nossa vida no presente?

Para conseguir trabalhar esta visão errónea da vida, vamos centrar-nos noutra questão: como avaliar a nossa realidade atual?

Imagine que um estranho o abordava e que lhe faria a seguinte pergunta: «O que mudaria na sua vida neste momento?». Possivelmente, ficaria bloqueado na resposta.

E se este lhe perguntasse: «O que gostaria de ter na sua vida neste momento?».

Aqui, certamente, responderia: «Mais dinheiro», «Um emprego melhor», «Uma relação equilibrada», entre outros.

No entanto, já alguma vez parou para pensar no porquê de ainda não ter atingido esses objetivos? Sabe qual a causa maior para essa situação? Quais os comportamentos e as áreas que terá que melhorar e modificar, para que consiga trazer para a sua vida, «mais dinheiro, mais amor, um emprego melhor»?

No fundo, há que perceber «onde estou», para que consiga preparar o «para onde quero ir e ficar», através do corrigir dos comportamentos menos positivos e do focar-se sempre no objetivo final.

 

Erros de interpretação

Identifique os possíveis erros de interpretação que poderá estar a realizar atualmente:

  1. Tudo ou nada (pensamento dicotómico): pensamento perdido por 100, perdido por 1000. Visualiza a situação através de apenas duas categorias.
  2. Catastrofização: prevê negativamente o futuro sem equacionar outros resultados passíveis de serem obtidos.
  3. Argumentação emocional: quando considera que algo é verdade, porque ‘sente’, não tendo em conta evidências contrárias que contrariam esse facto.
  4. Supergeneralização: quando conclui algo negativo e que expande a outras situações.
  5. Leitura mental: quando considera que sabe o que pensam sobre si e as suas atitudes.
  6. Personalização: quando pensa que os outros têm um comportamento negativo, devido a si.
  7. Os ‘deverias’: quando rege a sua vida por regras rígidas e estabelecidas e as quais terá que realizar.
  8. Filtro mental: quando dá somente atenção a um detalhe negativo e ignora a situação no geral.
  9. Rotulação: quando analisa uma situação através de um rótulo fixo, levando a conclusões erradas sobre si ou os outros, sem ter em conta as evidências da realidade.
  10. Minimização do positivo: quando não tem em conta as experiências, atitudes ou qualidades positivas.

 

Artigo publicado na Zen Energy Nº 84 (edição de Janeiro de 2016)