“Quase todos podem tomar estes suplementos, mas sob orientação do médico ou farmacêutico.”

Quando o objetivo é aumentar os níveis de energia e combater o cansaço, diversas pessoas optam por recorrer aos suplementos alimentares. No entanto, revela-se necessário colocar um ponto final em determinados mitos e procurar aconselhamento especializado antes de dar início à toma destes suplementos.

Antes de mais, o que são suplementos alimentares?

Os suplementos alimentares incluem produtos calóricos, proteínas, sais minerais, nestes compreendidos os oligoelementos.

 

Qual é a sua função?

Trata-se de elementos ou conjuntos de elementos, moléculas, princípios ativos, que potenciam, melhoram ou contribuem para regular o metabolismo sem causarem danos ou dependência. Contribuem para melhorar o bem-estar e a qualidade de vida física e psíquica, e oferecem ainda um equilíbrio eco-bio-psíco-sócio-sexual.

 

Como deve ser feita a toma, uma vez que os suplementos alimentares não substituem a alimentação?

Devem ser tomados seguindo à risca as indicações do fabricante e do médico ou farmacêutico, pois podem existir contra-indicações. Por exemplo, um indivíduo que tome Varfarine, um anticoagulante, não deve tomar suplementos que contenham Vitamina K, assim como quem toma Estatinas não deve tomar suplementos com toranja.

 

 

Existem contraindicações a que devemos prestar atenção?

Para além do já dito, fórmulas para a mulher na menopausa não serão, por exemplo, indicadas para um sénior do sexo masculino ou para um adolescente masculino em plena fase de desenvolvimento nem para uma grávida.

 

Estes suplementos destinam-se apenas aos desportistas ou qualquer pessoa pode tomá-los?

Quase todos podem tomar estes suplementos, mas sob orientação do médico ou farmacêutico. Existem fórmulas adaptadas para bebés, crianças, desportistas, jovens, grávidas, meia-idade, mulheres na menopausa e seniores, entre outros.

 

Após a toma, é verdade que o rendimento de um desportista cresce exponencialmente?

Não é verdade: os suplementos não substituem o treino. Ajudam unicamente a melhorar e a otimizar os resultados do treino, compensando algum desgaste eventualmente excessivo. Deve realçar-se que é da maior importância verificar se na sua composição existem produtos contidos na lista de antidopagem.

 

Por vezes, a procura de melhores resultados leva-nos a tomar doses exageradas. Que consequências poderão existir?

As doses recomendadas devem ser rigorosamente cumpridas: excesso de Vitamina D pode ser tóxico; o excesso de proteínas na alimentação pode ser nocivo; suplementos com grande quantidade de açúcares de absorção rápida têm indicações muito específicas e restritas. Os “Detox” devem ser bem estudados, com aconselhamento médico ou farmacêutico rigoroso. Suplementos com hipericão podem, por ativação de processos na área dos citocromos, cortar os efeitos da pílula contracetiva e originarem gravidez indesejada, bem como interferirem com o metabolismo de outros fármacos.

 

Que mitos ainda existem em torno dos suplementos alimentares que são necessários desvendar?

Não curam, podem contribuir para a cura e para uma cura mais rápida, para um tempo de recuperação mais curto. Podem ter efeitos secundários se não forem respeitadas as doses indicadas. Exigem uma hidratação, uma ingestão de água adequada, uma alimentação saudável, de acordo com a Direcção Geral de Saúde, Nutricionistas, Médicos, OMS.

Rui Ponce Leão, médico de clínica geral e familiar no Hospital de Santa Maria no Porto