Viva construtivamente consigo mesmo

Quando aprendemos a conhecer-nos, a aceitar-nos como somos e a reconstruirmo-nos numa base consciente e amorosa tendemos naturalmente a refletir esse padrão nos nossos relacionamentos. E se a felicidade e a paz dependem maioritariamente
(para não dizer exclusivamente) de nós, então vamos aprender a construí-las…

Sempre que projetamos externamente (neste caso, no outro) expectativas, desejos e necessidades pessoais, abrimos a porta à frustração e, através dela, ao sofrimento e à revolta, que são a antítese do que mais desejamos  – a felicidade e a paz, entendidas como fonte de realização plena do Ser.

Aprender a viver pacífica e construtivamente consigo mesmo (fora das zonas de “conforto” e rumo à plenitude última de si mesmo) é um desafio permanente, porém limitado, pois só através da interação com o outro podemos real e profundamente conhecer-nos, desafiar-nos e superar-nos. Como se costuma dizer, quem caminha sozinho anda mais rápido, quem segue acompanhado chega mais longe.

Vamos aprendendo  a “estar”

Não há manuais normativos para  a vida: vai-se aprendendo a ser filho, a ser mãe, a trabalhar, a conviver. Vai-se aprendendo a “estar” e neste trajeto vai-se aprendendo a “ser”, seja na relação com o outro, seja consigo mesmo. E nesta rota a que chamamos “vida”, os que foram estudando e aprendendo meios hábeis de lidar de forma mais construtiva
e eficaz com estes fenómenos de interação intra e interpessoal foram-nos deixando legados que consideramos “pistas” para trilhar estas rotas.

É o que acontece nos programas de base mindfulness ou de atenção plena (acessíveis a todos e em qualquer situação) para fomentar a satisfação pessoal através da relação íntima com o outro; ou seja, para fomentar e apoiar relações ditas “conjugais” numa base mais harmoniosa e mutuamente construtiva.

Com base em técnicas simples – que requerem (a) o reconhecimento da autorresponsabilidade nos processos de mudança e (b) o compromisso pessoal para com o desenvolvimento e manutenção de um estado permanente de consciência – estes “programas” propiciam as condições para ambos se realizarem na sua verdadeira essência individual, mantendo uma relação saudável e amorosa (de interajuda e intermotivação).

O que se aprende?

1. Identificar, monitorizar e manter valores que sejam importantes para ambos (individuais e em conjunto);

2. Fomentar a aceitação – nas frustrações, nos jogos de dependência mútua, nas relações familiares fora do núcleo conjugal, nas dificuldades
e imprevistos, no processo de envelhecimento, etc.;

3. Dissociar-se (de crenças, atitudes e emoções que “minam” a relação),
a largar (o medo, a pressa e a necessidade de controlo e poder), a cultivar e manter o humor e o perdão;

4. Estar presente e inteiramente disponível para o outro (reforçando
os laços afetivos);

5. Manifestar a própria individuação e respeito mútuo;

6. Comprometer-se amorosamente consigo mesmo e com o outro.

Este é um dos temas que iremos abordar no Retiro Meditação e Mindfulness Vivencial a realizar na Arrábida, em Abril.