Nano-cientistas estão a desenvolver soluções para diagnosticar e tratar  o cancro num estado mais rapidamente detetável, usando milhões de átomos  do tamanho de partículas criadas  numa reação química repentina.

ão os chamados pontos quânticos. Estas partículas minúsculas poderiam identificar, antes de nos apercebermos do que quer que fosse, o desenvolvimento de um processo onde está uma célula cancerígena, localizá-la e destrui-la, sem qualquer impacto nas restantes células saudáveis.

Elas podem ajudar-nos a ver o interior das células, enviando um sinal de perigo com bastante antecedência, detetando células que não estariam a funcionar normalmente.

Um ponto quântico é milhões de vezes menor que um glóbulo vermelho. A luz que refletem de dentro de uma célula pode indicar a presença de cancro.

Para percebermos melhor, o Dr. John Hines descreve o conceito desta nova tecnologia através de uma metáfora. Ele compara o cancro com uma cesta de maçãs, onde, no fundo, há uma maçã estragada.

Então, a Nanotecnologia poderia aceder ao cesto, analisar todas as maçãs, individualmente, e identificar a que está estragada, baseando-se numa assinatura, seja a cor da maçã ou o que está no seu interior, e eliminá-la sem prejudicar as maçãs em redor
e deixando a cesta intacta.

A arte da miniatura está a evoluir rapidamente, de modo a criar mecanismos médicos sofisticados que funcionam no interior da corrente sanguínea, numa nano-escala. Para já, esta tecnologia não está incluída na rotina diária dos hospitais, mas é apenas uma questão de tempo.

Tudo isto foi inspirado na Natureza. Cientistas consideram os mecanismos de criação similares
à forma como a Natureza usa máquinas moleculares para construir e dar vida às coisas.

Uma planta é um milagre da Biologia, explica o Dr. Ralph Merkle, membro da equipa de cientistas da NASA responsáveis pelo desenvolvimento desta tecnologia. Ela tem bilhões de células, proteínas, ADN e máquinas moleculares complexas. Isto ilustra que máquinas moleculares são possíveis, conclui.

O que os cientistas pretendem é fabricar máquinas moleculares artificiais, dezenas de bilhões, as que couberem num pequeno seixo. Este trabalho já começou. Cientistas já estão a projetar nano-robôs em laboratórios, máquinas em miniatura que trabalham dentro do corpo – como os que já são utilizados hoje em dia para visualizar partes inacessíveis do nosso corpo.

Estas máquinas percorrerão o corpo para monitorizar e garantir uma saúde plena. Esses nano-médicos terão múltiplas capacidades e podem não só detetar, como tratar novas doenças.

Os nano-exploradores conseguirão entrar e sair das células, de forma não invasiva e, uma vez no interior de uma célula e após terem percebido uma mudança dentro dela, enviarão uma espécie de mensagem que ativará o nano-diagnosticador.

É neste ponto que serão ativados os nano-terapeutas. Eles farão com que a célula volte ao normal. Construir estas máquinas é um dos maiores desafios da equipa da NASA. E a Natureza é a atual líder do mundo da nano-construção. É ela que inspira os cientistas. Dentro de cada célula viva, a Natureza fornece um mecanismo para produzir combustível, dando vida às nano-máquinas da Natureza, explica o especialista.

O combustível, chamado Trifosfato de Adenosina ou ATP, é o combustível da vida. Todos os sistemas de vida utilizam este combustível. É como a gasolina para o corpo. Sem ela, a vida não existiria. Sem o ATP, os nossos corpos não funcionariam. O ATP é composto por células minúsculas que fornecem o combustível necessário aos minúsculos trabalhos, continua.

Todos os dias queimamos metade do nosso peso em ATP para nos mantermos vivos.

Usando uma combinação de engenharia genética complexa com química pura, os cientistas criaram um motor cem mil vezes menor que o grau de areia com uma potência tremenda de girar 115 resoluções por segundo. É o motor mais eficiente do mundo e que poderá produzir energia: o combustível da vida.

Com uma pequena ajuda da Natureza, a Ciência criou um componente na nano-máquina que abre caminho para o novo futuro da Medicina.

A Nanotecnologia permitirá explorar ambientes e situações que jamais seriam possíveis no passado. Com complexas criações artificiais viabilizadas na nano-escala, a maioria das fantásticas visões dos cientistas poderiam concretizar-se e o mundo nunca mais seria o mesmo.

As possibilidades parecem infinitas, afirma o Dr. John Hines da NASA. Hoje, não podemos fazer quase nada, mas num futuro próximo conseguiremos fazer quase tudo.

No futuro seremos capazes de construir máquinas microscópicas automáticas, acredita. Serão mecanismos artificiais, mas que incorporam muitas propriedades da vida.

Em vez de ter um aparelho auditivo que precisa de bateria, terá uma máquina embutida que será um ouvido artificial. E esse ouvido será abastecido pela fisiologia normal da vida, continua. Então, não seria preciso trocar baterias, pois terá algo totalmente integrado no ciclo da vida, conclui. No futuro serão produzidas nano-máquinas também para integrar nos olhos.

(Continua)