O sal do mar, das nossas lágrimas e… dos alimentos processados

Depois do doce, o salgado é, provavelmente, o nosso sabor favorito.

No mundo antigo, o sal era muito valioso – e até sagrado –
devido às suas diversas propriedades, essenciais à vida. Os romanos consideravam que era um símbolo de sabedoria e durante muito tempo teve um valor económico, sendo utilizado como moeda de troca para adquirir outros bens.

No passado, mas também atualmente, o sal tem um papel fundamental na conservação dos alimentos, impedindo a reprodução de bactérias e evitando que se estraguem rapidamente.

A própria Bíblia mostra a utilização deste elemento que purifica, limpa e protege. Já os egípcios usavam o sal para desidratar e embalsamar
o corpo dos faraós.

O cloreto de sódio, conhecido como sal de cozinha, é um micronutriente essencial ao nosso organismo. O seu valor económico diminuiu desde os tempos bíblicos, altura em que provocava guerras ou inspirava poesias (Homero refere-se a ele como substância divina), mas a sua importância para o bom funcionamento do nosso corpo permanece inalterada.

O corpo humano necessita de sal para as suas funções celulares.

O sal exerce um papel vital na nossa sobrevivência: o organismo precisa de sódio para manter o equilíbrio da água no corpo. Trata-se de uma substância sem a qual ninguém consegue viver. O sódio ajuda a administrar a hidratação através do controlo do movimento da água dentro e fora das células, equilibrando a quantidade de água no organismo.

Segundo especialistas, ao ingerir
5-7 gr de cloreto de sódio por dia, mantemos o equilíbrio do corpo,
o balanço ideal dos nutrientes e da água dentro das células.
Sem o sal, o corpo não conseguiria reter líquidos e as células perderiam o seu volume normal, desidratando-se, tal como as uvas que se transformam em passas. Todos nós sentimos sede após ingerir produtos salgados. Trata-se de uma mensagem do corpo, que tenta manter-se em equilíbrio.

Assim, o sal na quantidade adequada contribui para uma boa digestão, facilita a produção de energia, auxilia o funcionamento renal e repõe
o sódio perdido no suor quando se pratica muito exercício físico.

Já o excesso de sal é também perigoso e pode aumentar a pressão arterial, criando graves problemas de saúde, como complicações cardiovasculares ou nos rins, pois há uma sobrecarga de trabalho quando o sódio está alto e tem de ser expelido.

Foi comprovado que, para uma boa saúde, devemos manter um equilíbrio, de acordo com a programação genética da nossa espécie. E a verdade é que esta programação genética não está preparada para os alimentos processados industrialmente que sofrem variações, às vezes importantes, na composição de nutrientes.

Os produtos industrializados contêm sal a mais para realçar o sabor ou para compensar, no caso dos produtos light, a redução da quantidade de gordura ou açúcar.

Substituir o sal por outros temperos como pimenta, limão, ervas e alho é uma boa opção. Ler as embalagens é primordial e preferir sal marinho ao sal de cozinha comum seria sensato.