Nada como uma acesa conversa para nos fazer repensar em temas que, às vezes, achamos para lá de teóricos, comportamentos esquivos, nossos ou dos outros, que decidimos (ou não) enfrentar, independentemente das suas consequências. É certo que há temas que exigem mais hipocrisia que outros, pensamentos que furam os olhos a qualquer um, inclusivamente os nossos. Pensamento sem acção de nada vale, já todos sabemos. O pior é saber até quando devemos restringir e não agir de ímpeto. Saber esperar e agir na hora certa. Uma eterna questão com uma longa resposta.

 

Para ser prático, há umas semanas fui confrontado com uma pergunta deste género, que me exigia decisão quase na hora. Decidi sim, arriscar, dizendo que não a uma parte em prol de um sim que me indica mais certeza (não sei de onde vem) que tudo vai dar certo. Aprendi na vida que, mesmo ‘não dando certo’ naquele lugar, dará sempre certo noutro. O espaço externo nunca poderá ser mais importante que o interno. O que está fora e nos circunda é importante sim, conquanto o interior esteja firme e alinhado, sobretudo quando nos entrelaçamos com algumas (in)tenções bem difusas.

Não estamos preparados para enfrentar o que não se entalha na nossa maneira de ver o mundo. Qual a solução? Para mim, a palavra-chave desta matéria é a criatividade. Muito bem, uma palavra é linda e cheia de luz. E depois? A criatividade não está só, precisa de um ‘parceiro’, tal qual a luz, para que haja processo criativo. E para haver esse processo de criação algo tem de morrer. Quando algo se cria, outro algo se destrói. A destruição e a criação são análogas, totalmente simétricas, ou, então, não existiria o célebre bordão ‘nada acaba, tudo se transforma’. Ou, para a borboleta nascer, a larva tem de morrer. É o processo da vida e é também a solução para o meu actual ‘desafio profissional’: aplicar essa suposta destruição-criação, mas consciente do prejuízo-benefício. Não se trata de ver a realidade como ‘boa’ ou ‘má’, trata-se sim de apreender as causas de uma forma serena e proactiva e ‘desatrelá-las’ dos efeitos para assim poder (re)criar um presente mais lúcido, mais regulado e mais centrado.

As ‘más’ decisões são apenas um efeito deste princípio. Os mostrengos na nossa vida só surgem, porque não os ‘matámos’ dentro. Ao invés disso, desperdiçamos tempo a apreciá-los, a analisá-los e a esquecer de AGIR. A resposta para esta minha nova decisão/acção já está dentro, pensada e escrita aqui. Mas, de nada me valerá se eu não me puser a jeito para perceber o que preciso e como desejo criar a união desse par chamado luz/trevas, vulgo criatividade, para estar mais perto da verdade. O Universo grava tudo.