Há muito que Pedro, director de marketing de uma empresa de telecomunicações e Inês, directora de recursos humanos na mesma empresa, não eram indiferentes um ao outro. O que começara por uma despretensiosa troca de olhares no corredor e algumas conversas no café foi-se transformando e evoluindo. O romance instalou-se e a relação amorosa entre ambos foi inevitável!

 

Na sociedade actual, a maior parte do nosso tempo é passado no local de trabalho, restando-nos muito pouco tempo disponível para qualquer outro lugar e/ou actividade.

Não podemos ignorar o facto de que nas empresas emergem, com frequência relações, nem sempre formais. É natural que, no ambiente de trabalho, surjam sentimentos e emoções entre pessoas que têm interesses e preocupações em comum e com as quais partilham maior parte das horas do seu dia. Estas afinidades podem desencadear relacionamentos afectivos, sob a forma de amizade ou de romance.

O local de trabalho torna-se assim, cada vez mais, num dos sítios comuns para conhecer pessoas, encontrar um parceiro/a e iniciar um relacionamento amoroso.

 

Uma nova realidade socio-cultural

Estudos efectuados no âmbito das organizações, apontam, para a necessidade das empresas reverem as suas estratégias para se ajustarem a esta nova realidade socio-cultural. As implicações dos romances desenvolvidos em ambiente de trabalho, são diversas e as opiniões divergem quanto a serem benéficas ou prejudiciais para os membros envolvidos, para o ambiente de trabalho e para os objectivos da organização. Actualmente, ainda não existem regras claras sobre o assunto, prevalecendo o bom senso de manter a discrição e o profissionalismo, para a maioria das empresas, enquanto para as restantes, este tipo de relacionamento não é permitido, com a justificação de que a tomada de decisões e a produtividade podem ser prejudicadas.

Importa assim que os colaboradores das empresas antes de assumirem um relacionamento com um(a) colega,se informem, via departamento de recursos humanos, das políticas de relacionamento em vigor. Esta informação será uma preciosa ajuda para saberem como agir de acordo com o código de conduta da empresa em questão. Em algumas empresas, quando o romance se torna público, a troca de departamento por parte de um dos elementos envolvidos é um ajuste necessário à conduta em vigor para esses casos.

O romance instalou-se e a relação entre ambos parece inevitável!

 

Como viver ‘um grande amor’ sem descurar o lado profissional?

  • Antes de tomar qualquer iniciativa, procure perceber a verdadeira natureza dos seus sentimentos.Sente que está a desenvolver um sentimento mais forte por um(a) colega de trabalho? Será que o que sente vai além de uma mera admiração profissional? Procure conviver naturalmente com a pessoa em questão fora do ambiente de trabalho! Será que esse seu sentir não é apenas consequência de uma situação de maior fragilidade sua, sob o ponto de vista emocional? Procure perceber se esse seu sentimento está presente apenas quando está com a pessoa em questão! Se o seu interesse pelo(a) colega não passar de uma mera aventura, procure alguém de fora da empresa!

 

  • Seja prudente e discreto! Não aja por impulso nem em momentos de euforia! Não avance sem perceber se é correspondido! Tenha uma conversa franca e discreta com o(a) colega em questão, perceba se o sentimento é recíproco. Pense antecipadamente nos dois tipos de resposta e no caso de um ‘não’ prepare-se para lidar com ele sem ressentimentos, nem desejos de vingança que comprometerão a sua produtividade e relacionamento com os demais! Não utilize nem as horas nem o ambiente de trabalho para esta conversa/encontro. É sempre preferível marcar um encontro informal para o final do dia num local agradável para ambos. Depois de assumida a relação não deixe que manifestações exgeradas de afecto ou discussões pessoais atrapalhem e/ou condicionem a relação com colegas e o ambiente de trabalho. Não use o e-mail, telemóvel e/ou qualquer outro meio da empresa para enviar mensagens amorosas. Qualquer um poderá aceder à sua intimidade!

 

  • Seja honesto! Pode sempre optar por não revelar aos demais a relação assumida, mas mais cedo ou mais tarde ela será descoberta. Até lá, ambos poderão ser alvos de comentários e boatos desnecessários. Definam quando e em que moldes vão assumir a vossa relação. Falem sobre a importância do comportamento de ambos no impacto da mesma na empresa e na produtividade de cada um. Definam as vossas regras de conduta na empresa e comuniquem claramente, mas sem grandes pormenores, a vossa relação, aos colegas, superiores e os demais envolvidos.

 

  • Mantenha o seu profissionalismo! Lembre-se sempre, apesar de ter uma relação que pode até já ser uma vida conjugal com o(a) colega de trabalho, em relação à empresa, continuam ambos a serem colaboradores independentes entre si. Não permita, em nenhuma situação, que a relação de ambos interfira com o desempenho e o comportamento profissional de cada. Evite favoritismos, sobretudo se a pessoa amada for o seu subordinado e vice-versa! Não trate afectivamente os problemas profissionais, nem procure assumir um papel fiscalizador das actividades do(a) parceiro(a), deixando as prioridades do trabalho para segundo plano. Se a relação, por qualquer motivo, terminar, procure uma solução que não penalize nenhuma das partes. Mantenha uma relação profissional saudável, evitando ataques pessoais ou profissionais na sombra de um desejo de vingança, mesmo que a vontade não seja essa. Procure resistir à tentação de se vitimizar perante os colegas! Foque-se naquele que é o objectivo do seu trabalho!

 

Não abdique de um ‘grande amor’, mas tenha sempre em mente que as horas passadas na empresa deverão ser produtivas e vividas com profissionalismo!