«A Dieta do Prazer adapta-se sempre à pessoa e aos seus gostos»

Nesta entrevista, Eduarda Alves apresenta o seu mais recente livro A Dieta do Prazer. Muito mais do que um livro de ‘dieta’, esta obra tem um conceito bastante inovador, pois além de conter muita informação nutricional, receitas fáceis de preparar, também contém conselhos motivacionais, de bem-estar, informações sobre tratamentos estéticos que ajudam no emagrecimento e de postura.

 

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A dietista explica como surgiu a ideia de escrever este livro.

 

Como é que lhe surgiu a ideia de escrever um livro tão diferente de todos os outros?

A Dieta do Prazer foi ganhando forma ao longo de muitos anos, até se transformar num livro palpável. Fui-me inspirando nas pessoas que tenho acompanhado e que têm tido os melhores resultados. Naquelas pessoas que sempre que as revejo, estão cada vez mais bem-dispostas, elegantes e saudáveis.Baseada nestes casos de maior sucesso, fui aperfeiçoando os meus métodos de abordagem na consulta e a partir daí o livro foi criando forma. E, tornei a abordagem o mais de acordo com o que as pessoas que me procuram para disporem de tudo o que necessitam para emagrecerem a comer aquilo de que gostam, e para ficarem mais saudáveis e felizes.

 

No capítulo 10, menciona algumas ‘histórias de vida e de renascimento’. O que significa para si, enquanto dietista participar neste processo de mudança?

É extremamente gratificante! Diria que é algo que me motiva continuamente a querer fazer o meu melhor, pois o poder participar neste processo de mudança de vida e de renascimento é quase indiscritível! Contribui para que eu esteja em perante evolução e actualização, sempre à procura dos métodos/estratégias mais adequadas para ajudar da melhor forma possível cada uma das pessoas que me procuram, pois ‘cada caso é um caso’.A vida das pessoas pode mudar radicalmente após um processo de emagrecimento saudável! Estou a lembrar-me de uma senhora de 72 anos, viúva, com próteses na anca que acompanho em consulta, e que tinha que se deitar a descansar após tomar o seu duche matinal, pois ficava cansadíssima. Agora, após emagrecer com A Dieta do Prazer, cerca de 13kg, diz-me que se sente com muito mais força e energia, já não se cansa tanto e até já consegue fazer pequenas caminhadas e ajudar a tomar conta dos seus netos, de 2 anos.

Fico muito feliz quando as pessoas partilham comigo os seus progressos, que fazem toda a diferença na sua qualidade de vida. E também é muito bom ouvi-las dizer que emagreceram a comer de tudo, e que se soubessem que iria ser tão fácil, já me teriam procurado antes. É uma honra, para mim, poder participar destes verdadeiros renascimentos!

 

Como é que criou 80 receitas tão saudáveis e deliciosas, que ajudam a emagrecer, sem sentirmos que estamos a fazer ‘dieta’?

Inspiro-me muito nas refeições que vou criando em casa (adoro inventar e variar) e nos pratos de que as pessoas me falam na consulta. Tanto aqueles que são mais adequados, como os que são quase um ‘atentado nutricional’, servem-me de fonte de inspiração para criar receitas saudáveis, deliciosas e funcionais.As pessoas precisam de ter receitas que funcionem, práticas, saborosas e fáceis de fazer. Eu procuro criá-las para as ajudar a emagrecer, a comer o que gostam e com uma alimentação muito apetitosa e variada que pode ser ingerida por toda a família, bastando adaptar as quantidades.

 

É dietista já há alguns anos e autora de inúmeros artigos de nutrição… tem um blogue e já tem três livros publicados. Qual a vertente que mais aprecia? A das consultas de Nutrição clínica? Ou a da escrita?

Sim, o tempo voa e já sou dietista há mais de 20 anos! As duas vertentes são complementares e interdependentes, pois adoro poder ajudar as pessoas que me procuram na consulta, a viverem com mais qualidade de vida e a serem mais saudáveis. Por outro lado, através da escrita – em papel ou virtual -, consigo chegar a muitas pessoas em pouco tempo, o que é extremamente gratificante. E, em suporte escrito, estou sempre presente nas suas vidas, bastando, para isso, consultarem os livros/artigos no seu dia-a-dia, sempre que precisarem.

 

Lidar com o excesso de peso

Muitas pessoas preocupam-se apenas com a questão estética, mas o excesso de peso tem consequências muito negativas para a nossa saúde. Quando a procuram, as pessoas já têm essa percepção?

Apesar de já receber muitas pessoas que já têm essa percepção, e que já estão sensibilizadas para algumas das potenciais consequências da obesidade, ainda aparecem pessoas já a sofrer de várias dessas ‘consequências’ nefastas do excesso de peso/obesidade, como diabetes, doenças cardiovasculares, dislipidémias… e que recorrem à consulta apenas por questões estéticas. De qualquer das formas – independentemente do motivo – a pessoa procurar ajuda e querer mudar o seu estilo de vida, vai fazer toda a diferença na sua saúde e chegar a um peso saudável, só lhe trará benefícios.

 

A alimentação tipicamente portuguesa é saudável ou engorda muito?

