Acreditamos que, hoje, estamos na era do Homem superior e civilizado, dos progressos, das supertecnologias, da cultura e do desenvolvimento e olhamos com muita condescendência e, mesmo, arrogância, para os períodos mais longínquos que rotulamos de pré-históricos ou selvagens. Achamo-nos melhores do que aquele ser pacífico, das cavernas e da vida simplória que não tinha as capacidades, nem as potencialidades humanas, desenvolvidas para viver em sociedade.

Aprendemos na escola que o Homem selvagem é governado pelos seus desafios e sensações imediatas e que segue os seus instintos, vivendo com a Natureza. Estamos convencidos de que a razão fez do Homem um ser realmente superior em todos os aspetos.

No entanto, olhando para o nosso mundo, com tanta desigualdade, crueldade, maldade, miséria, guerras e escravidão, é difícil acreditar que somos realmente seres racionais, compassivos e sensíveis.

O raciocínio do Gurdjieff, filósofo e escritor, é que «se existissem duzentas pessoas conscientes que vissem uma legítima necessidade de mudar a totalidade da vida na Terra, poderiam fazê-lo. No momento presente, ou estas pessoas são muito poucas, em número, ou não o querem fazer. Ou, talvez, ainda não tenha chegado o tempo e muitas estão a dormir ruidosamente», conclui.

Será que somos vítimas da nossa própria inteligência superior? Do ponto de vista moral e ético, a rutura que o Homem fez com a vida natural não parece ter feito dele um Homem melhor, pelo contrário. Na prática, o Homem comporta-se sempre aquém das suas potencialidades e, frequentemente, deparo-me com uma questão que pode parecer retórica se não fosse tão óbvia: Por que o Homem pode tanto e consegue tão pouco?

Segundo o brilhante naturalista Jean Jacques Rousseau, o que torna o Homem essencialmente bom é ter poucas necessidades e comparar-se pouco com os outros. Enquanto o que o torna mau é ter muitas necessidades e dar muita atenção à opinião alheia. É uma teoria simples, mas muito profunda e decididamente essencial e, ainda válida, hoje, se calhar, mais do que nunca.

Os especialistas na matéria afirmam que o Homem pode, efetivamente, mais, mas precisa, antes de tudo, de se libertar de conceitos e ideias que o tornam prisioneiro e, ao mesmo tempo, resignado, impassível e desconectado, diante de um mundo, obviamente no caminho errado, que não acredita poder mudar. É mais fácil resignar-se e aceitar o inaceitável como todos os demais, do que abrir os olhos, dar luta e tomar as rédeas da própria vida.

Sem dúvida, somos animais incríveis, capazes de enviar Homens à Lua, mas também à morte. O Homem contribuiu, ao longo da História, para o colapso de várias civilizações. Seja a Mesopotâmia ou o Império Romano, para só citar duas, todas tiveram o seu declínio inexorável, apesar de terem sido grandes potências.

A NASA encomendou um estudo para compreender a razão por detrás do colapso destas civilizações no passado da Humanidade. O estudo definiu que, à medida que a sociedade se torna mais complexa e a classe alta se separa da massa, a desigualdade na distribuição dos recursos faz com que haja um colapso.

Assim, haverá dois fatores que se destacam e que parecem ter desencadeado o colapso de civilizações no passado: a escassez de recursos, resultado da exaustão dos recursos naturais não renováveis ou com capacidade limitada e a estratificação económica da sociedade, em elites e massas. O cenário parece-lhe familiar?

Sabia que em 2050 seremos 9 mil milhões de pessoas e que os agricultores terão de alimentar 3 mil milhões a mais do que a população atual? A Humanidade já consome mais recursos naturais do que o planeta é capaz de repor. Nos últimos 45 anos, a demanda pelos recursos naturais do planeta dobrou, devido à elevação do padrão de vida nos países ricos e emergentes e ao aumento da população mundial.

O ritmo atual de consumo é uma ameaça para a prosperidade futura da Humanidade e até para a sua sobrevivência, principalmente devido à falta de controlo básico de recursos hídricos, de produtividade agrícola e energia.

O estudo afirma que o colapso pode ser evitado e a população pode alcançar um estado de equilíbrio na sua capacidade máxima de produção se o nível de exploração da Natureza se reduzir a um nível sustentável e se os recursos forem distribuídos de forma igualitária.

Num mundo dominado pela Ciência e pela Tecnologia, numa era de desafios cada vez maiores e incomparáveis com os do nosso passado, o Homem mergulhou muito, não na sua consciência, mas nas contradições e antagonismos e perdeu bastante da sua vida espiritual, da sua fé e natureza, da sua alma e bom senso.

O foco da sociedade contemporânea não pode mais estar direcionado apenas para a produção de riqueza, mas para a sua distribuição.

Existem meios de evitar o colapso da nossa sociedade, mas é necessária uma verdadeira e efetiva mudança de postura na relação entre o Homem e a Natureza, onde não há dominação, mas harmonia.

O grande desafio atual é o desenvolvimento sustentável que busca o equilíbrio entre o desenvolvimento económico e a preservação do meio ambiente.

O que podemos nós fazer, ao nível da união e harmonia, para o equilíbrio e preservação do nosso planeta?