Tudo passa, tudo vem e tudo muda

Quando era criança ou adolescente e ficava triste por ter sido magoada por uma amiga, dececionada ou confusa pelas coisas da vida, a minha mãe costumava dizer-me: «Para de sofrer, daqui a uns tempos vais-te rir desta situação – tudo passa, tudo muda. Chegará o dia em que tudo o que passou será apenas um apanhado de lembranças que te levarão a uma aprendizagem». E a cada vez, ela lembrava-me aquele provérbio chinês: «Se algo tem solução, para quê se preocupar. Se algo não tem solução, para quê se preocupar.» A verdade é que sempre haverá algo a permanecer sobre aquilo que passou, bom ou mau. E a aprendizagem das circunstâncias boas ou menos boas pelas quais passamos deixa pegadas na nossa essência.

Vivemos num mundo de contrários e para encontrar o equilíbrio precisamos de tentar conciliá-los o melhor possível. No entanto, o equilíbrio, não é de todo como se possa imaginar, a imobilidade, é mais como se fosse um tapete voador em constante movimento. Se calhar já conhece este exercício de pilates onde devemos alongar-nos sobre um tapete de espuma, tentando descolar os braços e as pernas do solo.

Consegue-se a ‘proeza’, não ficando imóbil, mas balançando-se levemente. Percebemos rapidamente que é preciso bastante músculo e de micro movimentos para conseguir o equilíbrio. Ou seja, ficar em equilíbrio, fisica e emocionalmente, requer um constante movimento. Um espírito sereno não é um espírito onde nada acontece, mas um espírito que, de uma certa maneira, se mantém em equilíbrio, oscilando suavemente.

Hoje, com bastante mais anos e experiência de vida, cheguei à conclusão que o segredo para não sofrer é atingir este equilíbrio. E para o conseguir, precisamos de não opor resistência às nossas emoções para que elas pudessem entrar no nosso espírito e sair tranquilamente, de uma maneira fluída, sem nos destabilizar.

Desta maneira, muito lentamente, mas seguramente, abandonamos a nossa propensão óbvia para tudo o que parece agradável e a nossa aversão radical para tudo o que parece desagradável. Começamos, assim, a apreciar o processo cíclico, apaixonante da própria vida que nos faz perder em muitas circunstâncias, mas também ganhar em muitas outras. Ora temos sorte, ora falta de oportunidade. Hoje, ganho, amanhã perco. No final de contas, o que interessa é utilizar o melhor possível os instrumentos que nos são oferecidos e jogar no palco da vida, com coragem, sabedoria e, porque não, com humor e resiliência.

Se me pedissem o que é a serenidade, dizia que é a arte de ficar em equilíbrio no momento presente com um olhar aberto, lúcido, benevolente e tolerante para comigo própria e para com os outros e cultivar a compaixão.

E se nem sempre é fácil alterar ou mudar uma situação, podemos certamente incidir sobre a maneira de ver as coisas. Coloque outro par de óculos e vai reagir de uma maneira diferente aos eventos da sua vida. Ou seja, mude os seus pensamentos para poder ver o lado bom das coisas.

Nesta edição, vamos aprender a abrir o nosso coração e permitir à nossa mente a aceitar com sabedoria aquilo que não podemos mudar, confiando no processo divino da força da vida, sabendo que tudo tem o seu propósito.