Contributo  da intervenção psicológica no processo de redução de peso

oje em dia, acredita-se que devido à diversidade de factores que contribuem para o aumento de peso, este processo requer a intervenção de uma equipa multidisciplinar que poderá ajudar a combater este problema, minimizando os efeitos nocivos à saúde e melhorando a qualidade de vida das pessoas.

As emoções

e a perda de peso

De que forma é que as nossas emoções podem prejudicar o processo de perda de peso?

Factores como o stress, a ansiedade excessiva, depressão, problemas relacionais, insucesso no trabalho ou desemprego podem provocar a ingestão exagerada de alimentos ou a ingestão de alimentos mais calóricos, e, consequentemente, insatisfação com o corpo. Esta insatisfação é habitualmente acompanhada por sentimentos de culpa, vergonha, raiva, incapacidade, impotência e desesperança que, por sua vez, levam a uma maior ingestão alimentar. Assim, as pessoas usam a comida como forma ilusória de se tranquilizarem, uma vez que estas emoções negativas que as levam a comer em excesso e, consequentemente, a engordar provocam sentimentos de culpa e ineficácia, entrando num verdadeiro ciclo vicioso.

Muitas vezes, a comida é usada como forma de colmatar algum desconforto emocional. A compulsão alimentar pode surgir como um sintoma de mal-
-estar.

O excesso de peso pode também estar a cumprir uma função. Para quem sofre de ansiedade ou fobia social ou não tem competências de socialização ou para quem tem medo de ter uma relação de intimidade, a insatisfação com a imagem corporal pode ter uma função de evitamento ou fuga da vida social ou afectiva, servindo como desculpa para não sair de casa, sair com amigos ou conhecer alguém.

Os nossos pensamentos podem sabotar  a perda de peso?

A perda de peso requer novos comportamentos e um novo estilo de vida. Para isso, é importante mudar também a forma de pensar. Hoje em dia, na nossa sociedade, existe um fascínio por tudo o que é rápido, a curto prazo. As pessoas querem perder peso em 15 dias. A divulgação pelos media deste tipo de programa de perda de peso faz com que muitas pessoas se desmotivem quando o processo é gradual, levando a pensamentos como: «Eu devo ter algum problema físico»; «Isto é dos genes — a minha família é toda assim»; «Já devia ter perdido muito mais peso»; «Tenho exactamente o mesmo peso que tinha a semana passada»; «A Joana perdeu 4 quilos numa semana».

Outros pensamentos irrealistas e desadequados surgem, muitas vezes, como contraproducentes, tais como: «Perdido por 100 perdido por 1000»; «Eu nunca vou conseguir perder o peso que pretendo»; «Eu mereço este bolo»; «Nunca acabo o que começo»; «Vou ser gorda para sempre».

Recorrer a dietas

A perda de peso deve ser um processo gradual. As pessoas que recorrem a dietas muito restritivas não as conseguem manter por muito tempo e rapidamente voltam aos seus hábitos alimentares habituais, recuperando todos os quilos que perderam. Com acompanhamento nutricional regular e apoio psicológico (que visa mudanças comportamentais) será possível conseguir melhores resultados a longo prazo.

Dicas que o podem ajudar durante o processo de perda de peso

Substitua a palavra dieta por novos hábitos alimentares. As palavras que usamos têm peso naquilo que pensamos e sentimos. A palavra dieta tem uma conotação de sacrifício ou de obrigação. Os novos hábitos alimentares devem ser sentidos como uma escolha que fez.

Adie ao máximo o impulso para comer. Procure fazer algo que lhe dê prazer e que seja incompatível com o acto de comer. Tenha consigo uma lista de actividades e ponha–as em prática assim que sentir os primeiros sinais de risco. Verá que a urgência de comer diminui com o passar do tempo.

Diga a si mesmo: «Eu posso e quero perder peso». Confiar no seu sucesso é um poderoso preditor do comportamento futuro. Se perceber que está com pensamentos negativos ou irracionais, adopte uma atitude mais positiva e realista e lembre-se de situações de sucesso. Visualize-se a resistir à tentação e a ser bem-sucedido na perda de peso.

Lembre-se das suas motivações. Lembre-se das motivações que o levaram a querer perder peso e como é importante para si. Pode até imaginar-se mais magro ou escrever os seus motivos para perder peso numa folha de registo e colocá-la num local que possa ver todos os dias.

Cuide de si e relaxe, diariamente. A prática de exercícios de relaxamento contribui não só para a redução da ansiedade e do stress diário, como também é uma óptima ajuda no controlo dos impulsos alimentares.

Sintonize-se com a experiência de comer. Evite comer em frente ao computador, à televisão ou enquanto conduz. Sinta o gosto e a textura daquilo que come, perceba o quanto a comida é satisfatória e o que sente ao ficar saciado.

Coma devagar e mastigue bem. A mastigação lenta activa a sensação de saciedade. Se acha difícil, passe a pousar os talheres no prato a cada garfada e corte a comida em pequenos pedaços.

Adie a recompensa. Abdique do prazer momentâneo de comer um bolo para um maior prazer a longo prazo ao sentir-se satisfeito com a sua forma física, sentir-se mais saudável, mais seguro e orgulhoso de ter controlo sobre a sua alimentação e estar a conseguir atingir os seus objectivos.