«Sempre acreditei nas minhas intuições», dizia Teresa Guilherme, em 2009, sem papas na língua, nem pudores, numa confissão impressionante, com uma linguagem aberta, profunda e verdadeira, na primeira edição da nossa revista Zen Energy, que foi desde logo um grande sucesso, em grande parte também graças à apresentadora.

Estava convencida, na altura, aliás, como ainda hoje, «que a vida é maravilhosa, sobretudo se nos empenharmos a vê-la com outros olhos e a canalizar as nossas energias para que tudo nos corra bem». «Temos que equilibrar o nosso Eu, o nosso ser, a nossa alma, constantemente», dizia Teresa Guilherme, nesta entrevista inédita. E continuando com a mesma convicção: «O que nos provoca os desequilíbrios está relacionado com a forma como vemos as coisas, é a tal história de perceber se o copo está meio cheio, ou meio vazio».

 

«Sei que nem sempre é fácil, porque, às vezes, parece que o mundo está contra nós, mas a realidade é que temos que entender que se estivermos sempre a canalizar as nossas energias para o bem, para que tudo flua positivamente, as energias más acabam por não entrar, caem, pois não conseguem sintonizar-se com a nossa positividade», afirmava confiante na altura.

7 Anos mais tarde, no aniversário da nossa revista, temos o grande privilégio de entrevistar novamente Teresa Guilherme, por uma questão de renovar a nossa parceria espiritual, ao fechar um ciclo e abrir outro, de dar um ‘empurrão’ e um novo fôlego às vendas em banca e perceber a evolução desta personagem forte, complexa, que concede uma grande importância aos sinais que recebe da vida, quer sejam avisos ou mensagens do seu anjo da guarda.

Prepare-se para uma entrevista honesta, espontânea e inspiradora que poderá abalar todas as suas convicções e levá-lo a questionar grande parte dos seus pensamentos, mas também trazer-lhe umas respostas inesperadas.         

 

Diz-se que nada nos impede de conseguirmos tudo o que desejamos desde que saibamos o que queremos. Sempre soube aquilo que queria para a sua vida?

Não sei o que quero imediatamente, mas sei o que quero logo a seguir. É como se a vida fosse um prédio, com muitas escadas e quando chegamos ao patamar, podemos voltar atrás nos degraus, mas a ideia é nunca desistir, porque é esse patamar que queremos atingir. É sempre uma subida que implica esforço, para nos puxarmos a nós próprios, mas que implica paixão e motivação.

 

As coisas sempre correram da maneira como idealizou?

Sim, sempre. Mas, com muita dificuldade. Eu acredito que, se as pessoas trabalharem, se souberem o que querem, vão conseguir chegar aonde idealizam. Nada acontece se não nos mexermos, afinal, se não batermos à porta, ela não se abre. Contudo, também acredito que há aquelas pessoas que devem vir para esta vida com algum karma, pois apesar de terem um objetivo definido, nunca o conseguem atingir. O mesmo acontece àquelas pessoas que lhes ‘cai tudo no colo’. Também estas pessoas têm um karma.

 

Personalidade forte

Acha-se uma lutadora?

Sou uma pessoa forte, pela forma como aguento as coisas más e pelo meu espírito de sacrifício. Fazer o contrário do que nos apetece, pode não ser fácil, mas, muitas vezes, é o que tem de ser feito. Tem de se trabalhar para se conseguir as coisas e eu batalhei muito para conseguir ter o que queria.

 

Quais são as qualidades que mais a ajudaram na sua vida?

Essencialmente, o espírito de sacrifício, como já referi, e, essencialmente, não dar desculpas. O que me fez andar para a frente foi ter essa vontade de fazer sempre alguma coisa.

 

E se tivesse que escolher duas qualidades que a representam, o que escolheria?

