Inúmeros estudos mostram que a generosidade traz mais benefícios ao ser humano do que se possa pensar e vai além de uma boa dose de contentamento passageiro com nós mesmos. Parece que melhora mesmo o nosso bem-estar físico e mental, deixa-nos mais saudáveis e proporciona-nos mais anos de vida.

 

A sociedade moderna consumista bombardeia-nos diariamente com mensagens sobre aquilo que nos deveria trazer a tão desejada felicidade, ou seja, riqueza, sucesso, luxo. Mas, estudos mostram que não precisamos de tanto para nos sentirmos valorizados, em harmonia com nós mesmos, com os outros e para apreciar a vida e ter um sentido.

Foi demonstrado que uma vez as nossas necessidades básicas preenchidas, comida, alojamento, uma certa segurança financeira, a riqueza contribui de uma maneira insignificante para o nosso bem-estar.

Mais ainda, parece que há uma relação estreita entre o não materialismo e o bem-estar. Enquanto possuir riqueza e bens materiais poderá trazer grande ansiedade, angústia, preocupação e, até, medo, abrir mão dela, pode contribuir decisivamente para a nossa serenidade e equilíbrio.

O voluntariado será a melhor coisa a fazer para aumentar a nossa saúde mental e física.

Especialistas afirmam que os benefícios de saúde resultantes do voluntariado ultrapassam até os benefícios proporcionados pelo exercício físico.

 

Ser generoso e altruísta, ignorar as mensagens subliminares dos media e evitar acumular coisas desnecessárias, seria o grande segredo do bem-estar nos dias de hoje. Um estilo de vida guiado pela empatia, generosidade e altruísmo, com baixo nível de consumo, pode não agradar aos economistas e aos políticos mas, é capaz de nos proporcionar mais felicidade.

 

Para poder constatar o que acontece quando somos generosos, o neurocientista Jordan Grafman fez um estudo com 17 voluntários através de um scan ao cérebro. Descobriu que são ativadas as mesmas partes do cérebro como quando comemos chocolate ou temos relações sexuais. As pessoas experienciam sentimentos de felicidade ainda mais fortes quando veem o impacto positivo da sua generosidade e quando sentem que o seu gesto fez mesmo a diferença na vida de alguém. Funciona, sobretudo, se há causas bem específicas, como por exemplo, proteger as crianças de África contra a malária com uma doação de 10 euros para comprar uma rede anti-mosquitos, em vez de promessas mais gerais.

 

Todas as gerações ganham bem-estar com a generosidade, mas parece que os seniores são os mais beneficiados. Menores taxas de mortalidade precoce e taxas de depressão muito reduzidas são o resultado óbvio para as pessoas que fazem voluntariado mais tarde na vida. Estudos demonstram que essas pessoas desfrutam de uma maior capacidade funcional e de uma satisfação com a vida claramente superior à dos outros.

O voluntariado não só proporciona uma atividade social e física necessária ao bem-estar dessas pessoas, mas também um propósito nobre, muito importante numa altura em que a função social delas muda drasticamente com a reforma.

A saúde das pessoas que se dedicam muito ao voluntariado – umas 100 horas/ano – tem mais probabilidade de ser melhorada, do que a saúde dos que fazem menos ou nada.

 

O sociólogo Christian Smith, autor do livro, O Paradoxo da Generosidade, pensa que as pessoas seriam mais generosas se não considerassem a doação de dinheiro ou de bens como uma perda ao nível pessoal. Muitos não percebem que eles próprios também ganham com a ação de generosidade e não só os que recebem.

O livro resume as descobertas mais impressionantes e mais exaustivas jamais feitas sobre o ato de doar. Foram seguidos durante 5 anos o estilo e os hábitos de vida e de consumo de 2000 pessoas.

Constatou-se que a percentagem que é doada não tem nenhuma relação com aquilo que as pessoas ganham. Quanto mais ganham, menos estão dispostas a partilhar. E, muitas vezes, os que têm rendimentos mais modestos são mais generosos.

O estudo revela que não é por não terem meios que as pessoas não doam mais. Acham que não têm dinheiro e tempo suficientes, contudo, podiam ser mais generosas.

 

A generosidade não só nos pode proporcionar mais felicidade, mas também consegue salvar o nosso casamento. Junto com a intimidade sexual e o compromisso, a generosidade é um dos três pilares da felicidade conjugal.

Indivíduos generosos são mais propensos a serem felizes no casamento, mostram vários estudos. A conclusão dos estudos pode parecer óbvia demais, porém constatou-se que as duas coisas básicas que movem um relacionamento até ao fim da vida são a generosidade e a bondade. O resultado dos estudos levou os cientistas à conclusão de que a generosidade é fundamental para o relacionamento entre o casal.

As grandes oportunidades de ajudar os outros raramente acontecem, mas as pequenas surgem todos os dias.