A alimentação tipicamente portuguesa é baseada na dieta mediterrânica, é bastante saudável e ajuda a manter um peso saudável, se se evitarem os exageros. A maioria dos nossos pratos típicos (como as caldeiradas de peixe, o arroz de polvo, de tamboril ou de marisco, os pratos de bacalhau, as carnes de churrasco e no forno, a jardineira, o cozido, a feijoada, a sopa de couves com feijão encarnado e as sardinhadas), inclui uma boa quantidade de fibras, utiliza o azeite como gordura de eleição, usa legumes, hortaliças e frutas da época, peixes da nossa fantástica costa, ricos em ácidos gordos ómega 3, carnes magras (como o coelho, a galinha e o pato), inclui as leguminosas e a sopa de legumes e hortaliças, muitas ervas aromáticas, limão, alho, cebola, tomate e um conteúdo moderado em sal, cereais integrais e pão ‘escuro’. Até o nosso fastfood – como os peixinhos da horta e as pataniscas de bacalhau – têm algum valor nutricional, não fornecendo apenas calorias vazias, como a grande maioria do fastfood proveniente dos E.U.A.

A nossa gastronomia é muito saborosa, variada e equilibrada… o problema são os exageros nas quantidades, as escolhas repetitivas de pratos mais calóricos e a importação de hábitos alimentares errados de países onde a obesidade impera, como os EUA.

 

Emagrecer a comer o que se gosta

Emagrecer é difícil?

Emagrecer com A Dieta do Prazer, de acordo com o que as pessoas me vão transmitindo, é saborosamente fácil. Os resultados têm sido excelentes!

 

Na primeira consulta, após termos combinado o plano alimentar de acordo com as necessidades nutricionais, preferências alimentares e estilo de vida, é frequente ouvir, com um ar admirado “mas a comer assim e tantas vezes por dia, vou emagrecer?”, nas consultas subsequentes frequentemente dizem-me “estou a comer tantas vezes e continuo a emagrecer”, “E agora vou precisar de roupas novas. As minhas já estão todas muito largas”, “Nunca me senti tão bem! Sinto-me com mais energia”, “Estou a comer de tudo o que gosto e a emagrecer!” e “porque é que não nos encontrámos à 10 anos atrás?”.

 

E depois de emagrecermos, é difícil manter a boa forma?

Manter o peso é muito mais simples do que emagrecer, e quem conseguiu emagrecer 10 ou 30 kg consegue depois manter o peso com muita facilidade. Acompanho imensas pessoas que têm mantido o seu peso desde há muitos anos e que continuam a seguir os princípios da Dieta do Prazer. Vejo-as apenas 1 ou 2 vezes por ano e estão em excelente forma.

 

Existem alimentos proibidos na Dieta do Prazer?

A Dieta do Prazernão proíbe alimentos, pratos ou confecções, simplesmente orienta as pessoas para fazerem as melhores escolhas e ensina-as a encontrar formas de compensação que as ajudam a ‘manterem-se na linha’ e a alcançarem os objectivos pretendidos.

A pessoa emagrece a comer só aquilo de que gosta e os planos alimentares são sempre adaptados à pessoa em causa, não tendo que abdicar de nenhum alimento. Por exemplo, se se trata de uma pessoa que adora entrecosto e batatas, eu incluo esses alimentos no seu plano alimentar, e ensino-a a prepará-los de forma saudável e deliciosa, bem como sobre quais as melhores combinações alimentares para o seu caso, quantidades… Ao longo das consultas, a pessoa vai adquirindo autonomia para fazer as melhores escolhas no seu dia-a-dia.

A Dieta do Prazer adapta-se sempre à pessoa e aos seus gostos, pois estes variam imenso de pessoa para pessoa. Existem pessoas que adoram arroz de polvo e outras que nem lhe podem sentir o cheiro, por isso A Dieta do Prazer ajuda as pessoas a emagrecerem, a comerem só aquilo de que gostam.

 

As receitas mais deliciosas

Quais as receitas mais deliciosas da Dieta do Prazer?

Têm sido todas muito apreciadas, e nas consultas falam-me de muitas delas. Julgo que tem muito a ver com as preferências e gostos de cada pessoa. Lembro-me de um jovem que segui – o João – que ao longo da consulta, quando eu lhe começava a falar sobre receitas com que poderia deliciar-se e continuar a emagrecer, comentar com a sua mãe “está a começar, já estou a ficar com água na boca, temos que experimentar isto hoje!”. E também há muitas pessoas que nas consultas me mencionam os nomes das receitas e que já as sabem todas de ‘cor e salteado’.Diria que talvez a sopa da avó, o molho de tomate gourmet, a sandes do requinte, o batido de coco Light, o chá dos aromas, a salada da deusa do Nilo, o bife de atum escaldante, os hambúrgueres gostosos e vitaminados, as pernocas saborosas, os croquetes lambões, o seitan de cebolada, o creme de uísque, o bolo da felicidade e a mousse de pêra sejam as mais apreciadas.

 

Novos projectos

A Dieta do Prazer é um dos livros mais procurados por quem quer emagrecer. Já está a trabalhar num novo livro?

A Dieta do Prazer foi o livro que me deu mais prazer a criar até agora. Adorei escreve-lo e vê-lo a ganhar forma. E, também estou muito feliz com o feedback que as pessoas me vão dando, com os resultados que vão alcançando… Gosto de saborear e de vivenciar esta partilha de mudanças que vão despoletando e ajudando a promover um mundo mais saudável.Quando se ganha o gosto pela escrita, que nos permite comunicar com tantas pessoas em simultâneo, não se consegue parar. Tenho um ‘bichinho’ que me impele a estar sempre a criar e, como tal, acredito que nos encontremos brevemente para falarmos de novidades.