Quanto maior for a desigualdade social entre as nações, maior as probabilidades de um desastre. Atualmente, se todos adotassem o estilo de vida dos países ocidentais, como os EUA, seriam necessários 5 planetas para atender às necessidades de consumo da população mundial.

Estimativas da FAO – braço da ONU para a agricultura e a alimentação -, mostram que para alimentar a população humana em 2050, a quantidade de alimentos produzidos no planeta deve aumentar em 70%.

Numa era de desafios cada vez maiores e incomparáveis com os do nosso passado, a nossa capacidade de conseguir providenciar alimentos adequados, seguros e nutritivos, de forma sustentável e igualitária, é mais relevante que nunca.

Até 2050, 8% da população mundial será citadina. E quando as pessoas se mudam para as cidades, o consumo aumenta, não diminui. Se a riqueza de alguns destrói o ambiente, também a pobreza excessiva destrói o ambiente.

O grande desafio atual é o desenvolvimento sustentável que busca o equilíbrio entre o desenvolvimento económico e a preservação do meio ambiente.

O que precisamos no nosso mundo é de mais consciência, mais responsabilidade, uma verdadeira transformação, uma mudança radical que se inicie em cada um de nós, antes que seja tarde demais.

Muitos dos nossos leitores, ao ler os meus últimos editoriais, poderiam ficar com a impressão de que falo demasiado sobre coisas negativas que ameaçam o nosso mundo, pensando que o melhor incentivo seria o de promover o que é positivo. Sim, claro, eu também gostava de falar unicamente daquilo que está bem no mundo. Mas, não posso limitar-me só a isso.

Não fico com a consciência tranquila se não fizer o meu dever de cidadã, como ser humano empenhado e responsável, dona de uma revista de desenvolvimento pessoal que quer contribuir para uma sociedade melhor e alertar todos os que se sentem alvo dos vários fatores económicos, sociais, políticos, morais, ambientais, etc., que concorrem para um panorama de crise global, nunca antes experimentado pela Humanidade.

Não é uma questão de ser positivo ou negativo. É uma questão de saber se tem olhos para ver e ouvidos para ouvir, coração para sentir, cérebro para raciocinar, alma para se entregar ou, ainda, coragem para lutar.

Tais assuntos reforçam a necessidade de que mesmo os que se classificam despertos, voltem à própria essência, assumindo a responsabilidade sobre o todo, pois o processo de ascensão requer purificação de crenças e total abertura para o novo.

Experienciamos todos os dias a falta de consciência das massas e a falta de respeito para com a Mãe Natureza, para com os valores, os outros e é triste presenciar este momento de declínio.

Respeitar algo ou alguém é prestar atenção e manifestar apreço. Não olhar com a devida atenção para aquilo que nos rodeia pode limitar a nossa forma de ver, de pensar, de reagir ou de fazer.

Na busca por mais dinheiro e poder, a Humanidade tem sacrificado a oferta de alimentos, dos polinizadores, dos oceanos, florestas e solos e, até, o próprio ar que respira.

Assistimos, impotentes, a guerras, terrorismo, atentados, fome, miséria, fluxo migratório, sem precedentes, declínio da nossa empatia, simpatia, solidariedade e amor.

Discriminamos tudo na nossa sociedade em função da idade, orientação sexual, situação económica, deficiência, nacionalidade, origem étnica ou raça, religião ou convicções políticas e ideológicas.

Mas, não podemos dar-nos ao luxo de ficarmos tristes, desgostados ou amargos, sem nada fazer.

Então, o que fazer quando parece que não há nada a fazer?

É urgente uma mudança comportamental do ser humano a todos os níveis. Se tudo está como está, podemos ter a certeza que nós mesmos contribuímos para isso. Afinal, somo todos UM. Nós, os ditos animais racionais, ainda não aprendemos a respeitar a existência alheia. Na verdade, não é a nossa animalidade que precisa de ser extirpada, é a nossa falsa humanidade.

Existem meios para impedir a nossa sociedade de chegar ao colapso. Isso poderá ser possível se houver políticas de controlo de crescimento populacional, distribuição igualitária de recursos naturais e, principalmente, a conscientização da sociedade de que não se deve viver dependendo ao máximo dos recursos que a Natureza põe à nossa disposição, nem se deve desrespeitar e desprezar estes mesmos recursos, pensando que nunca esgotarão.

Não sei se todos se apercebem de que desde a Revolução Industrial, o petróleo, o carvão, o gás natural e os metais têm melhorado praticamente todos os aspetos da vida humana. Sem os combustíveis fósseis e metais, as nossas vidas seriam muito diferentes.

Preocupamo-nos pouco com a preservação da água ou de alimentos e concentramo-nos na dos empregos e da prosperidade. Cortamos a haste sobre a qual estamos sentados. Mordemos a mão que nos está a alimentar. Destruímos o lar que nos tem acolhido de braços abertos.

A tecnologia por si só não será capaz de resolver muitos dos grandes desafios que virão. Não é só uma questão de adaptação, mas uma questão de mudança fundamental, uma mudança de coração, uma mudança de abordagem, uma mudança de atitude. Tudo terá que ser reconsiderado, repensado e remodelado, começando pelo nosso mundo interior.

(Continua…)