«A alegria evita mil males e prolonga a vida»,

William Shakespeare

 

Sabia que a alegria contribui decisivamente para viver mais e melhor? A palavra alegria deriva do latim alacer ou alacris, que além de alegre, significa também vivo, esperto, ardente, cheio de entusiasmo ou ardor, características próprias de um organismo saudável e impregnado de energia vital. A alegria é a expressão de que estamos bem, a «expressão de uma vida plena» (Aristóteles).

O dicionário define a ‘alegria’ como «um sentimento de contentamento, jubilo, satisfação e prazer de viver». Os seus principais sintomas são o brilho nos olhos e o sorriso nos lábios. Quando se intensifica pode dar origem ao riso e à gargalhada.

 

A alegria é contagiante

Lá diz o ditado que «Rir é o melhor remédio». Efetivamente, quando rimos aumentamos a produção de endorfinas e serotoninas, as ‘hormonas da felicidade’ e baixamos os níveis de cortisol e adrenalina, as ‘hormonas do stress’. A tensão arterial é regularizada e a circulação melhora. Os músculos e os órgãos relaxam. A digestão melhora. O sistema imunitário é reforçado. A resistência à dor e às doenças aumenta. O sono é reparador e o desempenho sexual melhora. Na extensa lista de benefícios, que não termina aqui, podemos ainda encontrar o seu efeito ‘antirrugas’. A alegria faz bem à saúde e é um excelente ‘produto de beleza’. As pessoas alegres ficam mais bonitas, simpáticas e atraentes.

A alegria é uma energia positiva que vem de dentro e que se manifesta em quem está de bem com a vida e a vive intensamente, apesar das dificuldades e dos desafios. Felizmente, a alegria é contagiante. «O bom humor espalha mais felicidade que todas as riquezas do mundo. Vem do hábito de olhar para as coisas com esperança e de esperar o melhor e não o pior…» (Alfred Montapert). Tem ainda a particularidade de se ‘autossustentar’, devido ao ‘ciclo virtuoso’ da endorfina – o bom humor, que resulta da libertação de endorfina, produz bem-estar e o bem-estar, por sua vez, aumenta a propensão para o bom humor.

 

Segundo a medicina tradicional chinesa

Para a medicina tradicional chinesa, a alegria expressa-se através do coração e está associada ao elemento fogo. Quando o fogo está em equilíbrio dá-nos bons pensamentos e sentimentos, força de vontade e facilidade de comunicação.

A alegria é essencial, faz parte do ser humano. Quando moderada, fortalece o coração e traz felicidade. Porém, quem ri à toa, dá gargalhadas escandalosas com frequência ou fala demais dos seus sentimentos, por exemplo, denuncia problemas neste elemento, tal como quem nunca ri, nem fala dos seus sentimentos. Viver sem prazer ou levar uma vida de prazeres excessivos fragiliza o coração e, mais cedo, ou mais tarde, provocará doenças cardíacas. O espetro da alegria pode variar da depressão (o máximo da tristeza) até a mania (o máximo da euforia), qualquer dos extremos resulta de desequilíbrios e deve ser tratado.

A filosofia oriental entende o indivíduo como um todo e a saúde como um dinâmico e ténue equilíbrio entre os aspetos físicos, mentais, emocionais e espirituais da sua vida, bem como do seu relacionamento com o meio em que vive. Através de diferentes terapêuticas, das quais faz parte a acupuntura, regulariza o fluxo energético, equilibra mente e corpo, permitindo ao organismo a auto preservação, essencial para retardar o envelhecimento, prevenir e tratar doenças. A medicina chinesa ao corrigir os desequilíbrios, devolve ao organismo a capacidade de fabricar boas emoções, sendo muito eficaz na recuperação da alegria e do prazer de viver.

Hoje, muitas são as pessoas que vivem angustiadas, insatisfeitas e sem alegria. Presas ao passado ou receosas do futuro, permitem que traumas e medos limitem as suas forças e sabotem as suas capacidades e oportunidades.

Na medicina chinesa, o coração é responsável pela capacidade de adaptarmos as nossas reações interiores às exigências exteriores. Se a adaptação é boa, ficamos alegres. Pelo contrário, se as emoções não se adaptam às exigências exteriores, a nossa alegria de viver diminui e as consequências logo se farão sentir.

As nossas emoções estão intimamente ligadas ao corpo físico. Os sintomas físicos são sempre um alerta! Devemos prestar-lhes muita atenção, para que os desequilíbrios que os originaram possam ser corrigidos e, assim, impedidos de evoluir para doenças mais complexas.

 

Viva com alegria

Porque o Homem não é um produto das circunstâncias, mas sim, o inverso, viver com alegria depende unicamente da forma como, todos os dias, escolhemos lidar com os desafios e as situações que nos surgem. Ficam algumas dicas:

  • Alimente-se bem: não se esqueça que ‘somos o que comemos’!
  • Mexa-se! A atividade física regular pode rejuvenescer até 15 anos.
  • Seja positivo e bem-disposto: não se queixe nem reclame constantemente. Afaste-se das pessoas negativas. Escolha compartilhar coisas boas, que possam elevar e inspirar os outros.
  • Cultive boas relações: seja solidário. «Saber encontrar a alegria na alegria dos outros, é o segredo da felicidade», (Georges Bernanos).
  • Adote um animal de estimação: comprovadamente, a companhia dos bichos atenua problemas físicos e psicológicos.
  • Defina objetivos: uma pessoa sem objetivos é como uma folha seca ao vento. É levada para qualquer lugar.
  • Aprenda sempre: aprender algo novo traz felicidade, amplia horizontes e permite o crescimento pessoal e profissional.
  • Mime-se: procure tempo para desfrutar daquilo que verdadeiramente preenche a sua vida. Por dia, realize, pelo menos, uma atividade que lhe dê prazer, por mais simples que seja e, sempre que possível, fuja da rotina.
  • Medite: passamos a vida a correr de um lado para outro, a saltar de obrigação em obrigação, quase sem conseguir observar o que se passa à nossa volta (muito menos dentro de nós). A meditação é muito importante, porque nos permite exercitar a atenção e redesenhar o mundo de forma harmoniosa.
  • Bons Hábitos: cultive hábitos saudáveis, como realizar um check up anual, sobretudo a partir dos 45 anos e sessões de acupuntura para manter ou recuperar o equilíbrio.

Cuide de si, sorria! 🙂

 

Artigo publicado na Zen Energy Nº79 (edição de Agosto de 2015)