O dia especial e hoje

Ao criar e imaginar esta nova revista dei por mim, mais do que nunca, a refletir intensamente no que realmente faz com que consideremos
a nossa vida boa. E se é bem claro que cada um tem parâmetros diferentes, em função da personalidade, vivência, experiência ou expectativas, não é menos verdade que existe uma base comum aceite por todos e que faz a diferença quando devemos considerar a nossa vida boa ou não.

Uma vida boa requer uma certa quantidade de coisas básicas: comida, abrigo e vestuário, mas muitas outras coisas, como saúde física, mental, emocional e também espiritual.

Enquanto crianças e jovens temos ainda inúmeras possibilidades, tudo está por descobrir, experimentar e vivenciar. Em adultos, temos inúmeras realidades, mas não é por isso que temos de desistir das nossas ilusões e sonhos. Diz-se que uma pessoa é velha quando substitui as ilusões pelas recordações. Recordar bons momentos de vez em quando pode ser benéfico e inspirador, mas vibrar com o momento presente, desfrutando de tudo o que possa trazer-nos de enriquecedor não tem preço. Pois o próprio Futuro é consequência da criação do Agora.

Todos esperamos alcançar a tão desejada Felicidade e, muitas vezes, nem sabemos o que nos faz feliz. Ou pior ainda: estamos completamente errados quanto ao que nos deixa feliz. Os quatro elementos fundamentais da felicidade são amor, amizade, trabalho e cultura. Mas sem saúde torna-se muito mais complicado, embora não seja impossível para uma pessoa que sabe o que quer na vida.

Qualquer sintoma físico, emocional ou de outra ordem
é, na verdade, sinónimo de um desalinhamento entre uma das nossas dimensões básicas: a trilogia física, mental
e espiritual. Ao longo da vida, sentimo-nos pressionados por problemas que parecem impossíveis de solucionar. E muitas vezes estes problemas nem nos pertencem, mas sim aos nossos pais, filhos, companheiros ou amigos, acabando por nos influenciar bastante, quer queiramos quer não.
Mas insisto: o que é uma vida boa? Se recordarmos o que Aristóteles disse, uma vida boa envolve atuar bem, de acordo com a nossa natureza.

À medida que aprendemos a equilibrar as três partes da nossa natureza (mente, corpo e espírito), amadurecemos a compreensão das coisas e tornamo-nos mais completos enquanto seres humanos. Levamos uma vida mais plena, harmoniosa, consciente e – por que não –
– mais feliz. Qualquer desequilíbrio num dos níveis provoca infelicidade, depressão e doença.
Encontrar a paz interior e permanecer sereno e equilibrado na agitação contínua da vida parece-me um grande passo para viver uma vida boa. O equilíbrio energético do Universo começa, afinal, no equilíbrio energético de nós mesmos. É um processo de dentro para fora.

O conceito de qualidade de vida está diretamente associado à autoestima e ao bem-estar pessoal, e compreende todos os aspetos, do nível socioeconómico ao estado mental, emocional e intelectual, familiar, profissional, etc. Diria que é a satisfação do indivíduo no que diz respeito à sua vida quotidiana e ao lugar que ocupa no Universo.
Nesta segunda edição da revista continuaremos a orientar e a apoiar todos os nossos leitores que querem viver HOJE uma vida boa.

Elisabeth Barnard
Diretora