Desde o início do século XX que se fala de inteligência humana ou QI (quociente de inteligência). Mais tarde, na década de 90, “descobrimos” que não bastava ao ser humano ser “pensante”, racional e analítico, se não soubesse lidar e gerir as emoções. Então, passámos a falar de inteligência emocional.

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Segundo Dana Zohar da Universidade de Oxford, a existência de um terceiro tipo de inteligência aumenta o horizonte do ser humano, tornando-o mais criativo e capaz de encontrar (ou reencontrar) um significado ou propósito de vida. Ainda que esta área esteja um pouco adormecida numa sociedade assustada e que tem determinados tabus em relação à palavra espiritualidade, esta professora e autora de oito livros revela que é a terceira inteligência que coloca os nossos atos e experiências num contexto mais amplo de sentido e valor. Ter um quociente espiritual elevado faz com que cada um de nós consiga ter mais foco em direção à sua essência e, consequentemente, uma melhor e mais satisfatória realização pessoal a diversos níveis. O desenvolvimento desta inteligência torna-nos mais confiantes na resolução dos problemas, desafios e até no controlo dos níveis de ansiedade.

3 Tipos de inteligência

Cientistas descobriram que temos um “ponto de Deus” no cérebro. Trata-se de uma área nos lóbulos temporais que é responsável pelas experiências espirituais e que nos liga a quem somos e ao que queremos ser. Assim, somos constituídos por três áreas que se completam:

  1. Inteligência intelectual. Abrange o pensamento racional e lógico.
  • Inteligência emocional. Permite reconhecer padrões, hábitos e emoções. Foi apresentada ao mundo pelo psicólogo Daniel Goleman, considerado o pai da inteligência emocional. Goleman referiu que a correta gestão das emoções passa pelo autocontrolo e altruísmo – duas atitudes morais urgentes no nosso tempo. Segundo este prestigiado jornalista e psicólogo, a capacidade de controlar os impulsos é a base da força de vontade e do carácter. Na sua opinião, o uso exacerbado da tecnologia limita a interação humana e, consequentemente, a empatia de que necessitamos para colocar as emoções em ação, sendo o distanciamento criado prejudicial para o desenvolvimento humano.
  • Inteligência espiritual. Permite o pensamento criativo a partir da intuição, capaz de promover insights. Lida com a alma, a essência, o ser mais profundo. É o poder transformador que, após me “sintonizar” com a minha forma de estar, sentir e atuar, me permite questionar se quero permanecer em determinadas situações. Esta mesma inteligência possibilita integrar as emoções intrapessoais e interpessoais, diminuindo a distância entre o Eu e o outro.Segundo Dana Zohar, inteligência espiritual relaciona-se com o que sou e com os meus valores, sendo necessário alimentar esta inteligência para motivar a cooperação entre a família, a comunidade, os países.

Quer aumentar este Quociente?

Ocupe-se e preencha a mente com pensamentos positivos; acorde com sentimentos de gratidão e um sorriso que expresse vontade de viver a vida. Aprenda a estar mais no momento presente, deixando para trás os pensamentos que a maior parte de nós tem em relação às incertezas do dia de amanhã ou o saudosismo relacionado com vivências do passado.

A espiritualidade começa a ser considerada um tipo de inteligência, ultrapassando tabus e sendo reconhecida em grandes universidades como algo complementar ao sucesso pessoal e profissional dos seres humanos. Este quociente não está obrigatoriamente relacionado com uma religião, mas sim com uma maior perceção da vida, pois tal como refere William Blake “se as portas da perceção fossem purificadas, tudo nos pareceria como é, infinito.”