Amor, saúde e dinheiro… Desde crianças, somos ensinados que estas são as coisas essenciais na vida para a nossa felicidade.

Também somos ensinados a procurar esse amor fora de nós: nos nossos pais ou figuras parentais, amigos e namorados, maridos, filhos, família alargada, colegas, patrões, ou seja, nos outros, como condição para a nossa felicidade.

 

Em particular, procuramos aquele grande amor romântico, que nos arrebatará, o parceiro ideal, a alma gémea, etc., que nos completará e, reconhecendo a pessoa magnífica que somos, gostará de nós exatamente como somos, mesmo que nós não o sintamos, fará com que nos sintamos cuidados e protegidos, sendo essa a grande fonte da nossa felicidade.

Depois, na vida real, se não encontramos essa pessoa – o príncipe ou princesa encantados de Walt Disney – sentimos sempre que falta alguma coisa, que a nossa felicidade não pode ser completa, que tivemos azar, que assim não conseguimos ser felizes…

 

A grande ilusão

Foi precisamente isso que senti depois de me separar do pai do meu filho há 7 anos, depois de feito o luto da separação aquilo que me preocupava era ‘refazer’ a minha vida, porque sem um relacionamento ela parecia estar desfeita…

Lembro-me de sentir que tinha menos do que as outras pessoas por não ter um marido ou namorado, mas as minhas tentativas de relacionamento eram sucessivamente frustradas… De tal maneira que cheguei a comentar com uma amiga que me sentia ‘avariada’, não percebia o que se passava, por que razão não estava a ser capaz de atrair de novo na minha vida esse relacionamento fantástico que me daria o amor de que eu ‘precisava’ na minha vida?

Por outro lado, recordava-me, que mesmo quando estava apaixonada e num relacionamento maravilhoso, sentia que faltava alguma coisa, que a vida não era só aquilo, que faltava, o que mais tarde descobri ser a satisfação criativa individual…

Ao mesmo tempo, a um nível mais profundo, de maior tranquilidade e paz, mais intuitivo e menos racional, sentia que a vida me propunha que procurasse esse grande amor dentro de mim, que o criasse e desenvolvesse em mim, em vez de o procurar fora para colmatar os meus vazios, como tinha feito toda a vida.

 

Crie amor na sua vida

E foi isso que fui descobrindo, como podia, a cada dia que passava, criar mais amor na minha vida, sentir mais amor por mim própria, cuidando-me e mimando-me como gostaria que alguém fizesse, incluindo no meu quotidiano tempo para mim, tempo para fazer todos os dias aquilo de que mais gosto: meditar e praticar a atenção plena ou mindfulness – religando-me à fonte criativa universal, fazer exercício físico, dançar, ouvir as minhas músicas preferidas, ler, escrever, ensinar, aprender, trabalhar com um sentido de propósito, etc.

Esta foi uma das maiores descobertas da minha vida, a de que devemos sempre começar por procurar dentro de nós, não é por acaso que centenas de livros que nos prometem a estratégia infalível para encontrar ‘o relacionamento dos nossos sonhos’, têm em comum esta ideia de primeiro sermos aquilo que procuramos no outro.

  • O seu portfolio de amor e felicidade pessoal

Se neste momento está ou se sente sozinho e quer ter mais amor na sua vida, comece por criar o seu portfolio de amor e felicidade pessoal: faça uma lista de todas as coisas que lhe dão prazer e que o fazem sentir-se alegre, confiante, divertido, criativo, inspirado – substitua ou crie a sua lista de afazeres pela sua lista de prazeres e inclua-a na sua vida todos os dias. Se gosta de cozinhar, retire tempo para isso, se é dançar, pode, diariamente, ouvir uma das suas músicas preferidas e dançar pelo prazer de o fazer, se é escrever, tire meia hora para escrever todos os dias, se é estar com os seus amigos, ligue-lhes!

Explore e expanda a sua satisfação criativa – descubra ou redescubra o seu propósito de vida, o projeto da sua alma como fonte amorosa de realização criativa!

Acima de tudo, dê a si próprio aquilo que sonha que os outros lhe deem, crie para si próprio essas emoções positivas e amor e veja o que acontece!

 

  • Meditação Loving-Kindness

Esta prática meditativa consiste numa série de exercícios de desenvolvimento consciente da compaixão e amor por nós próprios e pelos outros.

É um recurso extraordinário cuja eficácia no aumento de emoções positivas diárias tem vindo a ser consistentemente comprovado.

Artigo publicado na Zen Energy Nº80 (edição de Setembro de 2015)