Estes dois alimentos que fazem parte do quotidiano alimentar dos portugueses não são tão inofensivos como parecem à primeira vista para a maioria das pessoas. Os pontos comuns entre eles é que são consumidos em excesso e são ambos causas de intolerâncias e alergias alimentares. Estas últimas requerem uma explicação mais detalhada e é preciso muito cuidado, pois podem ser mesmo fatais. Neste artigo, vou falar apenas da sensibilidade e intolerância ao trigo e à lactose.

Comecemos pelo trigo. Porque é que este alimento consumido pelo ser humano desde os primórdios da agricultura se tornou tão problemático? O trigo dos nossos dias é o resultado de um processo de hibridização para gerar plantas mais resistentes às doenças, à seca e com maior produção e rendimento, porque tem um processo de debulha facilitado pelo tamanho que é mais pequeno e as sementes saem facilmente do caule. Tudo isto representa menos custos, mais produção, mais rendimento.

Já reparou que as altas searas de trigo que ondulavam graciosamente ao vento desapareceram? Foi o geneticista Norman Borlaug, o ‘génio’ desta hibridização, tendo-lhe sido atribuído o título de ‘Pai da Revolução Verde’ na comunidade agrícola e o Prémio Nobel da Paz em 1970… Mas, que paz?!

Esta aparente pequena mudança na estrutura da proteína do trigo significa a diferença entre uma resposta imunitária devastadora ao glúten de trigo e nenhuma resposta imunitária. O glúten engloba duas famílias de proteínas: as gliadinas e as gluteninas e são estas as responsáveis pela viscosidade e elasticidade do trigo. Infelizmente, este trigo hibridizado está presente em todas as refeições e snacks: pão, cereais de pequeno-almoço, massas, folhados, bolos, biscoitos, bolachas, tostas, pizzas, está na base de quase todo o tipo de molhos e comida pré-preparada, em queijos, produtos de charcutaria. Além disso, encontra-se em vários produtos de maquilhagem. É só ler os rótulos e ficará surpreendido.

A sensibilidade e a intolerância ao trigo

A sensibilidade e intolerância ao trigo pode manifestar-se a nível digestivo com inchaço abdominal, alteração das fezes, flatulência, dores, mas também pode ter outros sintomas que dificultam o diagnóstico, como: eczemas, acne, sinusites, artrite, obesidade, problemas de tiroide e até agravamentos de estados depressivos e patologias mentais.

A nossa sociedade está intolerante a este trigo atual, mas ao mesmo tempo viciada nele. Pode parecer estranho, mas a digestão do trigo produz compostos semelhantes à morfina que se ligam aos recetores opiáceos do cérebro. Isto provoca uma sensação de conforto, de adormecimento. Quando as pessoas deixam de consumir trigo, durante uns dias, têm uma sensação de privação claramente desagradável. Porquê? Estão viciados! Tão simples como isso!

Muitas pessoas dizem-me nas consultas que estão dispostas a fazerem alterações na dieta para emagrecer ou melhorar o problema de saúde, mas escuto com frequência: «Só não tire o pão, por favor!».

Quanto aos laticínios, também são ingeridos em excesso desde a infância e os consumidores são instigados a manter essa dosagem elevada pela publicidade ‘adorável’ com bigodes de leite e conselhos de figuras conhecidas ao público para manter ossos saudáveis tanto no crescimento como na menopausa.

O leite

Vejamos alguns aspetos em relação ao leite: o ser humano é o único ser que continua a beber leite após a fase de amamentação. A lactase (enzima que digere a lactose) é inexistente na maioria da população após a infância, portanto, ingerem um alimento que não conseguem digerir e naturalmente vai ter consequências nefastas causando intolerâncias.

Os sintomas desta intolerância são idênticos aos do glúten do trigo e por isso, por vezes, é preciso eliminar os dois durante um tempo para poder sentir melhor o corpo.

A hormona do crescimento do leite de vaca (IGF-1) é idêntica em número (70), sequência e estrutura de aminoácidos à do nosso corpo, o que nos causa vários tipos de problemas, nomeadamente ser um rastilho que, em conjunto com outros fatores, despoleta o desenvolvimento do cancro. Sugiro aos leitores dois livros escritos por médicos sobre este tema: O Leite que Ameaça as Mulheres, do Dr. Raphael Nogier e Leite: Alimento ou Veneno, do Dr. Robert Cohen.

Além da informação, hoje, disponível em livros e na Internet, siga o seu grande mestre: o seu corpo e escute a sua intuição. Quando o corpo se manifesta é porque algo não é bom para nós. Nele pode confiar. É só escutá-lo e falar com ele.

 

Artigo publicado na Zen Energy Nº 85 (edição de Fevereiro de 2016)