(revista zen energy)

Basta interpretar os sinais do nosso corpo para fazermos escolhas inteligentes e desfrutarmos, consequentemente, de uma boa saúde a nível físico, mental e emocional, tal como mostra Diana Patrício, no seu livro Saúde Feminina.

—————————————————————-

Em Saúde Feminina afirma que “ser mulher é fascinante e desafiante.” Porquê?

Em primeiro lugar, porque as mulheres possuem à partida certas características como o instinto de cuidar, ensinar, zelar e uma sensibilidade e intuição em geral mais apuradas que a dos homens. Não é por acaso que profissões como enfermagem e ensino são mais escolhidas por mulheres, do que por homens. Se falarmos em educadoras de infância, acredito que a maioria das pessoas não conheça nenhum homem que tenha enveredado por essa profissão. Por isso, acredito que existe uma energia especial e única associada ao género feminino. Assim como os homens têm também aspectos associados ao seu género que lhes conferem uma energia especial e importante. Para além disso, existem experiências que apenas a mulher tem a possibilidade de vivenciar, caso seja essa a sua escolha, tais como a maternidade.

Um dos fenómenos que poderá permanecer inexplicável é a capacidade da mulher conseguir gerar vida?

Sem dúvida. A ciência explica o processo de conceção e gestação, mas a origem de tudo isso será sempre um mistério que eu encaro como sendo um milagre da vida. E o meu desejo é o de que todas as mulheres saibam honrar esse milagre.

Até que ponto conhecer o nosso corpo e os sinais que ele nos dá contribui para que nos sintamos mais seguras em relação à saúde e ao bem-estar a todos os níveis?

Costumo fazer uma comparação entre a capacidade de interpretar os sinais do corpo e a capacidade de interpretar o painel luminoso do carro. Um conhecimento equivocado relativamente a qualquer um deles poderá ter consequências desastrosas. Quanto maior for o conhecimento acerca do nosso corpo, melhor será a nossa capacidade de lidar com ele no sentido de preservar e otimizar a saúde. E prevenir problemas de saúde é muito mais do que fazer exames regulares, sejam eles quais forem. Os exames não previnem nada, o que fazem, sendo realizados com regularidade, é detetar problemas precocemente. Não estou a dizer que não é importante realizar exames regulares, o que estou a dizer é que é importante fazer mais do que isso. Estar atenta aos sinais do corpo, saber identificá-los, interpretá-los e corrigir os hábitos que lhes dão origem. Não remeter as questões relacionadas com a saúde diretamente para o profissional de saúde. Este é alguém que ajuda e orienta, mas a responsabilidade acerca da nossa saúde é, em primeiro lugar, nossa e devemos honrá-la fazendo escolhas que nos são benéficas.

Como justificar que numa era em que a informação é abundante ainda existam mulheres sem acesso a uma saúde plena?

Em primeiro lugar, noto que as questões relacionadas com a saúde da mulher são tidas quase como propriedade do médico ginecologista. Curiosamente, as mulheres estão ainda pouco informadas acerca de aspectos importantes da sua saúde. Grande parte das mulheres não presta a devida atenção ao ciclo menstrual, por exemplo, e a maioria encara a toma de contracetivos hormonais como algo natural e não como aquilo que eles verdadeiramente são: fármacos que suprimem a fertilidade. Muitas vezes, quando pergunto em consulta se a mulher toma algum medicamento, a maioria das mulheres que tomam a pílula responde-me que não. Só se lembram quando confrontadas diretamente em relação à pílula. Como qualquer outro fármaco, a pílula tem efeitos secundários. Portanto, acredito que existe um certo conformismo e estagnação em relação ao conhecimento e informação que as mulheres têm relativamente ao seu corpo. Por outro lado, apesar de cada vez haver mais informação, vivemos numa era em que existem mais fatores que agridem a nossa saúde: a qualidade dos alimentos, a qualidade da água, a qualidade do ar, a quantidade de toxinas a que estamos expostos, os níveis de stress que vivenciamos, o sedentarismo. E todos estes fatores condicionam a mulher a vivenciar uma saúde plena.

Quais são as fases da vida de uma mulher que mais a poderão marcar, tendo em conta as alterações corporais e emocionais que vivencia: adolescência, gravidez ou menopausa?

