A maior fonte de sabedoria onde as respostas fluem sem esforço e que possuem todas as respostas, que precisamos ter nas nossas vidas, está bem mais perto do que pensamos.

Alguns buscam Gurus, Mestres, Amigos, Pais, Professores e outros mais com o objectivo de que respondam o que é melhor para si, qual o melhor caminho a tomar, qual a melhor decisão neste momento.

Buscar ajuda com outras pessoas é muito bom e expande-nos muito, mas chega o momento em que cada um precisa encontrar o seu verdadeiro Mestre. Esse momento é hoje. Como diz o ditado, «quando o discípulo está pronto, o Mestre aparece».

 

Acontece que esse Mestre está dentro de si, é o seu coração. É ele quem tem as melhores respostas para nós. Escute-o e coloque em acção.

Quando falamos coração, não queremos dizer o órgão físico, mas sim o sentimento mais puro, a nossa própria essência que fica representada simbolicamente no nosso peito. A nossa essência está conectada com a Mente Universal, faz parte desse campo maior que chamamos Deus ou Universo. Por estar em conexão com tudo, essa essência sabe exactamente o que é melhor para nós, qual o nosso verdadeiro caminho.

Se a nossa essência sabe isso tudo, porque não a seguimos?

Temos muita dificuldade em escutá-la, pois ela não fala a linguagem da mente, mas sim a linguagem do silêncio. Só quando estamos em silêncio na nossa mente, presentes em nós mesmos, nas nossas sensações, é que esta voz vem e nos dá o seu recado. Às vezes através de um pensamento que surge do nada, às vezes através de uma sensação que diz se a pessoa na sua frente é uma boa companhia para si ou não. Ela possui muitos sinais, em cada pessoa manifesta-se de uma forma diferente. Cabe a cada um reconhecer em si como esta manifestação acontece. O que é certo é que em todos acontece, alguns apenas não reconhecem. Quer ver como acontece?

 

Dar voz ao nosso inconsciente

Em algum momento da sua vida, enquanto estava quase a dormir ou quase a acordar, ou então quando tomava banho simplesmente relaxado, sem pensar em nada, deve ter tido alguma ideia do nada sobre alguma área ou aspecto da sua vida. Pense um pouco e veja se não teve?

O que acontece depois disso, (e talvez por isso seja difícil de lembrar para alguns), é que se não se levantar da cama e anotar a ideia ou, então, sair do banho e anotar, algum tempo depois ela desaparece e você não consegue voltar a lembrar-se, não é verdade?

Porque isto ocorre?

Acontece que em momentos como estes, quando está, por exemplo, quase a despertar pela manhã, o seu consciente ainda está bem calmo, bem devagar, dando a oportunidade para o seu inconsciente falar. É o inconsciente que está conectado com esta Mente Universal. É dele que vêm as intuições e insights, as ideias que mudam a vida de muitas pessoas, a voz do coração.

Durante o dia, normalmente a nossa mente consciente está muito activa, estamos a pensar o tempo todo sem nenhuma folga. Se não tem uma brecha no pensamento consciente, como pode o inconsciente manifestar-se?

Não pode e normalmente não se manifesta. Ele pode até tentar, mas tudo fica confundido no meio de todos os pensamentos que passam pela nossa cabeça.

Para escutar esta voz, precisamos dar voz ao nosso inconsciente, (alguns chamam de mente consciente superior), e se não treinarmos isso, esta voz só aparece em momentos como os já citados, onde normalmente as informações acabam por ser perdidas.

 

E o que fazer para escutar mais esta voz?

Em primeiro lugar, ande sempre com um caderno e anote todas as ideias que surgirem na sua mente ‘do nada’.

Quando for dormir, deixe este caderno juntamente com uma caneta (e uma lanterna ou abajur) na cabeceira da sua cama. Quando alguma ideia surgir no meio da noite ou de manhã, ou antes de dormir, vença o cansaço, abra os olhos, pegue no caderno e escreva a ideia com o máximo de detalhes que conseguir. Vai valer a pena.

Existem alguns relatos sobre Einstein que dizem que as suas melhores ideias vinham quando ele estava a tomar banho.

Se quiser e puder, separe uma metade deste caderno e anote também os seus sonhos, eles trazem muitos sinais sobre a nossa linguagem inconsciente.

 

Mas, só em momentos como os citados acima é que isto acontece?

Não, podemos fazer isto acontecer noutros momentos do nosso dia, só precisamos de treinar a nossa mente a silenciar-se de vez em quando.

E como fazer isso?

Abaixo alguns exercícios simples que ajudam nisso:

  • Pratique algum tipo de meditação, pelo menos a mais simples de ficar atento à própria respiração. Faça isso diariamente. Não é necessário parar e sentar-se com as pernas cruzadas para isso. Podemos fazer em qualquer momento: no transporte para o trabalho, enquanto caminhamos pela rua…
    • Basta colocar a sua mente focada na respiração;
    • Quando estiver a fazer bem isso diariamente, comece a procurar outras formas mais avançadas;

 

  • Tai chi chuan, yoga e chi kung também ajudam. Se puder praticar algumas vezes por semana alguma actividade destas, será muito bom. Estas actividades levam-nos para dentro, para focar e sentir o nosso próprio corpo;
    • Se não tem experiência, procure um professor que possa ajudá-lo;

 

  • Aprecie a Natureza: um belo jardim, uma praia, uma flor, um pássaro;
    • Esta apreciação diminui o ritmo dos pensamentos e conecta-nos mais com os sentimentos;

 

  • Escute músicas mais tranquilas, com ritmos suaves sempre que puder. Elas ajudam a gerar um ritmo mais harmónico na mente;

 

  • Encontre a sua própria forma de fazer isto no seu dia-a-dia. Dentro do seu quotidiano, o que pode fazer, algo bem simples, que o leve a relaxar mais e diminuir o fluxo dos pensamentos? Pense nisso…

 

E, fundamentalmente, exercite o Agora, estar no presente. Este será o factor-chave para saber diferenciar o que é uma intuição, do que é um pensamento.

 

Artigo publicado na Zen Energy Nº 75 (edição de Abril de 2015)