Com ou sem glúten? Eis a questão!

Hoje em dia não é difícil encontrar alguém que tenha cortado o glúten da dieta. Esta proteína, encontrada junto ao amido em diversos cereais como o trigo, cevada ou centeio, está presente em produtos como pão, bolachas, bolos, salgados, massas e até cerveja.

A moda dos alimentos sem glúten e sem lactose fez disparar
o seu consumo nos últimos anos e os consumidores associam
a alegação “sem glúten” à prática de uma alimentação saudável. Os nutricionistas alertam, no entanto, que estas substâncias só devem ser retiradas da alimentação se existir uma razão para o fazer.

A bastonária da Ordem dos Nutricionistas, Alexandra Bento, alerta para o facto de haver muita confusão e muitos falsos conceitos
à volta desta procura.
Quem ganha com isto? Certamente que não é o consumidor, mas sim a indústria alimentar, que não para de crescer e que encontrou nisto um nicho perfeito para aumentar os lucros.

Esta proteína transformou-se num grande inimigo dos alimentos, embora se estime que apenas 1% da população seja celíaca. Contudo, cerca de 10% da população já cortou este alimento da dieta, passando a consumir produtos sem glúten, especialmente desenvolvidos e produzidos por eles.

As dietas isentas de glúten destinam-se às pessoas diagnosticadas com a Doença Celíaca – uma doença
autoimune do intestino causada pela sensibilidade ao glúten. Esta doença só pode ser diagnosticada por um médico e inclui sintomas como diarreia, vómitos, grande desconforto abdominal, irritabilidade, falta
de apetite, anemia.
Sabemos hoje que o glúten ajuda muito na produção do pão, pois confere-lhe aquele aspeto fofinho, apetecível. Sem o glúten, o pão não cresceria, dizem os especialistas.

Pedro Graça, diretor da Faculdade de Nutrição e Alimentação da Universidade de Porto, afirma que quem não é intolerante ao glúten e à lactose e que consome produtos sem esses nutrientes apenas porque está na moda, corre sérios riscos de desenvolver a intolerância.
Além disso, alertam os nutricionistas, muitos destes alimentos são mais calóricos e mais caros, e os consumidores modificam a sua dieta sem motivo.

Há também outros riscos associados à alimentação sem glúten quando não se tem nenhuma intolerância a esta proteína. Ao eliminar o trigo, a cevada, o centeio e outros grãos do prato, eliminamos não só o glúten, mas também outros nutrientes como
o ferro, o ácido fólico, a vitamina D, o zinco.
A expressão “sem glúten” não significa que determinado produto
é mais saudável, uma vez que muitos deles são ricos em gordura saturada, colesterol, sódio ou têm adição de açúcar para compensar.

Mantenha-se vigilante e não se deixe enganar pela publicidade. Se não estiver doente, não é preciso adotar uma alimentação sem glúten.