Isso depende da experiência particular da mulher e do estado de saúde que ela vivencia enquanto experiencia cada uma dessas fases. Mas qualquer fase é marcante, cada uma à sua maneira. A adolescência é um período marcante, porque marca a transição da menina para a mulher. É quando o corpo produz as hormonas que irão dar origem às características femininas, como as formas do corpo, por exemplo. Nessa fase inicial, muitas vezes, as menstruações são irregulares, com dores ou abundantes, o que é natural, pois o corpo está reajustar-se a uma nova realidade. A gravidez é também uma etapa marcante e o seu decorrer irá depender de fatores, tais como as expectativas da mulher acerca da gravidez, assim como os hábitos de vida. A menopausa poderá ser mais ou menos marcante, dependendo do estado geral da saúde da mulher, incluindo fatores mentais como a aceitação do envelhecimento. Existem mulheres que fazem uma transição suave para a menopausa, enquanto outras experienciam sintomas intensos como afrontamentos, suores noturnos, fadiga, ansiedade, depressão, secura vaginal, etc.

Qual é a relação entre o ciclo menstrual e o estado de saúde, no geral?

O ciclo menstrual é a forma que o corpo tem de produzir as hormonas sexuais que predominam em nós, mulheres – o estrogénio e a progesterona, mais concretamente através da ovulação. Um dos erros do senso comum é associar estas hormonas apenas à fertilidade e à conceção, ou seja, a maioria das mulheres acredita que estas hormonas apenas são importantes se pretenderem engravidar. Acontece que estas hormonas têm um impacto no corpo da mulher que vai muito para além de permitir e favorecer a conceção. O estrogénio e a progesterona têm um papel importante na saúde mental, cerebral, cardiovascular, do aparelho musculo-esquelético, do sistema nervoso, na regulação do sono e do metabolismo, na saúde da pele e do cabelo. Portanto, quando os ciclos menstruais estão desregulados ou se fazem acompanhar por sinais de alarme que se traduzem por uma variedade de sintomas (menstruações abundantes ou dolorosas, ou outros sintomas que antecedem as menstruações como dores de cabeça, tensão mamária, retenção de líquidos, desejo exagerado por doces, irritabilidade, ansiedade, etc.), significa que há um desequilíbrio hormonal que poderá estar a ser motivado por outros desequilíbrios de saúde muitas vezes associados a maus hábitos de vida.

Porque é que as mulheres se sentem mais tristes, irritadas ou ansiosas durante a menstruação?

As alterações de humor que antecedem as menstruações, e poderão manter-se durante as mesmas, estão relacionadas com as flutuações hormonais que ocorrem antes da menstruação. Nesta fase, é comum haver uma predominância de estrogénio em relação à progesterona, sendo que são os baixos níveis de progesterona em relação aos níveis de estrogénio que originam este tipo de sintomas. Mas este cenário não é uma fatalidade e uma mulher com bons hábitos de vida está menos predisposta a este estado.

Qual o papel da Naturopatia quando o objetivo é fazer frente a desequilíbrios hormonais durante o ciclo menstrual?

Em primeiro lugar, e sendo a Naturopatia uma abordagem holística à saúde, o objetivo é corrigir os aspectos que criam desequilíbrios ou agressões à saúde da mulher. Estes aspectos estão relacionados com a alimentação, a prática de exercício físico, a gestão de stress, a gestão da presença de substâncias tóxicas como as que estão nos alimentos, no ar, na água, nos materiais com que lidamos, nos cosméticos, nos produtos de limpeza, etc. Todos estes fatores afetam a saúde da mulher e interferem com o equilibrio hormonal que se irá refletir através dos ciclos menstruais. Neste caso, a abordagem da Naturopatia é a de analisar a saúde de cada mulher, tendo em conta o contexto que a rodeia, fazendo uso de recursos proporcionados pela natureza (alimentos, plantas medicinais, vitaminas, minerais e outras substâncias naturais) para oferecer ao corpo aquilo de que ele necessita para recuperar o equilíbiro.

Quais são os alimentos que ajudam a assegurar uma boa saúde feminina?

