Semear amor em vez de medo

Todos temos medos e, muitas vezes, preferimos não sonhar para não sofrer, não querer para não sentir falta. Poupamos no sentir para não viver. Vivemos sem altos e sem baixos, numa linha reta vazia de borboletas na barriga. E se, em vez de arranjarmos desculpas para o que nos acontece, assumirmos o controlo da nossa própria vida?

á quem goste de desculpas para desistir, em vez de motivos para insistir. Há quem prefira encontrar argumentos para voltar atrás, do que perder o medo e encontrar forças para seguir em frente. Há quem insista em ficar fechado na sua bolha, naquele pequeno mundo que conhece de cor, do que arriscar e colocar os pés em terrenos desconhecidos. Há os que têm medo, mas preferem enganar os outros com a sua falsa coragem e até a eles próprios; e há os que têm medo, mas assumem quem são e o que sentem, sem máscara, sem filtros.

Todos temos medos: fantasmas que estão no nosso armário das lembranças, esqueletos de erros que amontoamos, em vez de aprendermos com eles, balões de possibilidades que se enchem de enganos que podemos vir a cometer um dia. Temos medo do que fizemos mal ontem e do que podemos vir a fazer mal amanhã.

Temos medo de falhar, de não sermos capazes, de não sermos bem-sucedidos, de não conseguirmos realizar os nossos sonhos, de não sermos felizes. E, muitas vezes, preferimos não sonhar para não sofrer, não querer para não sentir falta, não tentar para não falhar.

Vivemos algures entre dois mundos, entre o mundo do sonho e da fantasia, e o mundo onde podemos ser heróis de nós próprios. Vivemos ali no meio de um deserto de emoções, sem grandes expectativas, sem altos, sem baixos, apenas numa linha reta vazia de borboletas na barriga, oca de brilho nos olhos, numa linha onde não há sorrisos de verdade, abraços de verdade, amor de verdade.

Vivemos, ou achamos que isto é viver, entre o lago do amor infinito, onde é melhor não entrar para não conhecer a dor do desamor, e a floresta da paz, onde só poderá entrar quando estiver em total sintonia com o seu coração. Ali deixamos que o tempo passe, mais devagar ou mais depressa, não importa, porque nada importa, enquanto ganhamos alento para um dia, quem sabe, sair desse limbo indefinido onde nos encontramos.

Ali nos deixamos ficar, porque é mais confortável saber com o que podemos contar, mesmo que seja quase nada, do que não sabermos nada. Estamos confortáveis no desconforto que sentimos. Mas se não somos felizes, se não sentimos as tais borboletas na barriga, como é que isso pode ser confortável? Afinal, estamos confortáveis ou temos medo de ir à procura da nossa zona de conforto, porque o caminho pode ser demasiado difícil e não podemos contar com a ajuda de ninguém?

Em busca
de respostas…

A sua zona de conforto é aquela onde é feliz, onde está em paz consigo próprio e com o mundo. E só se pode permitir descansar quando lá chegar. Ela existe e só você pode fazer esse caminho, mesmo que não o conheça, mesmo que não exista mapa ou guião do que vai acontecer a seguir.
A sua zona de conforto vai surgir no horizonte quando a sua coragem for além do medo e a sua confiança for maior do que a sua fragilidade.

Em vez de desculpas, procure conhecer as respostas. Em vez de argumentos para falhar procure possibilidades para acertar. Em vez de culpar os outros pelo seu azar, assuma o controlo da sua vida, responsabilize apenas quem é culpado pelo que lhe acontece ou não acontece: você. Em vez de semear o medo, semeie gratidão e amor.

Não possui os comandos de muito do que acontece nos seus dias, mas possui o controlo de como se movimenta nessa sucessão de atos e efeitos. Só você pode decidir como reage, como responde, como sente. Se optar por ser responsável por si, ganha um imenso poder e, em simultâneo, uma enorme leveza. Se em vez de culpar os outros, pensar como vai fazer melhor na próxima oportunidade, está finalmente a sair desse lugar entre mundos onde se encontrava aprisionado.

Se ousar sonhar e acreditar nesse sonho mais do que em si próprio, a vida vai finalmente abrir-lhe a porta da realização. Se se atrever a desenhar um caminho com pétalas de fé, o seu coração vai brilhar e os outros vão ver esse reflexo nos seus olhos.
A vida dentro de si vai finalmente transbordar e mostrar o ser especial que há em si, alguém que pode mudar o seu mundo para que o mundo possa ser um pouco melhor.

Helena Simão

Starting Today

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Autora do livro O Amanhã
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