Daqui a 20 anos, 47% dos trabalhos nos EUA poderão ser efetuados por máquinas inteligentes. Daqui a 20 anos é bem possível que não seja eu a escrever este artigo, pois existem já hoje robots jornalistas, cujos algoritmos aspiram em tempo real informação na Internet ‘cozinhando-a’ ulteriormente para preparar a atualidade financeira, económica, desportista, etc. As máquinas já não se limitam a apoiar o Homem, mas a substituí-lo.
Estou a pensar no exemplo que ilustra perfeitamente esta situação. Em 2012, o rei da fotografia instantânea que empregava 140 mil pessoas e valia 28 mil milhões em bolsa foi à falência, depois de ter perdido o ‘comboio digital’. No mesmo ano, o Instagram, uma start-up com 13 empregados, foi adquirida por 715 milhões de dólares pelo Facebook. As empresas do mundo digital estão a criar uma nova forma de monopólio radical.
Certos setores de atividade, como a indústria da música, do vídeo e agora também da edição de jornais, revistas, etc., são totalmente desintegrados por causa do digital.
Segundo Daniel Cohen, metade dos empregos estão em risco num futuro próximo por causa do digital, em particular as empresas pequenas e médias. Ninguém fica ileso e nem as grandes editoras escapam a este perigo iminente, embora possam sobreviver um pouco mais do que as pequenas.
A imprensa em papel do mundo inteiro corre sérios riscos de desaparecer. Estamos no momento de uma grande revolução tecnológica e, num futuro muito próximo, corremos o risco de já não haver revistas e jornais impressos na banca. A única salvação seria acrescentar mais qualidade e valor aos títulos em papel para conseguir destacar-se do digital e mais carinho e atenção ao conteúdo de qualidade por parte do leitor.
O leitor deve ter-se apercebido do número impressionante de jornais e revistas em papel que desapareceram nos últimos anos, umas com a promessa de seguirem em digital. Só que o digital não compensa, longe disso, e a maior parte das revistas fecha por completo a sua atividade, com as repercussões que se possam imaginar, de desemprego, de infelicidade, de insatisfação, de frustração.

As editoras, sem exceção, pequenas ou grandes, estão à beira do colapso. Ninguém fala nisto abertamente e todos preferem aplicar a ‘política da avestruz’, esperando que a situação melhore, que um milagre aconteça. Mas, há um mal-estar geral nesta área e ninguém acredita verdadeiramente numa mudança positiva nesta situação desastrosa. A imprensa vende cada vez menos e isso torna-se num círculo vicioso que envenena todos na área. Como as revistas e jornais produzem e vendem menos, as gráficas têm que imprimir menos e as distribuidoras têm que distribuir cada vez menos; sem falar da perda dos títulos que nunca mais verão a luz na banca e que ninguém vai produzir, imprimir ou distribuir.

Como é que se pode ainda pretender qualidade: de conteúdo, de impressão e de distribuição, quando os recursos estão todos os anos mais escassos e as equipas mais magras, mais desesperadas e mais preocupadas com o seu futuro?
Mesmo assim, há imensos profissionais apaixonados pelo seu trabalho que ainda conseguem surpreender com um conteúdo de qualidade, com um trabalho sério, profundo, criativo e interessante que possa ajudar os demais a compreender um pouco melhor o nosso mundo complicado. No entanto, estão submetidos a grande pressão vinda de todos os lados e, principalmente, do mundo digital.

Há pessoas que pensam que o organismo humano vai tornar-se, proximamente, uma espécie de computador obsoleto. Carros autónomos, impressoras 3D, tradutores inteligentes, drones fornecedores, robots juristas ou algoritmos de diagnóstico medical, vaporizarão os empregos tradicionais, sem a garantia de que a inovação compense de alguma maneira as perdas maciças de empregos, tal como foi o caso dos media com a imprensa, a música, os vídeos, etc. Até agora, os novos empregos criados pela tecnologia não se mostraram à altura das nossas expetativas e esperanças.

A Google quer utilizar os seus conhecimentos na área da linguagem verbal e das emoções para criar robots sociais que reconheçam os movimentos humanos e interajam com eles, o que daria umas perfeitas amas médicas robotizadas, bem-vindas pelas pessoas a quem falta afetividade ou capacidades motoras.
Ao passo que os preços baixariam, atualmente custam uns 30 mil euros, estes robots irão invadir o nosso quotidiano. Até a decisão de despedir um funcionário caberá aos robots, pois parece que o algoritmo por detrás será mais fiável do que o instinto do recrutador. Neste mundo do futuro, o verdadeiro luxo será ter como empregado não um robot doméstico, mas uma pessoa.

O mundo, segundo os Big Data, encarrega-se de nos proteger e de nos preparar para uma civilização, onde a produção e o trabalho vão progressivamente dar lugar à robotização.
As elites sociais que controlam estes computadores serão investidas com o poder absoluto sobre o resto da Humanidade, afirma Anthony Aguirre, professor de física e de cosmologia na Universidade de Califórnia. Pior ainda – sustém o professor – as máquinas poderão deliciar os Homens até começar a dirigi-los e porque não, a exterminá-los.
Este pessimismo é partilhado pelo célebre astrofísico Stephen Hawking que teme que os humanos, limitados pela sua evolução biológica lenta, não consigam competir e rivalizar com os robots e sejam exterminados. Acha que é ficção científica? Se calhar para si, mas os seus filhos e netos mergulharão fundo neste mundo inacreditável. Já está avisado. Não é para o assustar, mas para refletir e proteger-se o melhor que puder.