Como educar os nossos filhos de maneira a termos a certeza de que a dada altura fazem as escolhas certas na vida, sem precisar de segui-los passo a passo?

O próprio exemplo chega para inculcar-lhes os valores necessários e para mostrar-lhes o caminho certo ou é imprescindível deixá-los ter a sua experiência, mesmo que para isso tenham que passar por erros, frustração, incompreensão? Qual é a melhor atitude? Confiar nas decisões deles e esperar que dê certo? Tentar sugerir, com o risco de que farão o contrário? Sermos mais diplomatas e deixá-los pensar que as decisões são deles?

 

No outro dia, quando estava a ajudar o meu filho a fazer o trabalho de casa proposto para o fim de semana – um mini-álbum com os momentos mais importantes na sua longa vida de 7 anos – obriguei-o a repetir por 3 vezes a mesma página em que ele se tinha enganado a escrever uma palavra, e, embora ele me dissesse que podia apresentar o trabalho assim desde que indicasse o seu próprio erro e o corrigisse, eu fiz questão que ele fizesse o trabalho sem erros, o que ele não conseguia compreender nem aceitar, discutindo comigo e chorando por isso.

Quando lhe perguntei, a propósito da sua reação, se não queria fazer o seu melhor e se não queria, por exemplo, que eu fosse a melhor Mãe do Mundo ele respondeu-me aquilo que eu (afinal) sempre lhe tinha ensinado: «Não quero que sejas a melhor Mãe do Mundo, só quero que sejas tu!».

E não é isso que todos queremos? Sermos aceites e amados exatamente como somos? Com a nossa luz, mas também com a nossa sombra?

 

Segurança emocional

Ter segurança emocional requer que gostemos de nós incondicionalmente, e essa segurança emocional é a base da autonomia, força e bem-estar que queremos dar aos nossos filhos.

Então, como ensinamos ou transmitimos aos nossos filhos essa segurança emocional?

Educar para a Segurança Emocional e Autonomia 7 Propostas para Pais

  1. Só consigo ensinar o que sei e o que sou – Consciência e autorreflexão

Este deve ser o aspeto mais difícil da parentalidade consciente: para ensinar o(s) meu(s)  filho(s) a ser(em) emocionalmente seguro(s) eu preciso de o ser também, pois o exemplo continua mesmo a ser a melhor forma de ensinar!

Para isso, é essencial que tome consciência de si próprio, das suas forças e fraquezas e que se conheça bem em primeiro lugar, mas também que goste muito de si.

Ambas as coisas se aprendem – sozinho ou com ajuda de terapeutas, conselheiros, formadores, etc. – e se ensinam a partir da nossa própria experiência e orientação.

 

  1. Seja honesto consigo próprio e com eles

 

Para isso, a primeira coisa a fazer, que é a nossa segunda proposta, é sermos honestos connosco e com os outros, em relação ao que sentimos, sem medo que isso nos retire o ‘poder’ enquanto pais. Já reparou que quando somos honestos com os outros sobre aquilo que sentimos, não só os ensinamos a fazer o mesmo, mas também lhes damos a oportunidade de o serem?

 

  1. Fale a partir daquilo que sente e ensine o seu filho a fazê-lo

Um dos princípios que aprendi quando estudei comunicação consciente (ou não violenta) foi que quando falamos a partir daquilo que sentimos, em vez de julgarmos o comportamento do outro, a comunicação é de facto mais eficaz.

Por exemplo, em vez de dizer ao seu filho que ele é um irresponsável e inconsciente por não respeitar a hora de chegar a casa quando saiu à noite, experimente dizer-lhe o que isso lhe faz sentir – medo de que aconteça alguma coisa, insegurança, impotência – e vejam em conjunto de que forma podem encontrar uma solução para que isso não volte a acontecer.

 

  1. Se necessário (re)aprenda as emoções

Fala-se tanto de inteligência emocional e às vezes parece uma coisa inacessível para o comum dos mortais, quando na realidade aquilo de que se trata é de sermos capazes de reconhecer o que sentimos, aceitá-lo, tendo a capacidade de autorregularmos essas nossas emoções e de reconhecer e empatizar com aquilo que os outros sentem.

Existem uma série de exercícios destinados a elevar a nossa inteligência emocional, mas, de todos os que conheço, o mindfulness, ou meditação da atenção plena é o mais eficaz, sendo o seu impacto positivo no aumento da inteligência emocional dos praticantes bastante fundamentado e documentado.

 

  1. Escute-se – Use o mindfulness

Eu sei que está na moda falar de mindfulness, mas não conheço melhor instrumento ou ferramenta de reconhecimento e aceitação das nossas emoções, além disso, ajuda-nos a gerir o stress causado pelo excesso de trabalho e de informação.

Para isso, bastam 10, 15 minutos por dia de prática regular de escuta da sua respiração para que a consciência sobre aquilo que sente e que os outros à sua volta sentem, se expanda.

Melhor ainda, se puder praticar mindfulness com os seus filhos! Comece por praticar com um instrutor certificado, há inúmeros cursos online, gravados ou presenciais à vossa disposição.

 

  1. Escute-os – a opinião deles é mesmo importante

Cada ser humano é único e tem dentro de si muitas perguntas e anseios, mas também muitas respostas e recursos criativos sobre aquilo que quer, o que é melhor para si, as suas forças e os seus medos, por isso ensine desde cedo os seus filhos a escutarem-se a si próprios e faça-o também, honrando aquilo que eles pensam sobre determinado assunto, especialmente sobre os assuntos que lhes dizem diretamente respeito.

 

  1. Se errar peça desculpa

Quando reconhecemos que erramos com os nossos filhos, não só aumentamos a confiança deles em nós (ao contrário do que poderíamos pensar à partida), mas também lhes ensinamos a fazerem o mesmo connosco e com os outros com que se relacionam.

 

Artigo publicado na Zen Energy Nº 82 (edição de Novembro de 2015)