Somos frágeis mas mais fortes ao mesmo tempo

‘Caiu-me na mão’ um livro chamado Sente-se como um Buda, escrito por Lodro Rinzler, e que me chamou a atenção por ser pequeno, compacto e conter informação concreta acerca de como conseguir meditar e obter resultados visíveis de uma maneira transformadora.

É difícil definir a meditação, pois é uma prática que surgiu há muito tempo em várias religiões e com diversas técnicas e propósitos diferentes. Pesquisas têm demostrado constantemente, nos últimos anos, os benefícios incontestáveis de se sentar diariamente ou, pelo menos, 3 vezes por semana, para acalmar a mente.

Parece que ao reservarmos apenas 10-20 minutos por dia para a prática, podemos mudar todos os aspetos da nossa vida para melhor. Ou seja, pouco a pouco, vamos ter mais controlo sobre nós mesmos, até nos momentos mais complicados da nossa vida.

Ao prestar atenção ao que se passa na nossa mente, ganhamos perspetiva e percebemos que não temos de ficar escravos das nossas emoções e pensamentos.

A meditação, já conhecida há tantos anos, nunca foi tão necessária como hoje. Deveria ser aprendida nas escolas e tornar-se um hábito comum de saúde, como caminhar ou comer legumes.

Pode parecer absurdo não se querer fazer nada e esperar resultados positivos nesta sociedade atribulada, onde tudo tem de ser imediato, intenso e palpitante. Mas, é preciso encontrar paz e satisfação nestes tempos tão conturbados e frenéticos que resultam na maior parte do tempo em estados de ansiedade, stress e depressão e, mesmo, de dores físicas, muitas vezes sem razões óbvias.

Como uma boa parte da população, o leitor também deve já ter sentido dor algures no corpo ou na alma. A meditação é um famoso analgésico que diminui a perceção da dor nas pessoas, mesmo após breves sessões.

Há estudos que revelam porquê: a meditação muda a forma como o cérebro processa os sinais da dor. Ficou comprovado que depois da meditação, a atividade cerebral diminui em áreas dedicadas à dor e em áreas responsáveis pela transmissão de informações sensoriais. Enquanto isso, as regiões que modulam a dor ficam ocupadas e, consequentemente, a dor é menos intensa e menos desagradável.

A boa notícia é que os estudos têm mostrado que os benefícios da meditação ocorrem rapidamente. Não é preciso tornar-se num monge a praticar 12 horas por dia para aliviar a sua dor. A outra boa notícia é que a meditação é boa para tudo. Só temos de manter a sua prática.

O ser humano tem medo de sofrer e opomos grande resistência ao sofrimento, quer seja físico, mental ou espiritual. No entanto, é difícil escapar-lhe. Todos nós somos humanos e confrontados, um dia, com o sofrimento. Todos nós somos capazes de vir a sentir dor, esta sensibilidade que nos une uns aos outros. Temos um corpo e isso implica conhecer a doença, a dor e, um dia, também a morte. No entanto, frente ao sofrimento, não somos todos iguais. É melhor estarmos preparados para quando
for necessário.

A meditação é uma excelente ferramenta para aprender a lidar com a dor e evitar o sofrimento. Mas, há outras terapias e métodos que não são milagrosos, mas que têm bons resultados.

Sem dúvida, não existe uma resposta fácil para a pergunta: como nos libertarmos da dor e do sofrimento? Mas, nesta edição da revista, vamos tentar fazer o possível para guiá-lo nesta matéria, de maneira a conhecer ensinamentos, práticas e métodos úteis para relaxar, curar dores, equilibrar o seu corpo e as suas energias. O seu corpo agradece.