São vários os motivos que levam os indivíduos a adotarem uma dieta vegetariana. Os principais estão relacionados com a ética e os direitos dos animais, a saúde, o meio ambiente, a religião e a economia.

 

De acordo com a Associação Dietética Americana, o regime vegetariano é aquele que exclui do cardápio carne e peixe. A posição desta instituição é de que uma dieta vegetariana bem planeada é saudável e adequada em termos nutricionais, acabando por trazer benefícios para a prevenção e tratamento de determinadas patologias.

 

Benefícios do vegetarianismo em diferentes patologias

O vegetarianismo tem um papel importante como terapia nutricional para várias doenças crónicas não transmissíveis. Durante os últimos 20 anos, realizaram-se diversos estudos epidemiológicos que têm documentado importantes benefícios do vegetarianismo em diferentes patologias, assim como na diminuição do risco de mortalidade total.

Mas, afinal, o que será que os vegetarianos comem, que os leva a estarem mais protegidos em relação a determinadas doenças? Estes excluem por completo a carne e, por conseguinte, a sua dieta é mais baixa em gorduras saturadas e colesterol, ingerem grandes quantidades de vegetais e frutas e completam o seu regime com cereais, leguminosas, frutos secos e sementes. O consumo destes alimentos essenciais à dieta vegetariana tem sido consistentemente associado a um menor risco de con­tração da doença isquémica do coração e de determinados tipos de cancros e, em alguns casos, a um aumen­to da expectativa de vida; pelo contrário, a ingestão de carne tem sido relacionada com o aumento dessas mesmas doenças.

 

Os regimes alimentares

Os regimes alimentares contêm inibidores e intensificadores da carcinogénese. Exemplos de inibidores do carcinogéneo dietético incluem: antioxidantes e fitoquímicos. Estes agentes anticancerígenos são encontrados em frutas e vegetais, trata-se de substâncias que possuem mecanismos complementares e sobrepostos de ação, incluindo indução de enzimas de desintoxicação, inibição da formação de nitrosamina, fornecimento do substrato para formação de agentes quimioterápicos e efeitos antioxidantes.

Já os agentes dietéticos responsáveis pelo aumento da carcinogénese podem equivaler à gordura da carne vermelha ou aos hidrocarbonetos aromáticos policíclicos, que surgem quando se grelha a carne em alta temperatura. A ingestão de carne demonstrou associação com o risco elevado de cancro do cólon e próstata. O American Institute for Cancer Research recomenda como medida de redução da incidência de cancro e de forma a melhorar a saúde total, o consumo de alimentos vegetais e limitar a ingestão de alimentos de fontes animais.

Já na artrite reumatoide parece que a dieta vegetariana apresenta bons resultados. Um jejum seguido de uma dieta vegetariana pode produzir uma resposta positiva sustentada e que tem sido medida clinicamente e por meio de marcadores laboratoriais inflamatórios. Há indicação de que uma dieta vegetariana estrita com muito pouco teor de gordura pode melhorar os sintomas nos pacientes portadores de artrite reumatoide moderada a grave. Se estas forem ricas em lactobacilos vivos e clorofila e houver ingestão aumentada de fibras, parece haver efeitos positivos e diminuir a necessidade de medicações.

 

Foi também demonstrado que determinados padrões dietéticos, especificamente a dieta vegetariana, reduz os níveis de pressão arterial. Foram descritas reduções médias de 5 a 6 mm Hg na PA sistólica. Geralmente, o hipertenso apresenta sobrepeso e com a dieta vegetariana, se esta for bem gerida, há uma diminuição do peso corporal que por conseguinte provoca uma diminuição na PAS e PAD. Por cada quilograma perdido espera-se uma redução de aproximadamente 1 mm Hg.

Como se pode verificar, são várias as evidências que levam a crer que este regime apresenta pontos favoráveis à saúde. Se optar por fazer uma alteração na sua dieta, recorra a um profissional especializado para que o seu organismo se adapte corretamente a esta mudança alimentar.

 

Artigo publicado na Zen Energy Nº77 (edição de Junho de 2015)