Em primeiro lugar, o sentido de humor, pois é o que me tem salvado em muitas situações. Por mais dramática que eu seja, no sentido de levar tudo ao extremo, o sentido de humor ganha. E, em segundo lugar, confesso que o egoísmo é também uma das minhas qualidades, porque eu gosto muito de mim, o que faz com que eu tome conta de mim e das outras pessoas.

 

Aproveitar cada minuto da nossa vida

O que a tira da cama logo pela manhã?

É não poder lá ficar, caso contrário, algumas horas depois, vou sentir-me mal, porque perdi um dia. Para mim, o tempo é para aproveitar.

 

O que há ainda para fazer?

Na verdade, nesta idade não vou fazer tudo o que eu precisava de fazer ou, melhor, tudo o que eu gostava de fazer. Não vou poder visitar todos os países que gostaria, não vou poder ler os livros que queria ler, não vou remediar a falta de atenção que tive com algumas pessoas ao longo da minha vida, por falta de tempo, não me vou rir o suficiente e dar muitas gargalhadas. A vida passa, a vida vai seguindo e eu gostava de recuperar as coisas que não fiz nas alturas certas, no entanto, há muito para fazer. Mas, por mais que inventemos, a vida tem sempre uma surpresa para nós. Vivamos o tempo que for, há que aproveitar.

 

Encontrar um caminho

Há muitas pessoas que ainda não encontraram um caminho, que vagueiam pelo mundo. O que tem a dizer sobre estas pessoas?

Acho que há esperança para todas as pessoas. Às vezes, vemo-nos obrigados a mudar a nossa perspetiva de vida, por um desfecho traumático pelo qual passámos, como uma doença, por exemplo, ou então por algo mais feliz que nos tenha acontecido, tal como, encontrar um grande amor. Às vezes, são coisas negativas ou positivas que nos fazem ir à procura de coisas novas.

 

Há alguma coisa de que se arrepende de não ter feito?

Há muita coisa que poderia ter feito e não fiz, mas não vale a pena pensar nisso. O que vale a pena é pensar no que estou a fazer agora, no momento, e no que vou fazer mais tarde.

 

Ter sabedoria

Acha que com mais sabedoria as pessoas podem conhecer-se melhor?

Sim, se realmente quiserem. O que eu acho é que as pessoas com mais sabedoria não se deixam enganar tão facilmente, não se deixam levar por elas próprias, pois são obrigadas a ser mais sinceras ou, então, não se questionam e assim não evoluem. Acho que as pessoas têm de ir percebendo o que vão lendo, tal e qual como se a nossa vida fosse um livro interessante e que evoluísse e tivesse de mudar de capítulos.

 

Missão de vida

Na sua entrevista, em 2009, dizia que: «Quando conseguimos ver a diferença entre o nosso ego e o nosso ser, a nossa consciência altera-se, entramos num estado zen de harmonia connosco e com os outros, com a Natureza, tudo se torna mais claro, transparente, visível e também percetível». Já percebeu qual é a sua missão nesta vida?

Todas as pessoas têm uma missão na vida e a minha é viver a vida da melhor maneira possível e fazer dela um exemplo.

 

Então, acha que veio à Terra para evoluir?

Sim, claro. Aliás, eu e todas as pessoas.

 

A importância de ter um Plano B na vida

Paulo Coelho diz que o segredo é cair sete vezes e levantar-se oito. Já se sentiu desamparada ou perdida, ao ponto de não saber como levantar-se?

Isso é a grande realidade. Quando uma pessoa já caiu, tem de pensar num Plano B para se levantar. Não adianta ficar caída no chão, a lamentar-se. Há alturas compreensíveis, claro, como a dor da perda, mas a vida continua e ela passa muito depressa. Parece uma frase banal, mas não é.

 

Mensagem positiva

Que mensagem gostaria de deixar aos nossos leitores?

Acordem para a vida. E vivam! Não se sabe o que vai acontecer daqui a nada. Aproveitem a vida, debatam-se pelo que acreditam para vocês próprios.

 

Artigo publicado na Zen Energy Nº 87 (edição de abril de 2016)