Em momentos de crise profunda como esta surgem incertezas. Instala-se a insegurança, a angústia e o desespero. Faz-se sentida a sombra do desemprego, a instabilidade financeira e social, as poucas perspetivas de futuro para todos nós, sem exceção. Os planos e projetos habituais já não fazem sentido. Estamos em modo de sobrevivência.Não sabemos como reagir ou o que esperar, mas sabemos menos ainda o que nos trará o dia seguinte. Com os nossos entes queridos perdemos também todas as nossas certezas; com o medo perdemos o Norte e questionamo-nos: mas porquê? O que foi que fizemos para que isto nos acontecesse?Estamos paralisados por não sabermos o desfecho desta crise e desconhecermos todas as implicações da presença deste bicho invisível na nossa vida presente e futura. Estamos entregues a nós próprios, enquanto esperamos um milagre que tarda em acontecer. Ninguém pode ajudar-nos. A salvação só pode vir de nós.Esta crise repentina e trágica a todos os níveis deixa-nos completamente nus, assim como fomos criados, sem o supérfluo ao que fomos habituados, apenas com a nossa esperança, o nosso bom senso, a nossa alma. A situação obriga-nos a pensar apenas em coisas verdadeiramente importantes e aprendemos a ser melhores pessoas ao ajudarmos quem nos rodeia e a nós mesmos. Enfim, mostra-nos a importância de saber como Ser, em vez de como Ter.Neste momento grave da história da Humanidade passamos todos pela experiência de ouvir um rugido assustador e desafiador que nos convida a despertar e a rever o nosso comportamento desenfreado e irresponsável, que estava a matar o planeta e a dizimar lentamente – embora seguramente – a Humanidade.Há acontecimentos inesperados e significativos que não associamos ao acaso; parecem ter um propósito. E esta crise humanitária veio para nos mostrar o verdadeiro caminho.A vida é uma busca de sentido para todos. É ver a oportunidade e não apenas a desgraça. É assumir as fragilidades e estarmos conscientes da nossa força. É conhecer as nossas prioridades e relativizar o resto. Existem estudos que demonstram que as pessoas pouco antes de morrerem arrependem-se, principalmente, de não terem vivido com mais intensidade, de não terem arriscado mais, de não terem vivenciado experiências extraordinárias, de não terem amado mais.É no amor que reside todo o sentido da vida do ser humano. É o amor à família, aos filhos, ao nosso país, ao nosso planeta e, porque não, a nós mesmos. É um fenómeno maravilhoso e muito complexo que tem imensas manifestações e está na base de todos os nossos atos.Assim, uma vida boa é genuinamente repleta de coisas simples. É sobretudo a grande oportunidade de amar e ser amado, dar e receber, acreditar e ter esperança, sermos humildes e questionarmos o nosso papel no mundo, bem como os nossos limites e vulnerabilidades. O quão paradoxal isto possa parecer, este bicho invisível, este inimigo temível veio despertar a nossa consciência e devolver à nossa sociedade os verdadeiros valores que nos tornam humanos.É preciso alterar o paradigma e colaborar, em vez de competir. Amar, em vez de odiar. Ajudar o outro, em vez de o esmagar. Conscientizar, em vez de ignorar. Partilhar, em vez de querer brilhar sozinho. Construir, em vez de destruir. Criar, em vez de criticar. Conjugar talentos, em vez de espremer o outro até à exaustão. Enfim, encontrar sinergias para além das diferenças e do interesse próprio.
ELISABETH BARNARDDIRETORA DA ZEN ENERGY