“É esta exatamente a mensagem que os contos de fadas trazem à criança por múltiplas formas: que a luta contra graves dificuldades na vida é inevitável, faz parte intrínseca da existência humana – mas que se o Homem não se furtar a ela, e com coragem e determinação enfrentar dificuldades, muitas vezes inesperadas e injustas, acabará por dominar todos os obstáculos
e sair vitorioso.” Bruno Bettelheim, in A Psicanálise dos Contos de Fadas

tema deste mês podia bem ser “O poder das metáforas na terapia”, já que dentro de cada adulto habita uma criança de outrora, muitas vezes necessitada de atenção, não é verdade?
Embora a literatura que aborde o uso das metáforas no contexto terapêutico seja pouco abundante, existem diversas obras, de diversas correntes, que corroboram o seu benefício, sendo os resultados soberbos para quem a aplica.

Porém, eu sou talvez uma das maiores suspeitas para falar a respeito, já que este é sem dúvida um universo muito interessante para mim por desempenhar funções como diretora executiva, bem como de life coach, numa clínica de psicoterapia – a Clínica Dra. Rosa Basto – e também porque “devoro” literatura que fundamente a minha pesquisa no âmbito da utilização das histórias na terapia.
E para quem se fascina, como eu, pelo tema, deixo no final alguns livros que podem ser do seu interesse.
Aliás, a rubrica deste mês pretende responder a uma questão que recebo com frequência através das redes sociais por parte dos leitores (a si agradeço profundamente a curiosidade!): Qual é o papel das histórias na Terapia Diamante®?

À descoberta da
Terapia Diamante®

Adoro esta pergunta, mil e um obrigadas por se interessar pelo que fazemos! Por isso, antes de mais, permita-me explicar em breves linhas do que trata a Terapia Diamante®, para quem ainda não conhece. Trata-se, portanto, de um método psicoterapêutico desenvolvido pela Dra. Rosa Basto e que se fundamenta na utilização de várias ferramentas no tratamento de problemas do foro psicológico e psicossomático, tais como: a hipnose clínica, a hipnoanálise, a programação neurolinguística, o psicodrama transpessoal, entre muitas outras que tornam este método único.

Uma dessas ferramentas é o Storytelling. Numa primeira instância, o seu papel é estabelecer a estrutura ao processo terapêutico. Se não vejamos, cada paciente encerra em si o protagonista da sua própria história, com efeito, será levado a experienciar diversas técnicas que o remetem para ambientes imaginários, onde poderá superar obstáculos e, deste modo, cada sessão afigura-se como um capítulo da grande obra que é a sua vida.
Haverá com certeza sessões mais significativas do que outras na sua transformação, mas todas elas culminam no tão desejoso final: a reconstrução da sua história de vida com o uso pleno dos seus recursos interiores.

A função do Storytelling

O Storytelling – que é nada mais, nada menos do que a narração de histórias, ou como se universalizou no contexto psicoterapêutico o termo para “metáforas terapêuticas”, vai para além da estrutura, e está presente no decorrer de todo o processo através do recurso a linguagem simbólica e metafórica que permite estabelecer pontes entre o terapeuta e o paciente.
É especialmente válida para o terapeuta, pois facilita a inferência sobre pensamentos e sentimentos do paciente relativamente a determinadas situações.
Por sua vez, é muito útil ao paciente para se expressar através de relatos como:
“É como se estivesse de pés e mãos amarrados”, o que orienta o terapeuta para o que o paciente possa estar a sentir.
Por fim, e não menos importante, o uso das metáforas enquanto narrativas terapêuticas assume um papel fundamental quando contadas numa sessão, pois sempre que contamos uma história a alguém, em que se usam as características do próprio percurso de vida do ouvinte, estaremos a contribuir para que ele faça uma representação simbólica recorrendo a imagens mentais, onde se encontram uma diversidade de elementos que funcionam como camadas, como cores, ritmos, sons, luminosidade, texturas, olfatos, que dificilmente se descreveriam verbalmente com tamanha acuidade, mas que permitem que o paciente se “veja” através de outros pontos de vista, ampliando as possibildades de mudança.

Gostou? Então deixo-lhe alguns livros que recomendo e através dos quais pode saber mais sobre a temática de hoje.
Sei que me tem feito chegar outras questões e pretendo responder a todas, por isso fico à sua espera com uma chávena de chá quentinho na mão em outubro.
Até lá, um sopro de folhas vermelhas!

 

Livros recomendados

Bettelheim, Bruno (1985). A Psicanálise dos Contos de Fadas. Lisboa: Bertrand Editora, Lda.

Casula, Consuelo C. (2005). Metáforas: para a evolução pessoal e profissional. Rio de Janeiro: Qualitymark.

Johnson, Mark & Lakoff, George (2003). Metaphors We Live By. London: The university of Chicago press.

Jung, Carl (1964). O Homem e os seus símbolos. Nova Fronteira.

Robles, Teresa (2008). Concerto para quatro cérebros em psicoterapia. Belo Horizonte: Editora Diamante.

Skinner, B. F. (1978). O comportamento verbal. São Paulo: Cultrix.

Nota: A maioria destes livros não se encontram à venda em Portugal, mas podem ser adquiridos online.

 

Ana Basto
Licenciada em  Gestão de Marketing
Formadora de Storytelling na Mind Training®
Diretora executiva na Clínica Dra. Rosa Basto no Porto
www.drarosabasto.com
info@mindtraining.com.PT