A boa saúde não é obra do acaso

Estudos mostram que a maior parte das doenças têm algo em comum – a intoxicação do organismo. Segundo os peritos da medicina de trabalho no porto de Hamburgo, 1 em 2 contentores de roupa, provenientes da Ásia é contaminado por substâncias altamente perigosas para a saúde. O perigo é tão palpável e presente que para não ter que abrir e inspirar o gaz tóxico que escaparia dos contentores na abertura, os controlos na alfândega são efetuados aleatoriamente através de uma sonda, um género de robot introduzido no contentor bem fechado. Estudos efetuados no porto de Hamburgo demonstram que 70% dos trabalhadores se queixam de dores diversas, que podem ser o resultado de envenenamento ligado aos produtos que manipulam.

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Sabia que 3 em cada 1000 recém-nascidos sofrem de uma malformação genital após a mãe ter sido exposta, durante a gravidez, a produtos químicos? São as conclusões publicadas na European Urology com base num estudo efetuado por dois cientistas do Hospital de Montpellier: Nicolas Kalfa e Charles Sultan. Quando as bebés de sexo feminino foram expostas in utero aos produtos como o Distilbène, constataram-se malformações do útero e da vagina com consequências na vida adulta como a infertilidade e dificuldade em levar a gravidez até ao fim.
Face a esta situação, o mundo começa a sair desta letargia mortal, a organizar-se e a tomar mais medidas de precaução, mas, no ano passado, a Greenpeace, uma organização mundial cujo objetivo é mudar atitudes e comportamentos, para defender o meio ambiente e promover a paz, afirma ter detetado substâncias químicas perigosas na roupa para crianças fabricadas pelas grandes marcas como Disney, Burberry ou Adidas. As crianças são um alvo ainda mais frágil e vulnerável devido ao tamanho pequeno do metabolismo e ao comportamento, preocupa-se a ONG (Organização Não Governamental). A questão é, como produzir 70-80 mil milhões de peças de roupa sem tóxicos? É sequer exequível?

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Alguns, mais conscientes e responsáveis, viram-se para o óbvio, ou seja, voltar ao natural: o algodão, de preferência, orgânico, seda, linho, mohair, cachemira, angorá, etc. No entanto, na Índia, os campos de algodão bio ficam ao lado dos outros; sim, percebeu, o que ficará ainda de bio quando o campo vizinho ficar inundado por pesticidas? Sem falar do facto de os colorantes do algodão bio serem os mesmos que os utilizados nas t-shirts baratas.

Uma ação urgente é necessária para substituir produtos químicos perigosos por alternativas mais seguras, especialmente em roupa e outros produtos de consumo.
Pode ser uma daquelas pessoas que toma vitaminas, minerais e antioxidantes e que tenta levar uma vida saudável, e mesmo assim a sua saúde não é aquilo que se pode esperar. Não é de estranhar se pensarmos que mesmo os alimentos que ingerimos e que achamos saudáveis estão contaminados com inúmeros poluentes tóxicos. No Reino unido, por exemplo, 37% das crianças entre 1 e 3 anos apresentam ingestão de poluentes acima do limite sugerido pelas autoridades governamentais e de saúde. Até a água pluvial europeia está, atualmente, tão contaminada com agrotóxicos dissolvidos que os níveis desses poluentes excedem os valores estipulados para a água potável.
Precisamos urgentemente de leis que nos protejam da exposição continuada a esses compostos, as autoridades do mundo inteiro têm de se mobilizar, tomando medidas urgentes e transparentes para diminuir e eliminar a libertação de substâncias químicas perigosas à nossa volta.

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