A Liberdade não é amar o que fazemos, mas fazermos  o que amamos

Será que somos donos do nosso tempo ou é o tempo que nos controla? Não é difícil constatar que, de facto, o cenário mais plausível é o segundo. É a pura realidade. O trabalho, as nossas relações, as nossas obrigações do quotidiano dominam-nos por completo, ao ponto de nunca nos darmos ao luxo de não fazer nada.

Penso em tarefas bem definidas e obrigatórias que nos deixam tensos, com imenso stress. Seria ótimo se pudéssemos ficar sentados no jardim, no terraço ou num parque a olhar para o Céu, a observar os pássaros, a meditar e a concentrarmo-nos na respiração. Ou à beira-mar, onde nos perdemos na imensidão do oceano, deixando os pensamentos navegar com o vai e vem das ondas, enfim, dar pequenos mimos a nós mesmos.

A meditação Zen nasceu nos mosteiros japoneses, onde monges e freiras vivem uma vida descansada, calma, longe dos tumultos da nossa vida real. Para todos os outros que vivem cá fora, é muito mais difícil livrarem-se deste sentimento de stress. Como fazer para evitar pensamentos pesados, os quais antecipam coisas que ainda nem aconteceram, e para nos dedicarmos a atividades importantes para nós, sem nos perdermos em preocupações desnecessárias e tarefas que nos irritam?

Parece que é possível. Há um método chamado “surf temporal”, que é uma maneira de viver de modo diferente para aniquilar por completo a impressão de não ter tempo para nada, obrigando-nos a fazer tudo com stress. Trata-se de redescobrir uma maneira natural de gerir o tempo. O segredo foi descoberto por Paul Loomans, que reuniu sete princípios base que podem ajudar-nos a descontrair diariamente.

Fazer uma coisa de cada vez: comer, ler, trabalhar, falar ou dormir, todas estas atividades vão receber a nossa atenção plena. Se houver uma atividade muito volumosa, temos de “cortá-la em fatias” para tratar individualmente até terminar.

Neste processo, devemos concentrarmo-nos só na tarefa que estamos a realizar e abandonar tudo o resto. De vez em quando, pode distrair-se com outra coisa qualquer que não solicite os seus neurónios, como beber uma chávena de chá, por exemplo. Bastam cinco minutos.

Muitas vezes ficamos irritados com um colega de trabalho que interrompe o fluxo dos nossos pensamentos e tarefas ao fazer uma pergunta que consideramos muito inoportuna ou perturbadora naquele momento. Não se zangue com ele, dê-lhe atenção e diga-lhe que mais tarde falam sobre o assunto, retomando a sua tarefa.

Não pense em coisas que não têm solução imediata, pois só vai aumentar o seu stress, roubando-lhe tempo e energia inutilmente. Se não houver solução para um assunto, porque tem de se preocupar? Se houver solução, porquê preocupar-se?

Numa altura da nossa vida, todos temos alguns problemas de saúde, uma hipoteca, um sentimento de impotência face ao relacionamento que já devia ter terminado há muito, ou ainda falta de reconhecimento no trabalho. Não dê ouvidos aos pensamentos que invadem o seu sistema emocional. Observe a emoção, esteja presente e ela irá fluir naturalmente, e sair da sua cabeça. Saiba que a melhor maneira de gerir o tempo não é a razão, mas sim a intuição. Ela tem uma visão global e concentra-se no que conta no momento presente. A sua intuição consegue escolher facilmente a atividade à qual deveria dedicar a sua energia, tendo em conta as circunstâncias do momento.