Sentimento de abandono?

Se há temas recorrentes e confisões frequentes são as da sensação de abandono, de falta e de carência com origem na infância e que se mantêm, por vezes, até à 3ª idade. Mas, o que é que está na base desta falta e deste vazio? Que fazemos nós para que este espaço seja preenchido ao longo da vida? Continuaremos durante toda uma vida a culpar os nossos pais e familiares por algo que não tivemos, mas queríamos ter tido? Como expressamos o sentimento de abandono? Cobrando e exigindo o impossível do outro? Pedindo mais atenção ou, pelo contrário, dominando e manipulando, usando máscaras sociais de superioridade?

titudes como a chantagem emocional, a vitimização, a cobrança para que as coisas sejam do modo que queremos com regras rígidas e egoístas são frequentes quando queremos o que não tivemos. Aliás, todos nós ao longo da vida temos episódios (uns mais frequentes que outros) em que nos sentimos sós, incompreendidos. Outras vezes,

a necessidade de agradar e de ser útil em troca de amor, reconhecimento, proteção é tão grande que permitimos de mais e não pomos fronteiras ao outro. Não sabemos dizer não, não queremos dececionar, desiludir.

Como superar!

Acredito que a superação da sensação de abandono não se cura por tentativas (às vezes forçadas) em obter companhia através de casamentos ou relacionamentos de conveniência, mas antes pelo encontro verdadeiro com cada um. Somente quando estiver cara a cara consigo, coração com coração, verdade com verdade, poderá curar e sarar as suas feridas. Ganhe consciência de que é um ser humano, que tal como outro, erra, falha, tem medos e inseguranças e assim foram os seus pais. Acredito que cada um de nós faz e dá o melhor de si próprio, porém nem sempre estamos bem, equilibrados, o que faz com que as nossas manifestações nem sempre correspondam às expetativas do outro. Note, eu sou mãe de dois filhos. Uma mãe 100% presente, disponível, que lhe diz mil vezes ao dia que os ama e, ainda assim, quando crescerem, terão algo para
me apontar…

Então, como se preencher? Simplesmente, goste de si! Cultive a arte de estar consigo! Mime-se! Corpo e alma merecem ser bem tratados.

Crie momentos especiais

– Vista a roupa que mais gosta! Momentos especiais são todos os dias!

– Vá ao cabeleireiro;

– Arranje as mãos e os pés. Escolha cores, como o vermelho ou o laranja, para se sentir com mais vida, energia e amor;

– Dê um passeio, caminhe sem pressa, sentindo cada passo, cada brisa, cada raio de Sol ou pingo de chuva;

– Desfrute de uma refeição saudável em frente ao mar, mastigue com todo o tempo do mundo, sentindo a textura, o paladar e o cheiro de cada alimento;

– Faça uma sessão de meditação, aproveite todos os minutos e segundos para sentir a sua respiração, o seu coração;

– Leia um ‘bom’ livro, onde aprenda algo novo e que seja realmente útil para o seu crescimento;

– Faça uma viagem, conheça novos locais;

– Que hobbies tem? Aprenda algo que sempre sonhou aprender. Inscreva-se nalguma formação. Aprenda a tocar piano ou a falar um novo idioma. Conhecer novas pessoas amplia o nosso mundo;

– Faça alterações na sua casa. Pinte uma parede, coloque papel ou, simplesmente, mude cortinados ou compre novas almofadas;

– Limpe os seus armários. Doe tudo aquilo que não usou no último ano;

– Pinte, escreva, cante. Não se esqueça que pode a qualquer momento mudar o rumo da sua vida e optar por ser feliz!

– Ponha-se em primeiro lugar. Apenas consigo vai viver para sempre! E como dizia a publicidade: Se não gostar de si, quem gostará?

E, não se esqueça, não existem culpados nem vítimas, apenas circuntâncias que nos põem à prova para nos tornarmos seres mais capazes, especiais e felizes.