Tic, tac… Tic, tac…  O relógio não para.  Os segundos vão passando, o coração batendo e a vida fazendo a sua magia, sempre ao ritmo do que o nosso coração ordena.

uão curiosos são os desígnios do tempo? Quão intrigante é o timing em que tudo o que pauta a nossa existência acontece? Parece que
a vida adivinha o que nos vai na alma
e, de quando em vez, lá surge uma surpresa que nos abana e relembra da importância de sermos nós próprios, ou não vá
o tempo fazendo das suas…

Escravos do

“tempo”, seja lá
o que isso for…

Na verdade, peço-lhe que me esclareça uma questão que me tem vindo a visitar: o que é, na verdade, o “tempo”? Não será esta uma mera conjetura inventada pelo homem para quantificar e ordenar a sua intervenção? Mas, se assim é, por que
é que andamos todos tão preocupados com o ritmo deste nosso parceiro? Por que
é que cada vez mais parece fugirmos do tempo, precisamente por sentirmos não ter tempo para existir e viver?

Já reparou como é que o Homem orientou a evolução da sociedade? Vivemos numa conjetura aparentemente desenvolvida, sofisticada e vanguardista, com padrões de exigência e desempenho cada vez mais elevados e onde, muitas vezes, rapidez
é sinónimo de eficácia e perfeição. Contudo, se observarmos a dinâmica daqueles com quem nos cruzamos, com algum distanciamento e na qualidade de espetador, julgo ser possível constatar que, em bom rigor, fomos e continuamos
a ser educados para ter cada vez
menos tempo!

As crianças, desde tenra idade, são assoladas com uma quantidade imensa de compromissos escolares e extracurriculares, naquela tão característica parafernália de atividades, das quais vão correndo de umas para as outras, muitas vezes sem sentirem o abraço e carinho daqueles que amam. Em adolescentes, começamos
a “perceber” a importância de rapidamente delinearmos um rumo e escolher uma profissão de prestígio (seja lá o que isso for), por forma a conquistarmos a tão desejada independência, sem olharmos aos sacrifícios que tal luta acarreta contra a nossa felicidade e aqueles que sabemos serem os nossos sonhos. Já em adultos, vamos procurando empregos sucessivamente “melhores”, onde sejamos reconhecidos e as responsabilidades assumidas pela nossa pessoa cada vez mais significativas, aceitando um rol crescente de mais e mais tarefas, descansando eventualmente em momentos muito pontuais, quando as férias (por vezes interrompidas por e-mails e telefonemas) assim o permitem. Já na terceira idade, e depois de um ritmo perfeitamente alucinante ter caracterizado a nossa existência, entramos num período reflexivo. Nesse momento, impõem-se uma série de questões: de todos os esforços que fiz, quais é que me aproximaram da minha essência e do que queria verdadeiramente viver? Fui fiel ao que sabia ser o propósito ou deixei-me levar pelo que
a sociedade me apresentava e impunha como correto? Fiz do tempo um aliado da minha felicidade ou fui apenas mais um dos seus prisioneiros? Ufa…. Só até aqui já ficámos sem fôlego, certo? Estimado(a) amigo(a), é tempo de perceber qual o significado que o tempo tem para si! Como é que tem feito uso daquele que pode assumir-se como um dos seus maiores trunfos?

Acorde e prepare-se para viver

Em primeiro lugar, convido-o(a) a refletir acerca do estádio da vida em que se encontra. Se, neste momento, lhe pedisse para fazer uma avaliação, numa escala de 1 a 10, da qualidade dos seus dias, em termos de vivência daqueles que são os seus sonhos e desejos, qual a classificação que atribuiria? Encontra-se, neste momento, imbuído da tão fascinante alegria de viver, saindo de casa todos os dias com um sorriso no rosto, ou não fosse viver mais um capítulo do Sonho? Independentemente da resposta, estamos juntos e é assim que trabalharemos, em prol da sua paz e felicidade. Estamos sempre a tempo de alterar o rumo da nossa existência e de encontrar o Eu que sabemos existir, por vezes perdido nos labirintos da teia social que nos rodeia.

Já alguma vez deu por si a pensar que não usufrui de um verdadeiro equilíbrio entre aquela que é a sua vida pessoal e profissional? Entre aqueles que são os seus compromissos obrigatórios (não forçosamente contrastantes com os seus desejos, tudo depende de si)
e os momentos de lazer? O que provavelmente não sabe é que você é o(a) único(a) guardião(ã) do seu tempo! Por que é que tem entregue este comando
a terceiros, deixando que a sua vida seja direcionada por um piloto que não conhece as coordenadas da sua existência? Caso seja esta a situação em que se encontra, deixe-me que lhe diga, parabéns! Parabéns porque acaba de acordar e prepara-se, agora, para viver!

“Os sonhos

continuam aí”

Os cenários como os referidos em epígrafe surgem por um simples motivo: em determinado momento das nossas vidas, escolhemos apagar a luz do nosso coração e silenciar aquela que é a nossa melodia. É chegado
o momento de voltar a ouvir-se! Escute o que o seu íntimo tem para lhe dizer.

A vida só faz sentido se, em 95% do tempo, estivermos a lutar e a viver o que verdadeiramente consideramos correto, honroso e
dignificante. Os restantes 5% entregamos ao improviso, ou não fosse este o sal da vida. Peço-lhe, por favor, que atente para o que o seu coração lhe sussurra.
A voz pode ser muito ténue, praticamente inaudível na azáfama do dia a dia mas, garanto-lhe, ela continua lá! Lembra-se daquela atividade que tanto gostava de experimentar? Daquele tão desejado tempo para si, para fazer uma massagem ou simplesmente ir ao cinema?
E do momento em que sentiu que ao praticar aquele desporto seria mesmo feliz? Espere,
e daquela chama ardente que sentiu ao imaginar-se a executar determinada tarefa em termos profissionais, pela qual poderia nem sequer ser remunerado(a), tal não era a felicidade que sentiria?

Exatamente, os sonhos continuam aí…
O rumo certo está delineado há muito tempo, não finja que não o vê ou que não sabe como o seguir. Meu(Minha) querido(a) amigo(a), ambos sabemos que nasceu para vencer, pare de viver uma vida que talvez não seja a sua! Está nas suas mãos dar o passo rumo à mudança! Sei que é preciso muita coragem, mas isso sempre teve, ou não fosse o número de desafios enfrentados e superados incontáveis…

Vai mesmo deixar que a ampulheta social
o(a) prive da sua felicidade? Ouça-se! Seja fiel ao seu Eu! Siga em frente, rumo às coordenadas que o(a) fazem feliz! Chega de caminhar cabisbaixo(a), sem esperança ou com níveis de energia menos elevados. Você, que tem tanta vida dentro de si e tanto para oferecer a este mundo! Confio e tenho muita fé no potencial que lhe está subjacente!

É tempo de ter mais tempo! É tempo de acreditar e fazer acreditar! Peguemos no relógio da vida, afinemos as roldanas da felicidade e partamos à descoberta da vida que sempre soubemos merecer. Afinal de contas, os ponteiros não param e as badaladas continuam a ecoar à medida que, lado a lado, fazemos deste, um mundo melhor.

Tiago Gonçalves

Mestre em Ciências Farmacêuticas
e Trainer de Soft-Skills

tiago.m.goncalves15@gmail.com