A alimentação que promove uma boa saúde feminina é uma alimentação o mais natural possível, com alimentos que provenham da terra e isenta de alimentos que vêm dentro de embalagens. Legumes, frutas, fontes de proteína saudáveis, sejam de origem animal ou vegetal (sendo que deve haver moderação no consumo de alimentos de origem animal, como as carnes vermelhas); fontes de gorduras saudáveis, como os frutos secos oleaginosos, o abacate ou o azeite e a inclusão de alguns cereais, como o arroz integral ou a aveia. Esta deverá ser a base. Se a base for boa, faz sentido que seja aprimorada com superalimentos que menciono no livro e que acrescentam vantagens para a saúde feminina, nomeadamente a linhaça, que apresenta propriedades que ajudam a prevenir o cancro da mama, ovários e endométrio, a maca (raiz Peruana que se encontra à venda em pó), que ajuda a regular os níveis de estrogénio, ou a spirulina (alga que se encontra à venda em pó), que ajuda a prevenir a candidíase vaginal.

É comum a autoestima e autoconfiança serem afetadas quando chegamos aos 40. Como poderemos cuidar do corpo e viver esta fase da melhor forma possível?

Costumo dizer que quando somos mais jovens, os erros que cometemos são tolerados pelo corpo com mais facilidade, do que a meio dos 30 ou aos 40. Nesta fase, tudo o que fazemos de errado tem efeitos mais acentuados. Se aos 20 recuperávamos rapidamente de uma noitada ou de exageros alimentares, mais tarde já não podemos dizer o mesmo. A partir dos 30, e principalmente aos 40, teremos que ter muito mais disciplina. O ideal é ter bons hábitos de vida sempre, mas se não o fizemos antes e queremos atrasar o envelhecimento e manter uma boa saúde mais tarde, é mesmo necessário ter cuidado com a alimentação, manter uma boa hidratação, ter bons hábitos de sono e praticar exercício físico de forma regular. Implementar formas de gestão de stress (Meditação, Yoga, Pilates, maior contacto com a natureza, etc.). O conjunto destes hábitos reforçará a saúde geral, o que se traduz num melhor aspecto da pele e dos cabelos, e numa forma física mais desejável, o que ajudará a manter uma boa autoestima.

Também a menopausa é um período de transformações. Como poderemos adaptar-nos a uma fase que provoca, frequentemente, fadiga, afrontamentos, insónias, depressões?

Uma entrada difícil na menopausa acontece quando há uma queda abrupta das hormonas sexuais (estrogénio e progesterona). Caso isso aconteça, é realmente importante que a mulher peça ajuda a alguém especializado, porque há várias formas de amenizar esta transição. A Naturopatia dispõe de várias soluções, dependendo de cada caso em particular, que ajudam a fazer uma compensação face aos desequilíbrios gerados pela falta de produção destas hormonas. Substâncias como o magnésio, o triptofano ou plantas medicinais, como a Ashwagandha e a Maca, poderão fazer a diferença, suavizando os sintomas típicos da menopausa. Obviamente que os cuidados que referi na questão anterior, sobres hábitos de vida saudáveis, são imprescindíveis. Nesta fase, a mulher deve também ter a preocupação de ter alguma exposição ao sol e de reforçar o consumo de alimentos, como ovos e peixes gordos (vitamina D), espinafres, brócolos e salsa (vitamina K), e sementes de abóbora, linhaça e castanhas do Brasil (magnésio). Estes nutrientes ajudam a uma melhor assimilação do cálcio, combatendo a perda de densidade óssea e a osteoporose, que são mais caracterísicas após a menopausa.

Que conselhos gostaria de dar para uma vida feliz e repleta de significado?

Para além de cuidar do corpo, é muito importante respeitar e cuidar da alma. Não há corpo saudável sem a saúde da força que o anima. Por isso, os conselhos que gostaria de dar são: não seja demasiado exigente consigo própria, dê valor àquilo que realmente importa, não perca nenhuma oportunidade de expressar amor, carinho e cuidado para com aqueles que ama e que lhe são próximos, seja sincera e honesta consigo mesma e com quem a rodeia, aprecie as coisas mais belas e simples da vida, e tenha sempre a coragem de fazer aquilo que a faz feliz.