Os efeitos da prática continuada e regular da meditação estão já mais que comprovados e podemos dizer que vão muito além do relaxamento físico.

«Com a ressonância magnética e a tomografia, percebemos que a meditação muda o funcionamento de algumas áreas do cérebro, e isso influencia o equilíbrio do organismo como um todo», citou o psicólogo Michael Posner, da Universidade de Oregon.

 

De facto, meditar traduz toda uma série de mudanças impressionantes, quer a um nível físico, através de melhorias significativas que vão desde a diminuição da tensão arterial, ao equilíbrio do ‘bom e mau’ colesterol e níveis de glicose, bem como ao fortalecimento do sistema imunitário, à redução da dor crónica e até aos casos de asma e outros problemas relacionados com o tracto respiratório.

A estas vantagens poderemos acrescentar ainda outras, não menos importantes, mas talvez menos mensuráveis, como uma maior capacidade de concentração, uma diminuição de estados de ansiedade e até melhoria (ou fim) de depressões ou stress pós-traumático (isto porque está cientificamente provada uma diminuição na produção de adrenalina e cortisol, hormonas associadas a estes distúrbios).

 

Uma prática repousante

Durante esta prática milenar, o cérebro funciona em ondas cerebrais mais lentas, o que normalmente só acontece durante o sono profundo. Durante a meditação estas ondas cerebrais estão em estado de alerta, o que torna mais consciente uma série de situações ou padrões anteriormente sentidos. Além disso, durante a meditação consumimos 6 vezes menos oxigénio do que se estivermos a dormir, o que só por si faz com que seja mais repousante meditar!

Vários autores defendem que a prática da meditação consegue ‘abraçar’ o homem num modo totalmente holístico e inteiro, isto porque todas as dimensões do seu ser são abrangidas sem excepção:

  • A um nível físico na ausência da manifestação de doenças e melhoramento de dores físicas;
  • A um nível metabólico, na alteração dos padrões alimentares (uma vez que se ganha maior consciência daquilo que devemos comer e qual a importância de determinados alimentos na nossa vida);
  • A um nível vital, pois através de exercícios respiratórios (pranayma), da qualidade do nosso sono e da nossa disponibilidade e disposição interior estaremos mais despertos para o mundo;
  • A um nível mental, todo o nosso raciocínio, memória e até humor se tornam mais claros;
  • E, por último, a um nível supra-mental conseguimos atingir estados de consciência cada vez mais alargados.

 

zenenergy71_75

Artigo publicado na Zen Energy Nº 71 (edição de Dezembro de 2014)

Poderemos concluir, então, que a meditação poderá funcionar como o medicamento dos tempos modernos, sem que para isso precise de gastar tanto dinheiro e renunciando a uma série de efeitos adversos, tendo apenas de se permitir parar e olhar para si!

 

No livro Concentração e Meditação, Swami Sivananda refere Dhyanam nirvishayam manah, meditação é aquele estado da mente em que não há pensamentos mas também faz referência a Tatra pratyayaikatanata dhyanam, referindo-se ao fato da meditação ser um fluxo contínuo de percepções ou atenção, um estado que precede a concentração.