Face ao crescente envelhecimento da população a nível mundial, o número de pessoas afectadas por doenças neurodegenerativas, como a doença de Alzheimer, a doença de Parkinson e o Acidente Vascular Cerebral (AVC), tem vindo a aumentar consideravelmente a partir da década de 90.

 

A doença de Parkinson é a segunda doença neurodegenerativa com maior significado, actualmente, na população geriátrica, logo a seguir à doença de Alzheimer, prevendo-se que o seu número duplique até 2030. Apesar dos avanços no conhecimento dos seus mecanismos fisiopatológicos, os tratamentos baseados na medicina ocidental, não têm impedido o seu aparecimento e progressão e os medicamentos habitualmente administrados são passíveis de efeitos colaterais que afectam a qualidade de vida dos pacientes, sobretudo nas fases mais avançadas da doença (Marcucci, 2007).

 

Estudos realizados

É com base na necessidade de encontrar soluções que respondam de forma eficaz a este problema crescente que têm surgido estudos vários, quer a nível da medicina ocidental, quer da medicina tradicional chinesa (MTC), sobretudo no que se refere à acupunctura e fitoterapia, tendo a MTC vindo a suscitar a atenção não apenas dos meios científicos, mas também da população em geral.

 

A doença de Parkinson

A doença de Parkinson acomete pessoas de todas as idades, mas possui uma maior incidência em indivíduos com mais de 60 anos e do sexo masculino. Nesta, verifica-se uma degeneração das células dos gânglios basais, responsáveis pelo processamento e envio de informação ao tálamo que, por sua vez, envia impulsos ao córtex cerebral. Ora este mecanismo é possível mediante a acção de neurotransmissores químicos, como a dopamina, que no caso da doença de Parkinson se torna deficiente, podendo ocorrer também anomalias a nível de outros neurotransmissores, como a serotonina, a acetilcolina e a noradrenalina. A degeneração ao nível das células dos gânglios basais e deficiência destes neurotransmissores, responsáveis pela precisão e coordenação de movimentos, está na origem de sintomas como: rigidez muscular, tremor, bradicinesia, instabilidade postural, marcha caracterizada por pequenos passos, cabeça ligeiramente flexionada e corpo inclinado para a frente, hipofonia, disfagia, entre outros. Pode ocorrer também um comprometimento cognitivo, o que associado a um distúrbio motor gera incapacidade comparável a um AVC.

Embora a medicina ocidental a classifique como doença idiopática, tem sido realizados estudos que apontam como possíveis causas as neurotoxinas ambientais, a toma de medicação e produtos tóxicos, a predisposição genética e complicações decorrentes de encefalite viral.

 

A medicina tradicional chinesa

A medicina tradicional chinesa acrescenta também como causas: o excesso de trabalho e de actividade sexual durante um longo período de tempo, causando um debilitamento acentuado da energia; uma alimentação deficiente e inadequada, com consumo excessivo de alimentos gordurosos e/ou doces; stress emocional e emoções mantidas também em excesso, como raiva, frustração e ressentimento; e o próprio envelhecimento (Maciocia, 1996). Segundo a MTC, a propensão para o aparecimento desta patologia encontra-se, de um modo geral, intimamente ligada ao enfraquecimento do yin do rim e do fígado, em que a energia é lesada de tal forma que o organismo se apresenta debilitado, aumentando, assim, a probabilidade de surgir vento do fígado. Contudo, afirmá-lo, desta forma, é redutor, na medida em que é necessário efectuar um diagnóstico individualizado, tendo em linha de conta a condição energética (Qi) geral do paciente, a condição energética dos seus meridianos e órgãos internos, classificando posteriormente a sua patologia de acordo com um determinado síndrome e não apenas consoante os sintomas que apresenta. Esta análise é feita de forma integrada, ou seja, procura-se sempre relacionar os vários desequilíbrios e sintomas manifestados, renunciando a uma visão meramente mecanicista e ao funcionamento isolado de cada órgão. Neste âmbito, a MTC possui um conhecimento sistémico do funcionamento orgânico extremamente aprofundado. É com base nesta análise individualizada que se define a posteriori o tratamento.

Abordagem terapêutica

Não existe, até ao momento, cura para a doença de Parkinson. A abordagem terapêutica ocidental passa pelo uso de medicamentos cujas substâncias influenciam o movimento. A levodopa, por exemplo, transforma-se em dopamina no cérebro, pelo que influencia a mobilidade pela sua interferência muscular. Contudo, possui efeitos secundários adversos, que limitam a sua dosagem e período de toma.

A MTC privilegia como ponto de partida a descoberta da(s) causa(s) da patologia, sendo para isso fundamental encarar o ser humano como um todo, cujo funcionamento orgânico não poderá ser visto de forma estática: mente, emoção e corpo físico formam uma integridade, sabendo-se que uma reacção numa das partes irá provocar uma influência no seu conjunto. Partindo daqui, têm sido também realizados estudos de relevo em MTC que têm vindo a comprovar a sua eficácia, concluindo que a acupunctura e a fitoterapia chinesa poderão retardar a progressão da doença de Parkinson e atrasar a toma de medicação ocidental, bem como contribuir para uma melhoria acentuada da sintomatologia associada à doença de Parkinson, sem efeitos secundários. A acupunctura e a fitoterapia chinesa são uma mais-valia para pacientes com a doença de Parkinson, devendo ser consideradas em conjunto com a medicina ocidental, quer para a obtenção de melhores resultados, quer para a diminuição dos efeitos secundários que a medicação ocidental prescrita para esta patologia normalmente acarreta (Flaws e Sionneau, 2005). De salientar ainda a importância de uma dieta adequada, com recurso à eliminação drástica de toxinas presentes na alimentação e outros hábitos que originem uma tonificação energética do organismo, como acupunctura e massagens terapêuticas, sono repousante, cultivo de uma mente sã e emoções equilibradas e a prática regular de exercício físico, tornando a prevenção numa regra obrigatória, a bem da promoção da saúde.

Artigo publicado na Zen Energy Nº77 (edição de Junho de 2015)