«A gratidão leva-nos a olhar para fora de nós e a vermo-nos como parte de uma rede alargada e intrincada de relacionamentos que nos apoia e que são mutuamente recíprocos (…) é a gratidão que nos permite receber e é a gratidão que nos motiva a retribuir, devolvendo a bondade que nos foi dada. Em suma, é a gratidão que nos permite ser plenamente humanos»,

Robert Emmons.

 

Desenvolver a gratidão em momentos de adversidade, incerteza ou carência pode parecer um enorme desafio, mas dados os benefícios da prática da gratidão – demonstrados em inúmeros estudos da psicologia positiva – vale a pena experimentar alguns exercícios durante o próximo mês e ver o que acontece!

 

Benefícios da prática da gratidão

Robert Emmons, um dos maiores especialistas mundiais no estudo da gratidão, demonstrou que a prática sistemática da gratidão pode mudar para melhor a vida das pessoas, de forma não apenas visível, mas também mensurável:

Assim, as pessoas que se sentem gratas:

  • Contribuem em mais 20% – tempo ou dinheiro – para acções ou organizações solidárias;
  • Revelam maior comportamento pro-social e têm uma ligação mais forte com a comunidade ou grupo em que se inserem, faz desenvolver a reciprocidade nos relacionamentos;
  • Têm relacionamentos mais satisfatórios e têm mais amizades;
  • Têm menos 10% de doenças relacionadas com o stress;
  • São fisicamente mais saudáveis e até apresentam uma tensão arterial mais baixa;
  • São conscientemente materialistas: porque apreciam aquilo que têm, sentem-se mais satisfeitos com aquilo que têm, não precisam de estar permanentemente a comprar e adquirir coisas novas.

 

Outro aspecto importante é o de a gratidão ser inversamente proporcional à depressão: quanto mais gratas as pessoas se sentem, menos deprimidas se sentirão e o contrário também é verdadeiro. Mas, o maior benefício de praticarmos a gratidão é o facto de ela permitir contrariar a ideia de que as pessoas teriam um limite fixo de felicidade (geneticamente determinado), que apenas conseguiriam ultrapassar momentaneamente, regressando sempre e inevitavelmente a esse ponto inicial. Através da prática da gratidão essa ‘barreira’ foi quebrada, registando muitos dos participantes nos estudos realizados, profundas transformações de vida.

 

O que é a gratidão?

Quando nos sentimos gratos reconhecemos que recebemos uma oferta ou presente, reconhecemos o seu valor e apreciamos as boas intenções do doador, seja ele uma pessoa, um animal ou uma entidade maior: Deus, a vida, o Universo, etc. Acima de tudo, reconhecemos que aumentou o valor da nossa experiência.

Já reparou que o sentimento de gratidão é sempre acompanhado de emoções e sentimentos positivos? E que estes são essenciais para accionar os nossos recursos criativos!

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Artigo publicado na Zen Energy Nº 63 (edição de Abril de 2014)

 

O que nos impede de nos sentirmos gratos?

  • O enviesamento de negatividade, ou seja, a tendência humana de nos focarmos no que falta, na carência, com todas as emoções negativas daí resultantes, em vez de vermos o que já temos e recebemos;
  • A dificuldade em reconhecer o quanto dependemos dos outros para sermos felizes;
  • Conflitos psicológicos internos que podem impedir a livre expressão das nossas emoções;
  • Compararmo-nos com os outros, com aquilo que recebem;
  • Percepcionarmo-nos como vítimas das circunstâncias.

 

Pratique a gratidão

Por todas estas razões, praticar a gratidão é uma escolha consciente e muito mais simples do que poderia parecer, por isso propomos-lhe, que durante o próximo mês faça uma ou várias das seguintes coisas:

  1. Faça um diário de gratidão durante, pelo menos, uma semana deste mês: registe os bons momentos, aquilo que recebeu, mas recorde também os problemas e os desafios que conseguiu ultrapassar;
  2. Actualize regularmente o seu diário;
  3. Aprenda ou crie orações ou mantras de gratidão e diga-os;
  4. Escute os seus sentidos e comece por registar os aspectos positivos da sua saúde: o bom funcionamento do seu coração, do estômago, ter deixado de ter dores nas costas; não ter dores de cabeça, etc.
  5. Use lembretes à sua volta: ponha um aviso no seu telemóvel que o recorde de observar e registar as coisas boas do seu dia;
  6. Observe o seu diálogo interior e, se for o caso, torne-o positivo, foque-se no reconhecimento do que já é, tem ou faz e naquilo que quer ser, ter ou fazer;
  7. Pense fora da caixa e descubra formas de se sentir grato por aquilo que, à primeira vez, parece não ser bom: um conflito, a perda de um amigo, de emprego.  Já reparou que muitas vezes aquilo que parecia ser negativo se revelou como a melhor coisa que já nos aconteceu passado algum tempo?