A capacidade de criar empatia para iniciar, conduzir e manter conversações e relacionamentos produtivos é cada vez mais importante e necessária nos tempos que correm… Os seres humanos necessitam de se encontrar e unir para refazer as suas vidas, os seus negócios, os seus projectos. Cada um por si, fechado no seu pequeno mundo, vivendo como ilha isolada e frágil, não promete ser a resposta que todos desejamos encontrar para a nossa vida prosperar e regressar ao equilíbrio.

 

Como desenvolver esse atributo do relacionamento interpessoal como a base do sucesso em comunicação e porque é que é tão importante?

Criar empatia na comunicação requer abertura e aceitação do outro, onde ele está, de forma a entender os seus interesses, necessidades, valores e emoções.

Muitas pessoas têm uma ideia pré-concebida de que comunicar é um movimento com um só sentido. Na verdade, a maioria das pessoas não se sente bem-sucedida no que diz respeito a fazer-se entender, respeitar e amar. Esta dificuldade é consequência de uma cultura que ignora ou desconhece o verdadeiro sentido da comunicação entre dois ou mais seres humanos.

É hábito pensarmos que o simples ‘despejar’ de ideias ou desejos sobre os outros, representa uma comunicação bem-sucedida e a surpresa de não nos vermos bem compensados pelo outro, na sua resposta, mostra o quão estamos dessintonizados de nós mesmos e do mundo que nos rodeia.

 

A comunicação eficaz é essencial para nos sentirmos bem

A comunicação eficaz é essencial para nos sentirmos bem connosco e com o mundo, criando uma interacção fluida e honesta.

Existem 3 elementos essenciais na comunicação:

  • A relação de mim para mim
  • A relação de mim para o outro
  • A relação do outro para mim

 

Estes 3 aspectos têm de estar alinhados e conviver pacificamente uns com os outros para que a nossa relação com o mundo seja gratificante e possa gerar relacionamentos produtivos e harmoniosos.

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Artigo publicado na Zen Energy Nº 73 (edição de Fevereiro de 2015)

O primeiro elemento – a relação de mim para mim – é a chave que sustenta os outros dois. Porquê? Perguntará o leitor. Na verdade, nunca ouvimos ‘verdadeiramente’ o outro, mas sim o que interpretamos dos sons que ele/a emite ou dos seus gestos/expressões. Este facto, ainda que não consciencializado habitualmente, leva-nos a acreditar que o outro ‘não nos entende’ ou ‘não gosta de nós’ ou ‘não nos leva a sério’, ou ainda ‘não nos dá importância’, pois reage de forma que nos desagrada e que pouco tem a ver com o que expressámos.

Os conflitos entre as pessoas devem-se, na sua maioria, ao pouco conhecimento que temos sobre a comunicação e de como ela se processa.

O que cada um diz ao outro representa um processo interno seu que responde ao que foi ‘ouvido/interpretado. Cada pessoa interpreta as palavras, os gestos e as expressões que ouve ou vê no outro, de acordo com as suas referências internas. De que referências estamos a falar? Das suas experiências anteriores, das memórias que tem associadas às palavras que escuta, aos gestos e às expressões que vê. Todo o seu mundo interno se movimenta e dinamiza para dar significado e valor ao que é escutado e visto.

Estes processos acontecem, constantemente, de forma muito rápida e sem a nossa intervenção consciente. A resposta que damos aos estímulos que recebemos não têm a ver com os estímulos em si mesmos, mas com a dinâmica interna que eles geram em nós.

Podemos perceber, agora, porque é que a relação ‘de mim para mim’ é tão importante. Cada vez que ouvimos ou vemos algo, activamos aspectos internos que nos colocam numa relação de aceitação ou afastamento relativamente a isso. Quando as referências que temos são criativas, harmoniosas, fluidas e pacíficas, a maneira como nos relacionamos com o mundo/outros reflecte este estado interno, pois a interpretação que é feita do que vem de fora, sustenta essa realidade interna.

Podemos dizer que a relação de ‘mim para os outros’ e ‘dos outros para mim’ funciona como uma ‘dança’, uma espécie de jogo subtil em que as partes comunicam consigo mesmas e o exteriorizam na interacção uma com a outra,

Quando os conflitos internos das nossas vivências anteriores e/ou actuais não estão resolvidos, eles tornam-se as vozes secretas da forma como reagimos ao mundo e da maneira como interpretamos o que chega a nós.

 

Criar empatia com o outro

Para criarmos empatia com o outro, qualidade tão essencial ao bem-estar, à felicidade e ao progresso, há que entender este processo e começar por ficar atento à maneira como reagimos/julgamos/interpretamos o que chega a nós, vindo de fora. A empatia começa quando deixamos de nos concentrar tanto em ‘transmitir’, para nos concentrarmos mais no ‘escutar’ do outro. O que é que é importante para ele/a? O que é que ele/a está a sentir?

As respostas não são dadas por nós, que escutamos, mas pelo outro que partilha o seu ponto de vista e a sua experiência. Aceitar sem julgamento essa partilha, permite que nos encontremos com o outro, mais no seu ‘espaço interno’ do que no nosso. A verdadeira comunicação desenvolve-se quando escutamos o outro com a armadura da nossa ‘agenda interna’.

Quais dois seres se encontram num mesmo espaço, o sentido de pertença e aceitação, tão necessário a todos nós, ganha vida. É aí que a mudança acontece e a magia de uma partilha de novos pontos de vista assume uma força poderosa.

Estamos sempre abertos a mudar perspectivas, pontos de vista ou experiências quando tocamos o espeço interior em nós ou nos outros em que nos sentimos amados, aceites e não julgados. A paz que daí nasce vence todos os obstáculos, desfaz montanhas de crenças e hábitos e resgata a liberdade de renascer para novas possibilidades.

É no amor, na aceitação sem julgamento que todas as mudanças se tornam possíveis, mesmo as que consideramos muito improváveis.

Os outros respondem ao que interpretam vindo de fora e nós fazemos o mesmo com o que vem deles. Basta um, para mudar a ‘dança’ de respostas/reacções mútuas, para que a dança siga novos passos. Mas, para que isto aconteça é necessário conseguirmos abrir mão dos nossos julgamentos e pontos de vista, momentaneamente, e encontramos o espaço de ‘encontro’ onde tudo é, simplesmente.