A vida humana é feita de escolhas. Sim ou não. Dentro ou fora. Em cima ou em baixo. Entrar ou sair. Subir ou descer. Ou pelo menos achamos que são escolhas nossas.

Existem escolhas com mais sentido. Amar ou odiar. Ser um herói ou um cobarde. Brigar ou entregar-se. Ser bom ou mau. Viver ou morrer. Esta é uma escolha importante. E nem sempre está nas nossas mãos. Temos também a possibilidade de escolher entre felicidade e infelicidade, mas para isso precisamos de descobrir as nossas prioridades para poder trabalhá-las. Ser ou não ser (in) feliz é nossa escolha ainda que precisemos de saber o que nos traz a tão desejada felicidade.

Mais ainda: existem determinadas escolhas que fazem a diferença na nossa vida e na vida dos outros. As pessoas dependem umas das outras na esperança ilusória de alcançar o seu conceito de felicidade. No entanto, a minha felicidade não é necessariamente a sua se não estivermos sintonizados na mesma frequência. E não podemos contribuir para a felicidade do outro se não estivermos bem connosco próprios. Será fácil atingir uma felicidade duradoura num sistema doente a nível social, económico, ético e moral que nos faz acreditar que de facto não temos valor? Claro que não. Mas mesmo aqui podemos sempre escolher entre nos entregarmos às situações adversas que estamos a viver ou enfrentá-las com coragem.

Diz-se que a diferença entre o sábio e o ignorante é que o primeiro sabe tirar proveito das dificuldades para evoluir, enquanto o segundo serve-se dos seus problemas para se vitimizar.

No entanto, observar a nossa própria vida e reconhecer que somos os responsáveis por tudo o que nos acontece e que nós mesmos somos a raiz dos nossos problemas, não é fácil de aceitar.

Ouvi muitas vezes dizer que somos o resultado das nossas escolhas e, efetivamente, faz sentido. Na realidade, temos sempre a opção de continuar a viver na caverna, onde nada nos pode acontecer ou sair para a luz e fazer o que dá verdadeiro sentido às nossas vidas. O milagre é quando conseguimos isso. Mas, se não tentarmos… Não acredito no milagre que nos vai cair do céu. Acredito no milagre que fica escondido dentro de nós à espera. Se ninguém o procurar, não irá revelar-se.

É libertador chegar ao conhecimento, mas não é nada fácil. As pessoas preferem permanecer na comodidade e na ignorância, e nem os políticos, os media, a igreja, os dirigentes das grandes corporações deste mundo, os verdadeiros impérios empresariais, os bancos, as indústrias, o cartel farmacêutico, cosmético, automóvel, alimentar, entre outros, sentem a necessidade de nos acordar para que percebamos que existem elites financeiras, políticas e económicas que brincam com as nossas vidas. Tomam decisões que influenciam para sempre o nosso destino, muitas vezes definitivamente, irremediavelmente e com consequências desastrosas para muitos de nós: guerras, ditaduras, caos financeiros, fome, miséria, desemprego, etc.

Não escolhemos viver numa crise tão profunda, mas nós é que escolhemos quem a provocou. Deixo o leitor refletir se a crise foi ou não consequência das suas escolhas e o que poderia ter feito de diferente.

O grande Krisnhamurti dizia que “não é sinal de saúde estar bem adaptado a uma sociedade doente”. Muitas vezes não conseguimos adaptarmo-nos, sentimos vergonha de pertencer e de ter contribuído para uma sociedade tão desequilibrada, tão injusta.

Como aprender a viver bem num mundo mau, saindo desta realidade mentirosa e hipócrita, de modo a olhar mais além do que nos é apresentado e imposto por uma minoria poderosa? Como se o mundo tivesse mesmo de ser assim… Tudo é feito tão subtilmente que acabamos por acreditar que somos nós a escolher o nosso destino, os nossos políticos, a nossa comida, o nosso programa televisivo. Mas onde inicia e onde acaba o poder de escolha? Eis a questão…

Acho que o conhecimento, a tomada de consciência, apesar do tormento que nos possa trazer, é talvez a única fonte para as soluções. O sentido da vida será aquele que lhe dermos, desafiando os períodos de crise. O que faz com que as nossas vidas tenham sentido é acharmos que aquilo que fazemos vale a pena. O segredo para estarmos felizes consiste em afastar da nossa mente o que nos faz mal.

É primordial pensarmos no que queremos, em vez de pensarmos no que não podemos ter. Temos que ser autores da nossa própria história e, por isso, é preciso adotar uma nova atitude, ser um novo cidadão, ter um novo espírito. Está na hora de parar para refletir, analisar e escolher outros caminhos que nos transmitam mais alento e propósito à nossa existência.