Muito se tem falado, nos últimos tempos, sobre a meditação, principalmente depois de a ciência ter comprovado os seus benefícios para a saúde física e mental, a ponto de ser recomendada pelo sistema nacional de saúde britânico.

 

A vida contemporânea é de tal forma exigente e obriga a um ritmo tão acelerado, que se torna quase impossível permanecer saudável se não se encontrarem formas de compensar o desgaste a que estamos sujeitos.

A forma mais eficaz de neutralizarmos os efeitos nocivos do stress e tensão em que estamos imersos é mostrar à mente um caminho de não atividade, para que esta se possa apaziguar e ganhar uma energia renovada. Assim, através de um simples exercício de observação da respiração, colocamos de lado, temporariamente, as inquietações, o que irá provocar uma agradável sensação de relaxamento e bem-estar interior. Estamos a falar de meditação, uma técnica simples, que está ao alcance de todos e pode ser praticada em casa. Não estou aqui a descurar a importância de um professor experiente, eu própria ensino e conduzo meditação, mas a incentivar o leitor a iniciar a sua prática. Assim como cuidamos diariamente da nossa higiene física, devemos cuidar da higiene mental, esvaziando a mente regularmente, para que ela renove a sua energia, o que irá refletir-se no corpo e estado de espírito.

 

Lugar calmo e sem distrações

A forma mais simples de praticar meditação é encontrar um lugar onde não seja perturbado, sentar-se, fechar os olhos, para evitar distrações e observar a sua respiração.

É importante que a coluna vertebral esteja bem direita, para que a energia dos principais centros energéticos do corpo, os chakras, possa circular livremente e restabelecer o fluxo energético promotor de vitalidade. A música pode ajudar e, numa fase inicial, constitui um bom suporte. Se optar por pôr música, escolha sons relaxantes como os da Natureza. Acender uma vela ou incenso continuam a ser acessórios que poderá utilizar, se achar que o irão ajudar a criar um ritual que culminará na sua concentração, essa sim, fundamental para a prática que vamos iniciar.

Para quem está a iniciar, gosto sempre de citar as palavras de Buda, quando explica aos seus seguidores como se pratica o método da atenção completa à respiração, que leva à iluminação:

 

«Inspirando, (o praticante) sabe que está a inspirar; expirando, sabe que está a expirar. Inspirando profundamente, sabe que está a inspirar profundamente. Expirando profundamente, sabe que está a expirar profundamente. Inspirando ligeiramente, sabe que está a inspirar ligeiramente (…)».

Sutra da Atenção Completa à Respiração.

 

Haverá algo mais simples?

Agora, numa posição confortável, com a coluna vertebral direita e de olhos fechados, leve toda a sua atenção para a respiração, inspirando lenta e profundamente… e, em seguida, expirando…; inspirando de novo… e mais uma vez expirando…; sentindo o ar entrar e sair do seu corpo, entregando-se, por completo, a este momento de pura observação da respiração. Continue a observar a sua respiração, sentindo o ar preencher o seu corpo e a esvaziar-se do seu corpo. À medida que inspira e expira irá aperceber-se do quanto o seu corpo relaxa e sempre que o corpo relaxa, a mente também relaxa e atinge um estado de quietude, que é indispensável para o seu bom funcionamento. Sinta o ar entrar nas narinas e preencher o seu peito, sinta-o sair. Entregue-se a este momento de plena observação.

Deixe que o corpo respire ao seu ritmo. O corpo possui uma inteligência própria; ele sabe como respirar e o leitor apenas observa este processo natural e as suas oscilações. Aperceba-se de quando inspira com mais ou menos profundidade e quando expira de forma mais ou menos prolongada. Aperceba-se também dos espaços entre uma e outra respiração. Aperceba-se do espaço entre uma inspiração e uma expiração.

Neste processo de pura observação, podem surgir pensamentos. Observe-os e deixe que se vão embora. Imagine que são como nuvens levadas pelo vento. Nesses momentos, lembre-se que está a fazer um exercício de mera observação da sua respiração, que requer a sua presença total. Por isso, se um pensamento surgir, como certamente acontecerá, observe-o e deixe que se vá embora, isto é, não o alimente. De novo, volte a centrar a sua atenção na respiração, no ar que inspira e expira.

À medida que a sua mente relaxa, começará a aperceber-se de que há cada vez menos pensamentos na sua mente. É durante esses momentos de ausência de atividade que o corpo se liberta de tensões acumuladas e a mente se esvazia de todas as inquietações, ganhando uma nova vitalidade.

No estado de relaxamento profundo em que se encontra, não há nenhuma meta a atingir, não é preciso respirar mais, nem menos, simplesmente constatar o ritmo da sua respiração e sentir-se totalmente presente.

 

Promova a saúde, o bem-estar e a criatividade

Faça este exercício durante 10 minutos, de manhã, antes de começar o seu dia ou à noite, antes de se deitar e verá como ele transforma a qualidade dos seus dias e do seu sono. Pratique durante um mês, afinal, são apenas 10 minutos dos seus 1440 minutos diários que lhe trarão inúmeros benefícios.

As pesquisas demonstram que a prática regular da meditação reduz o stress e a ansiedade, aumenta as defesas do sistema imunitário e leva o cérebro a atingir novos patamares de entendimento, promovendo a saúde, o bem-estar e a criatividade.

 

Em junho

Na próxima edição, iremos apresentar exercícios para poder aprofundar um pouco mais esta prática milenar.

 

Artigo publicado na Zen Energy Nº 88 (edição de maio de 2016)