Proteger-se da doença do século

Estudos demonstram que a maior parte das doenças têm algo em comum – a intoxicação do organismo.

É lamentável que estejamos todos submersos numa sopa química, do ar que respiramos, da água que bebemos, da comida que comemos, dos produtos de consumo que usamos e até da roupa que vestimos.

A OMS alertou repetidamente para os riscos na saúde humana provenientes dos químicos presentes na maioria dos produtos industriais que temos em casa, nos equipamentos eletrónicos, nos produtos de higiene e cosméticos, questionando e incriminando veementemente até os aditivos
e contaminantes encontrados em alimentos.
Mas será possível, na era da tecnologia, morrer envenenado, em silêncio total, na ignorância mais profunda e no assentimento geral? Sim, é!

Ainda não existem estudos científicos concretos que digam com exatidão o que acontece após uma alta exposição a tóxicos, mas associações internacionais, como a Greenpeace, defendem que pode causar um forte impacto na saúde de todos nós.

Pode acontecer a qualquer um. Ninguém pode escapar. Pode ser uma daquelas pessoas que toma vitaminas, minerais e antioxidantes, e que tenta levar uma vida saudável
e mesmo assim a sua saúde não é o que se poderia esperar.
Não é de estranhar pensar que até os alimentos que ingerimos e achamos serem saudáveis estão contaminados com inúmeros poluentes tóxicos.

No Reino Unido, por exemplo, 37% das crianças entre 1 e 3 anos apresentam ingestão de poluentes acima do limite sugerido pelas autoridades governamentais e de saúde. Até a água pluvial europeia está atualmente tão contaminada com agrotóxicos dissolvidos que os níveis desses poluentes excedem os valores estipulados para água potável.

É de conscientizar que enquanto uma ou outra substância química isolada pode não representar um perigo para
a nossa saúde, o efeito sinergético de vários químicos a interagirem de modo desconhecido, poderá ter efeitos negativos pouco previsíveis.

A Greenpeace afirma num dos seus relatórios que cada pessoa à face da Terra estaria contaminada com até 200 compostos sintéticos e que, ano após ano, novas substâncias são acrescentadas a essa mistura. Um efeito
cocktail que poderia explicar a grande ascensão de alguns tipos de cancro e outras doenças.

Se na maior parte dos casos nada se sabe sobre os efeitos a longo prazo de muitos desses poluentes, especialmente quando agem em combinação, os compostos que foram estudados com mais atenção revelam estar associados a uma alarmante gama de doenças.

É possível que nunca tenhamos a certeza se esses poluentes estão ou não por detrás do aumento das doenças crónicas, do cancro, das doenças do sistema reprodutivo ou ainda do sistema nervoso, mas as evidências atualmente disponíveis não podem ser ignoradas.

Precisamos urgentemente de leis que nos protejam da exposição continuada a esses compostos. As autoridades do mundo inteiro têm de se mobilizar, tomar medidas urgentes e transparentes para diminuir e eliminar a libertação de substâncias químicas perigosas.

É primordial compreender, estar informado, ter ferramentas úteis para se proteger, conhecer a eficácia das terapias complementares que podem ajudar. Esta é a razão pela qual decidimos dedicar esta edição à compreensão desta doença. É importante identificar e eliminar as causas, transformar o nosso comportamento e modificar
a perceção do que realmente é e não é o cancro.